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202604/11

HART não comunica? Como funciona no 4-20 mA e o que checar

Manutenção e qualidadeAtualizado em 04/11/202622 min de leitura

Um transmissor de pressão num skid de origem japonesa aparece corretamente no SDCD. O sinal de 4–20 mA está estável e o valor confere com o manômetro local. Mas, ao ligar o comunicador HART para conferir a faixa, ele responde "No device found" (nenhum dispositivo encontrado).

O ponto é que uma malha analógica funcionando não prova que o HART consegue passar. O HART com fio sobrepõe um pequeno sinal digital à corrente de 4–20 mA. A corrente contínua continua levando o valor medido, e o sinal digital permite que um host leia tag, faixa e diagnósticos do instrumento, e altere seus parâmetros, pelos mesmos dois fios.

Este guia mostra como esse sinal viaja na malha, por que o HART exige uma carga de 250 Ω (ou parecida) e como montar o balanço de tensão. Depois segue uma sequência de diagnóstico e termina com um checklist e perguntas para enviar a um fornecedor japonês.

Sumário
  1. O que o HART acrescenta à malha 4–20 mA
  2. Como o FSK viaja na malha: 1200 Hz, 2200 Hz e 1200 bit/s
  3. O que o HART oferece (e o que não oferece)
  4. Limites do HART com fio
  5. O resistor de 250 Ω e o seu balanço de tensão
  6. Ponto a ponto e multidrop
  7. O HART não comunica? Diagnostique nesta ordem
  8. Checklist: antes de ligar o comunicador
  9. Perguntas para o fornecedor japonês
  10. Limites deste guia
  11. Perguntas frequentes
  12. Fontes

O que o HART acrescenta à malha 4–20 mA

HART é a sigla de Highway Addressable Remote Transducer. A tecnologia nasceu na Rosemount e virou um padrão aberto, usado por muitos fabricantes. Hoje a FieldComm Group mantém as especificações e faz o registro dos dispositivos.

Se você usa "fieldbus" (barramento de campo) no sentido amplo, de qualquer comunicação de campo entre instrumentos e sistemas de controle, o HART entra na conta. Diferente do FOUNDATION Fieldbus, que leva toda a informação em digital, o HART mantém o sinal analógico e soma a comunicação digital por cima. Essa diferença muda tanto o tratamento dos sinais quanto a arquitetura do sistema.

Um controlador lê o valor medido numa entrada de 4–20 mA comum, sem nenhum suporte a HART. Para usar o HART, é preciso também ter equipamentos que conversem com o instrumento:

  • Uma placa de E/S com suporte a HART, um modem HART ou um comunicador portátil
  • Um host de manutenção, como um software de gestão de ativos
  • Arquivos de descrição do dispositivo compatíveis com o instrumento (veja a seção de diagnóstico)

Algumas plantas tratam a configuração e o status dos instrumentos dentro do próprio SDCD (DCS). Outras usam um sistema de manutenção separado.

O que você pretende fazer com a informação define os equipamentos necessários.

O HART também pertence a uma categoria diferente das E/S discretas, como DI e DO. Um sinal de contato é apenas ligado ou desligado, enquanto o HART é um protocolo de comunicação que leva itens com nome e valores entre o host e o instrumento.

A Figura 1 mostra uma ligação típica com fio: transmissor a 2 fios, fonte de 24 V e carga de 250 Ω. O comunicador entra em paralelo, não em série como um amperímetro.

Figura 1: O comunicador HART é ligado em paralelo, no ponto indicado

Exemplo com transmissor a 2 fios e carga de recepção de 250 Ω. O comunicador não entra em série na malha, como um amperímetro.

+−Fonte CC (ex.: 24 V)2 fiostransmissor+−4–20 mA CC + sinal CA do HARTCarga 250 Ω−+Entrada AIlê a tensãoComunicador HARTEm alguns arranjos, o resistor de carga fica dentro da placa de entrada

A polaridade segue o sentido da corrente mostrado. Dispositivos de proteção, blindagem e aterramento foram omitidos. Os pontos de ligação e a carga necessária são definidos pelo manual do instrumento e pelo diagrama de malha.

O comunicador envia pedidos ao instrumento e lê as respostas no sinal da malha. Em vez de um portátil dedicado, também é possível usar um PC com modem HART ou um módulo de E/S com suporte a HART.

O padrão básico é pedido e resposta. O host (o "mestre") envia um comando, e o instrumento de campo responde com o valor medido, os parâmetros ou o status. O HART admite dois mestres na malha: um mestre primário, normalmente o sistema de controle, e um mestre secundário, como um portátil ou notebook em campo.

Como o FSK viaja na malha: 1200 Hz, 2200 Hz e 1200 bit/s

O HART com fio usa FSK (chaveamento por deslocamento de frequência) baseado no padrão Bell 202. Um tom de 1200 Hz representa o bit 1 e um tom de 2200 Hz representa o bit 0. O sinal é pequeno, cerca de ±0,5 mA em torno da corrente da malha.

Não confunda as frequências com a taxa de dados. Hz conta ciclos de onda por segundo, e bit/s conta bits por segundo. O HART com fio opera a 1200 bit/s; não existe uma faixa de "1200–2200 bit/s", embora os números sejam parecidos.

A Figura 2 separa as duas ideias: a média CC, que leva o valor medido, e as frequências dos tons, que levam os dados.

Figura 2: A corrente média e a frequência do sinal de dados

Em cima: um pequeno sinal CA sobre um nível CC de exemplo de 12 mA (fora de escala). Embaixo: quantos ciclos cada tom completa na mesma janela de 2,5 ms, que não é um período de bit.

A corrente média leva o valor medidoex.: 12 mAO sinal CA não desloca a média CC. Amplitude e escala de tempo fora de escala.Tons FSK comparados na mesma janela de tempo1: 1200 Hz3 ciclos0: 2200 Hz5,5 ciclosJanela de tempo: 2,5 ms (não é um período de bit)

1200 Hz × 0,0025 s = 3 ciclos; 2200 Hz × 0,0025 s = 5,5 ciclos. Nenhum dos dois números é a taxa de dados de 1200 bit/s.

Como os tons têm média zero, eles não deslocam o valor CC, e o sinal analógico continua funcionando. No lado receptor, circuitos separados captam o nível CC para a medição e os tons CA para a comunicação.

Confira separadamente a leitura HART e a conversão de corrente em valor. Se a faixa da entrada analógica no SDCD for diferente da faixa do transmissor, o valor exibido ficará errado mesmo com a corrente correta.

O que o HART oferece (e o que não oferece)

O principal benefício é acessar informações do instrumento que a corrente sozinha não leva, sem nova cablagem. Com uma ferramenta de manutenção, você confere faixa, unidades, tag e status do instrumento num só lugar.

O que se pode ler depende do instrumento. Um sensor de temperatura de duplo elemento, por exemplo, tem dois elementos sensores, mas não necessariamente duas saídas de corrente.

As variáveis e os diagnósticos disponíveis via HART dependem da configuração de entrada do transmissor e das funções que ele suporta.

A Figura 3 compara o que uma entrada de 4–20 mA comum oferece com o que o HART pode acrescentar.

Figura 3: A corrente leva o valor; o HART leva informações do instrumento

Para aproveitar o que um instrumento HART oferece, o lado do host também precisa ser capaz de tratar essas informações.

ItemEntrada comum de 4–20 mAExemplos do que o HART acrescenta
Valor medidoCorrente convertida para a faixa configuradaValor digital, unidades e status
Identificação do instrumentoConferida com desenhos, números de borne e etiquetas de campoTag, tipo de instrumento, número de série e similares
FaixaAjustes do receptor e de campo conferidos um a umValores inferior e superior da faixa lidos no instrumento
Pistas para manutençãoCorrente anormal e inspeção em campoStatus do instrumento, variáveis extras e diagnósticos
O que o receptor precisaUma entrada analógicaUm host compatível, um caminho de comunicação e arquivos de descrição do dispositivo

Nem todo instrumento oferece tudo isso, nem da mesma forma. O resultado depende do modelo, da revisão e do que o host suporta.

No comissionamento, associe cada tag de campo ao ponto de medição do projeto e confirme unidades e faixa. Ler os parâmetros com uma ferramenta HART e exportá-los para uma lista evita coletá-los à mão.

Exemplo: a corrente está certa, mas o display está errado

Imagine um transmissor ajustado para 0–1 MPa (0–10 bar) com saída de 4–20 mA. A 0,5 MPa ele entrega 12 mA. Se somente o receptor estiver ajustado para 0–2 MPa, o display mostrará 1 MPa.

A corrente é exatamente a que a faixa do transmissor determina. Leia a faixa e o valor digital do instrumento via HART e compare com a escala do receptor. Essa comparação isola a causa da divergência.

Ao comparar um manômetro local com o transmissor e com a tela, confira as unidades e a referência de pressão (manométrica ou absoluta), não só os números. A escala de um manovacuômetro também ajuda a confirmar a faixa.

Em operação, mudanças no status do instrumento ajudam a decidir quais instrumentos inspecionar primeiro. Os diagnósticos rendem mais quando avaliados junto com as condições do processo e outras medições.

Como o HART é um padrão aberto, ele foi concebido para funcionar com instrumentos de fabricantes diferentes. Isso também facilita padronizar a conferência de instrumentos, hosts e arquivos de descrição quando equipamentos são instalados em plantas fora do Japão.

Lembre que reajustar a faixa (re-range) de um transmissor via HART não é calibração. Mudar a faixa não verifica a exatidão do sensor; isso continua exigindo um padrão de referência e a verificação de toda a cadeia de medição.

Limites do HART com fio

A 1200 bit/s, o FSK com fio não serve para enviar imagens ou grandes volumes de dados de forma de onda. Ler muitos itens de vários instrumentos em sequência também soma um tempo de espera perceptível.

A velocidade não é o único fator. Cada pedido e cada resposta levam mais do que o valor medido, e o tipo de comando, a varredura do host e o tempo de resposta do instrumento afetam o ciclo de atualização total. Por isso, o projeto costuma manter o 4–20 mA para o controle e tratar os dados HART como uma atualização separada e mais lenta, para manutenção.

Se você pretende usar valores digitais HART no controle, compare a taxa de atualização necessária com o que o sistema realmente entrega e escolha como o host fará a aquisição.

O caminho do sinal também importa. O HART pode falhar numa malha em que o valor analógico chega perfeitamente, conforme o modo como os dispositivos intermediários tratam o sinal CA:

  • Conversores de sinal e isoladores
  • Barreiras de segurança intrínseca
  • Filtros

Num isolador, não olhe só a exatidão do 4–20 mA: verifique se ele repassa o HART nos dois sentidos. Um dispositivo que reproduz corretamente o valor CC não necessariamente deixa passar o sinal CA.

Por fim, o host precisa de suporte adequado a cada instrumento. Ler o valor medido básico exige menos do que diagnósticos e configuração detalhados; combine o software e os arquivos de descrição com os itens que você quer usar.

O resistor de 250 Ω e o seu balanço de tensão

O HART precisa de certa resistência na malha para que o sinal em modo de corrente do instrumento gere uma tensão que o host consiga detectar. A especificação HART pede uma carga total da malha, incluindo a resistência dos cabos, de no mínimo 230 Ω e no máximo 1100 Ω. Muitos manuais de instrumentos indicam 250 Ω, valor logo acima desse mínimo.

O manual do instrumento informa a carga necessária para a comunicação. O resistor pode já estar embutido na entrada receptora ou na fonte de alimentação, então um resistor separado nem sempre é necessário.

Se você acrescentar um resistor sem verificar se já existe um, soma uma queda de tensão extra. Primeiro localize a carga existente; depois confira-a com os requisitos de comunicação do instrumento e com a capacidade da fonte.

A Figura 4 desenvolve um balanço de tensão com valores supostos.

Figura 4: Tensão sobre 250 Ω e tensão que sobra no transmissor

Os valores são suposições para ilustrar: fonte de 24 V, resistor de recepção de 250 Ω, 50 Ω de resistência de cabo (ida e volta) e queda de 2 V num dispositivo intermediário.

Tensão sobre o resistor
VR = I × R
0,004 × 250 = 1 V
0,020 × 250 = 5 V
Queda no cabo a 20 mA
Vcabo = I × Rcabo
0,020 × 50 = 1 V
Tensão que sobra no transmissor
VTX = VS − VR − Vcabo − Vdisp
24 − 5 − 1 − 2 = 16 V
Se o transmissor precisar de pelo menos 12 V para operar
16 − 12 = 4 V de margem
I: corrente da malha [A]; R: resistor de recepção [Ω]; Rcabo: resistência do cabo, ida e volta [Ω]; VS: tensão de alimentação; Vdisp: queda no dispositivo intermediário; VTX: tensão nos bornes do transmissor [V]. A queda de 2 V e o mínimo de 12 V são suposições, não especificações válidas para todos os instrumentos.

Em equipamentos reais, use a tensão mínima da fonte, as correntes máxima de operação e de alarme e as especificações de todos os dispositivos da malha. O requisito de carga e o requisito de tensão precisam ser atendidos ao mesmo tempo.

Passar 4–20 mA por 250 Ω gera 1–5 V, então o mesmo resistor serve também a uma entrada analógica em tensão. Em desenhos japoneses, esse resistor pode aparecer como 受信抵抗 (jushin teiko, resistor de recepção).

No exemplo, sobram 16 V no transmissor a 20 mA, o que deixa 4 V de margem sobre o mínimo suposto de 12 V. Com o mesmo equipamento, essa margem diminui se a tensão da fonte cair ou se o cabo ficar mais longo.

Se o instrumento usa corrente de alarme, calcule a queda nessa corrente. Com as mesmas suposições a 22 mA, o resistor tem queda de 5,5 V e o cabo de 1,1 V, restando 15,4 V no transmissor.

O valor de 22 mA vale só para este exemplo; a corrente de alarme varia conforme o instrumento. Calcular na corrente máxima do instrumento revela faltas de tensão que não aparecem na faixa normal de medição.

O valor do resistor sozinho não define a qualidade da comunicação. Ele afeta tanto a tensão vista pela entrada analógica quanto a impedância do caminho de comunicação, então o cabo e os dispositivos conectados precisam ser adequados à malha como um todo.

Como as especificações japonesas expressam carga e alimentação

Folhas de dados japonesas costumam dar a carga admissível como uma fórmula, e não como um único número. Ela aparece como 許容負荷抵抗 (kyoyo fuka teiko, resistência de carga admissível).

Por exemplo, um isolador-distribuidor compatível com HART da MG Co., Ltd. dá a carga admissível como (tensão de alimentação − 12 V) ÷ 0,02 A, incluindo a resistência dos cabos. A mesma folha de dados exige resistência de malha de 250 Ω ±10% para a comunicação HART.

Placas de entrada de SDCD japonesas também podem trazer a carga embutida. A folha de dados de um módulo de E/S da Yokogawa informa resistência de entrada a 2 fios de 400 Ω (a 20 mA) a 750 Ω (a 4 mA) e suporte a HART. Leia a especificação da placa antes de acrescentar um resistor.

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Ponto a ponto e multidrop

Numa malha ponto a ponto típica, um transmissor fica numa malha de corrente e envia o valor medido principal em 4–20 mA. O HART permite ler os valores digitais e os parâmetros desse instrumento pelos mesmos fios.

No multidrop, vários instrumentos dividem um par de fios e o host identifica cada um pelo endereço. Quando os instrumentos estão em corrente fixa, o host lê cada valor medido em digital. A corrente total não informa nada sobre os valores individuais.

A Figura 5 compara as duas configurações.

Figura 5: Somar as correntes não dá os valores individuais

No exemplo de baixo, os dispositivos A, B e C estão fixados em 4 mA cada, e a malha leva 12 mA no total. O número de dispositivos e a faixa de endereços dependem da revisão HART e das especificações do instrumento.

Ponto a ponto: 1 dispositivo, valor também enviado por corrente1 transmissorcorrente = valorHost e fonte4–20 mA + HARTA corrente leva o valor principal; o HART, dados extrasMultidrop: dispositivos endereçados, valores lidos em digitalDispositivo A4 mA fixosDispositivo B4 mA fixosDispositivo C4 mA fixosHost e fonteConsulta A, B, CExemplo: o total de 12 mA não representa os valores de A, B ou C

Fonte, interface de comunicação e carga foram desenhadas juntas no lado do host. Em cima: uma malha. Embaixo: dispositivos ligados em paralelo no mesmo par de fios.

Em instrumentos mais antigos (HART revisões 3 a 5), os endereços de polling vão de 1 a 15, e por isso muitas referências citam o limite de 15 dispositivos. O HART 6 e o 7 admitem endereços até 63, mas o máximo real depende de cada instrumento. Usar endereços acima de 15 numa malha que mistura instrumentos antigos e novos pode causar erros de comunicação.

Uma entrada analógica existente e uma rede multidrop exigem cablagem e ajustes diferentes. Verifique o modo da saída de corrente além do endereço e decida por qual caminho cada valor será lido.

Uma rede multidrop em corrente fixa também exige a verificação da alimentação. As correntes de todos os instrumentos passam pela carga compartilhada, então avalie a tensão e a capacidade de corrente da fonte para o conjunto completo de instrumentos ligados.

O HART também tem versões que usam outros meios, como WirelessHART e HART-IP. As frequências Bell 202 e a taxa de 1200 bit/s valem só para o HART com fio, não para as camadas físicas sem fio ou Ethernet.

O HART não comunica? Diagnostique nesta ordem

Vá da alimentação e da cablagem em direção ao software. Cada passo descarta uma camada antes de você seguir para a próxima. Antes de abrir uma caixa de ligação ou tocar em bornes, siga os procedimentos do local: permissão de trabalho, isolamento e bloqueio (LOTO), e regras de área classificada. Este guia não os substitui.

  1. Alimentação e corrente analógica. Confirme que o instrumento tem tensão suficiente e que a saída de 4–20 mA é a esperada. Percorra no diagrama de malha a fonte, a carga de recepção, os dispositivos intermediários e a cablagem, e faça o balanço de tensão como na Figura 4.
  2. Ponto de ligação e carga. Verifique onde o comunicador está ligado e quanta carga a malha apresenta, comparando com o manual do instrumento. Ligue em paralelo no ponto indicado; inserir a ferramenta em série, como um amperímetro, altera o circuito da malha.
  3. Protocolo. Confirme que o instrumento realmente usa HART. Em alguns equipamentos japoneses, ele pode usar outro protocolo (veja a próxima seção).
  4. Dispositivos no caminho. Verifique se isoladores, barreiras e conversores são marcados como compatíveis com HART e em que sentido repassam o sinal. Se você lê o instrumento de um lado do isolador mas não do outro, observe a função de repasse e de que lado está ligado.
  5. Cablagem e ruído. Procure mau contato e ligações trocadas, e verifique interferência elétrica por perto. Siga as especificações de cablagem do local e do instrumento para blindagem e aterramento.
  6. Suporte do host. Se a comunicação funciona mas alguns parâmetros não aparecem, verifique os arquivos de descrição do dispositivo. Os pacotes DD, DTM e FDI estão ligados ao tipo e à revisão do instrumento, então carregue no host os arquivos correspondentes.
  7. Comparação de valores. Compare a variável primária lida via HART com o sinal realmente usado no controle. Separar os valores de controle dos valores de monitoramento e manutenção facilita distinguir um problema de comunicação de um problema de exibição ou de controle.

Numa planta em operação, uma alteração de configuração pode afetar o processo. Gerencie leitura e escrita separadamente, registre os valores antes de qualquer mudança e siga o procedimento de gestão de mudanças do local.

Equipamentos japoneses: verifique o BRAIN antes de culpar a malha

A Yokogawa, grande fabricante japonesa de instrumentos, também usa um protocolo digital próprio chamado BRAIN. Alguns de seus transmissores são vendidos em versões BRAIN e HART com o mesmo elemento sensor, e o protocolo é definido pelo código do modelo. Não presuma que os dois protocolos sejam intercambiáveis.

Um instrumento BRAIN, em geral, não é acessível com um comunicador HART padrão; a Yokogawa indica o portátil BT200 como comunicador dos instrumentos BRAIN, e o software FieldMate é outra opção. Confirme com o fabricante qual ferramenta seu modelo exige. Antes de trocar resistores ou refazer a cablagem, leia o código completo do modelo na placa de identificação e compare-o com a tabela de códigos do fabricante.

Os manuais japoneses também podem tratar as versões HART e BRAIN em documentos separados. Confira se o manual que você está lendo corresponde ao protocolo da placa de identificação.

Termos japoneses que você pode encontrar

Estes termos aparecem em diagramas de malha, folhas de dados e manuais japoneses de malhas HART.

Termo japonês (romaji)Significado
HART通信対応 (HART tsushin taio)Compatível com HART (procure a mesma expressão em isoladores e barreiras)
受信抵抗 (jushin teiko)Resistor de recepção, em geral de 250 Ω (gera 1–5 V)
負荷抵抗 (fuka teiko)Resistência de carga
許容負荷抵抗 (kyoyo fuka teiko)Resistência de carga admissível, muitas vezes dada como fórmula
rupu-zuDiagrama de malha
取扱説明書 (toriatsukai setsumeisho)Manual de instruções
双方向 (sohoko)Bidirecional (se um isolador repassa o HART nos dois sentidos)

Checklist: antes de ligar o comunicador

Passe por estes itens antes de gastar tempo em campo.

  • Protocolo do instrumento confirmado como HART (e não BRAIN ou outro), a partir do código completo do modelo
  • Revisão HART do instrumento, e se o host e o comunicador a suportam
  • Local e valor do resistor de carga existente, inclusive o que estiver embutido na placa de entrada ou na fonte
  • Carga total da malha dentro do requisito de comunicação do instrumento (a faixa da especificação HART é 230–1100 Ω)
  • Tensão no transmissor, na corrente máxima e incluindo a corrente de alarme, acima da tensão mínima de operação
  • Todo isolador, barreira e conversor da malha marcado como compatível com HART e repassando o HART no sentido necessário
  • Ponto de ligação do comunicador conforme o manual, e ligado em paralelo
  • Apenas um mestre secundário (portátil ou notebook) na malha por vez
  • Endereço de polling e modo da saída de corrente (4–20 mA normal ou corrente fixa)
  • Pacote DD, DTM ou FDI compatível com o tipo e a revisão do instrumento instalado no host
  • Escala do receptor igual à faixa e às unidades do transmissor
  • Valores atuais registrados e procedimento de mudanças do local seguido antes de gravar qualquer parâmetro numa malha em operação

Perguntas para o fornecedor japonês

Se faltarem documentos ou algo estiver pouco claro, pergunte direto ao fornecedor. Estas perguntas cobrem os pontos acima.

  1. Qual protocolo cada transmissor usa (HART, BRAIN ou outro)? Informe o código completo do modelo.
  2. Qual revisão HART cada instrumento suporta?
  3. Onde fica o resistor de carga HART em cada malha e qual é o seu valor? Ele está embutido na placa de entrada ou na fonte?
  4. Qual é a tensão mínima de operação de cada transmissor e em que corrente de alarme ele está configurado?
  5. Os isoladores e barreiras do painel são compatíveis com HART e repassam o HART nos dois sentidos?
  6. Onde o comunicador portátil deve ser ligado? Marque os pontos no diagrama de malha.
  7. Quais arquivos DD, DTM ou FDI são necessários e onde podemos baixá-los?
  8. Algum instrumento está ligado em multidrop ou ajustado em corrente fixa?
  9. É possível fornecer versões em inglês dos manuais e dos diagramas de malha desses instrumentos?

Uma consulta curta nesse formato costuma render uma resposta mais clara do que um genérico "o HART não funciona". Como o inglês é o idioma comum com fornecedores japoneses, segue um modelo nesse idioma:

Subject: HART communication check – [project name], tag [PT-101]

We cannot communicate with transmitter [PT-101] using a HART communicator, although the 4–20 mA signal reads correctly in the DCS. Could you please confirm the following for this loop: (1) the full model code and communication protocol of the transmitter, (2) the location and value of the HART load resistor, (3) whether the isolator [model] relays HART in both directions, and (4) the recommended connection point for a handheld communicator? A marked-up loop diagram would be very helpful.

Limites deste guia

  • Este guia trata do HART com fio em malhas de 4–20 mA. WirelessHART e HART-IP usam camadas físicas diferentes.
  • O balanço de tensão da Figura 4 usa valores supostos. Use as especificações reais da fonte, do cabo e de todos os dispositivos da malha.
  • Requisitos de carga, correntes de alarme, faixas de endereço e funções suportadas variam conforme o instrumento, a revisão e o host. O manual do instrumento prevalece sobre os números gerais daqui.
  • Malhas de segurança intrínseca têm regras próprias para barreiras e equipamentos ligados. Se um comunicador pode ou não ser ligado em área classificada, quem decide são as certificações e os procedimentos do local, não este guia. No Brasil, a instalação em atmosferas explosivas costuma seguir a ABNT NBR IEC 60079-14 e as regras de segurança em instalações elétricas (NR-10); consulte a versão vigente e o responsável técnico da planta.
  • Alterar parâmetros numa planta em operação segue os procedimentos do próprio local.

Perguntas frequentes

O HART precisa de cabo especial?

Não. O HART foi concebido para operar nas malhas de instrumentação a dois fios já existentes. Ainda assim, a cablagem, a carga e os dispositivos intermediários precisam atender aos requisitos de comunicação; confira a malha de corrente inteira, não só o tipo de cabo.

Se o sinal de 4–20 mA está bom, o HART vai funcionar?

Não necessariamente. O valor CC pode chegar corretamente enquanto um isolador ou outro dispositivo bloqueia o sinal CA de comunicação. Verifique se o instrumento e o host suportam HART, se carga e tensão estão dentro dos requisitos e se todo dispositivo intermediário repassa o HART nos dois sentidos.

Preciso sempre acrescentar um resistor de 250 Ω?

Não. Algumas entradas receptoras e fontes de alimentação já incluem a carga necessária. Localize a carga existente no diagrama de malha e só então decida se é preciso mais, para atender ao requisito de comunicação do instrumento sem perder a margem de tensão.

Por que o valor lido por HART é diferente do display do SDCD?

O valor digital do HART e o display escalonado a partir do 4–20 mA seguem caminhos diferentes. Compare variável, unidades, faixa e escala do receptor, e verifique cada etapa para ver onde o valor muda.

1200 Hz e 1200 bit/s são a mesma coisa?

Não. Hz é a frequência da onda, e bit/s é a velocidade com que a informação é enviada. O HART com fio usa 1200 Hz e 2200 Hz para representar 1 e 0, e sua taxa de dados é de 1200 bit/s.

Fontes

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Sobre a redação

Redação do MONOSCOPEFOUNDER & EDITOR

Cerca de dez anos de atuação em um fabricante de equipamentos industriais e em uma empresa de engenharia de plantas, com propostas, projeto e comissionamento de equipamentos, seguidos da migração para o marketing digital. Hoje presta consultoria web a fabricantes B2B, ajudando-os a explicar com clareza seus produtos e tecnologias. Possui as licenças nacionais japonesas de Energy Manager e de Engenheiro-Chefe de Eletricidade de Terceira Classe.

Mantém um blog de engenharia desde 2017 (mais de 500 artigos) e um canal no YouTube em japonês com cerca de 20 mil inscritos. Cada guia é escrito do ponto de vista do chão de fábrica japonês e conferido com as normas citadas.

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