Tabela de conversão de pressão: kgf/cm², MPa, bar e psi

Imagine um compressor vindo do Japão. A placa de identificação diz 0,69 MPa, o desenho antigo do manual diz 7 kgf/cm² e o técnico do fornecedor, por telefone, fala em "nana kiro" (sete quilos). Os manômetros da sua planta marcam kgf/cm², bar ou psi. Os três valores podem descrever a mesma pressão (7 kgf/cm² são 0,686 MPa, que arredondam para 0,69), mas só se você souber a unidade de cada um e se o valor é manométrico ou absoluto.
A resposta curta: 1 kgf/cm² = 98,0665 kPa = 0,0980665 MPa ≈ 14,22 psi ≈ 0,981 bar. No sentido inverso, 1 MPa = 1.000 kPa = 10 bar ≈ 10,2 kgf/cm² ≈ 145,0 psi. Quando alguém no Japão diz "kiro" (quilo) ao falar de pressão, quase sempre quer dizer kgf/cm², não kPa. Por isso, confirme a unidade por escrito.
Este guia traz uma tabela de conversão entre unidades do SI e as usadas no Brasil e nos EUA. Explica o hábito do "kiro", mostra como ler MPaG e MPaA em relação a psig e psia e trata das unidades de coluna d'água e de mercúrio (mmAq, mmHg) que ainda aparecem em documentos japoneses. Termina com um checklist, perguntas para o fornecedor japonês e um modelo de e-mail.
Sumário
- Tabela de conversão de unidades de pressão
- O que significa "kiro" no chão de fábrica japonês
- Pa, kPa e MPa: o básico do SI
- bar, atm e psi: parecidos, mas não iguais
- Pressão manométrica e absoluta: MPaG, MPaA, psig e psia
- Colunas de água e de mercúrio: mmAq, mmca, mmH₂O, mmHg e Torr
- Desenhos japoneses antigos, a Lei de Metrologia do Japão e a situação no Brasil
- Registro de pressão: valor, unidade, referência e local
- Checklist para valores de pressão japoneses
- Perguntas para o seu fornecedor japonês
- Onde este guia não se aplica
- Resumo
- Perguntas frequentes
- Fontes
Tabela de conversão de unidades de pressão
A tabela abaixo mostra quanto vale uma unidade de cada tipo comum em documentos japoneses, brasileiros e americanos, expressa em kPa, MPa, psi e bar. Cada fator compara apenas o tamanho das unidades. Nenhum deles soma ou subtrai a pressão atmosférica, portanto um valor manométrico continua manométrico depois da conversão.
| 1 unidade de | kPa | MPa | psi | bar | Definição / observações |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 Pa | 0,001 | 0,000001 | 0,000145 | 0,00001 | Unidade do SI (1 N/m²) |
| 1 hPa | 0,1 | 0,0001 | 0,0145 | 0,001 | 100 Pa |
| 1 kPa | 1 | 0,001 | 0,145038 | 0,01 | 1.000 Pa |
| 1 MPa | 1.000 | 1 | 145,038 | 10 | 1.000.000 Pa |
| 1 kgf/cm² | 98,0665 | 0,0980665 | 14,2233 | 0,980665 | Exato, baseado na gravidade padrão |
| 1 bar | 100 | 0,1 | 14,5038 | 1 | 100.000 Pa, exato |
| 1 atm | 101,325 | 0,101325 | 14,6959 | 1,01325 | Atmosfera padrão, 101.325 Pa, exato |
| 1 psi | 6,894757 | 0,006894757 | 1 | 0,0689476 | Libra-força por polegada quadrada |
| 1 Torr | 0,133322 | 0,000133322 | 0,0193368 | 0,00133322 | 1/760 de 1 atm |
| 1 mmHg | 0,133322 | 0,000133322 | 0,0193368 | 0,00133322 | Convencional; na definição legal japonesa, igual a 1 Torr |
| 1 inHg | 3,386389 | 0,003386389 | 0,491154 | 0,0338639 | Convencional (polegada de mercúrio) |
| 1 mH₂O (mca) | 9,80665 | 0,00980665 | 1,42233 | 0,0980665 | Coluna d'água convencional (1.000 kg/m³, gravidade padrão) |
| 1 mmH₂O (mmAq, mmca) | 0,00980665 | 0,00000980665 | 0,00142233 | 0,0000980665 | Convencional; mmAq é a mesma unidade que o mmca |
| 1 inH₂O | 0,2490889 | 0,0002490889 | 0,0361273 | 0,00249089 | Convencional (existem outras bases de temperatura) |
Os fatores seguem a NIST Special Publication 811, Apêndice B.9. O número de casas decimais mostra o fator, não a exatidão de qualquer medição.
Quando um documento japonês traz o valor em kgf/cm², a tabela seguinte permite conferir de relance os valores redondos mais comuns.
| kgf/cm² | MPa | kPa | bar | psi |
|---|---|---|---|---|
| 1 | 0,0981 | 98,1 | 0,981 | 14,2 |
| 3 | 0,294 | 294 | 2,94 | 42,7 |
| 5 | 0,490 | 490 | 4,90 | 71,1 |
| 7 | 0,686 | 686 | 6,86 | 99,6 |
| 10 | 0,981 | 981 | 9,81 | 142,2 |
Os valores estão arredondados para três algarismos significativos (psi com uma casa decimal). Para pressões de teste e pontos de ajuste, mantenha o fator exato, 98,0665.
Como usar a tabela
Multiplique o valor pelo fator da linha da unidade de origem. Por exemplo: 2,5 bar × 100 = 250 kPa, e 250 kPa ÷ 1.000 = 0,25 MPa. A referência da pressão (manométrica ou absoluta) não muda ao longo da conta.
Para ir no sentido contrário, divida. Para converter 350 kPa em kgf/cm², divida por 98,0665:
Se o par de unidades não estiver na tabela, converta primeiro para kPa e depois para a unidade de destino. De kgf/cm² para psi, multiplique por 98,0665 para obter kPa e depois divida por 6,894757.
Anote o valor original, a unidade e cada resultado intermediário, em vez de converter de cabeça. Assim um colega consegue conferir a conta.
Se você colocar a tabela em uma planilha, deixe o número e a unidade em células separadas e guarde a entrada original. Depois teste cada fórmula com um valor fácil: 1 MPa deve resultar em 1.000 kPa, e 1 bar em 100 kPa. Esse teste pega rápido um fator usado de cabeça para baixo ou um ×1.000 aplicado duas vezes.
Mantenha os fatores completos durante o cálculo e arredonde só no fim, de acordo com a resolução do instrumento e a finalidade. Os valores de entrada dos exemplos, como 350 ou 0,7, são ilustrativos. Eles não indicam os algarismos significativos nem a incerteza de uma medição real.
O que significa "kiro" no chão de fábrica japonês
Em fábricas japonesas ainda se ouve "nan-kiro?" (quantos quilos?) ao falar de pressão. Nessa frase, "kiro" costuma ser abreviação de kgf/cm². O problema é que kPa também se lê "kiro-pasukaru" (quilopascal). Um número dito sem unidade pode, então, ter dois significados que diferem por um fator de cerca de 98.
No Brasil acontece algo parecido: é comum falar em "quilos" para kgf/cm² e em "libras" para psi. A regra vale nos dois países: só trate o "quilo" como kgf/cm² depois de confirmar.
O "f" de kgf vem de force (força). Um quilograma-força é o peso de uma massa de 1 kg sob a gravidade padrão: 1 kgf = 9,80665 N. Abreviar kgf/cm² para "kg" ou "kg/cm²" apaga a diferença entre massa, força e pressão.
A Figura 1 mostra de onde vem o fator 98,0665. Converta a força para newtons e a área para metros quadrados, e o resto sai da conta.
Figura 1: Por que 1 kgf/cm² equivale a 98,0665 kPa
Converta a força do numerador para newtons e a área do denominador para metros quadrados.
É na conversão de área que mais se erra. Um metro tem 100 cm, mas 1 m² é 100 cm × 100 cm = 10.000 cm², e portanto 1 cm² é 0,0001 m². A conversão usa a gravidade padrão definida. Não se substitui pela gravidade local da sua planta.
"1 quilo é cerca de 0,1 MPa": serve só para estimativas
Tratar 1 kgf/cm² como 0,1 MPa ajuda a ter uma noção da faixa de pressão. Mas 0,1 MPa é cerca de 1,97 % maior que 1 kgf/cm². Para pressões de teste e pontos de ajuste oficiais, use 98,0665.
Tome "sete quilos". Convertidos com exatidão, 7 kgf/cm² são 0,6864655 MPa, ou cerca de 0,69 MPa.
Ler esse valor como 0,7 MPa acrescenta 0,0135345 MPa. Ao transcrever valores de uma folha de ajustes antiga, registre como você arredondou.
O mesmo vale na troca de instrumentos. Um manômetro antigo com fundo de escala de 10 kgf/cm² cobre 0–0,980665 MPa, o que não é rigorosamente igual a um manômetro de 0–1 MPa. Compare a faixa física, não o número impresso no mostrador.
A pressão de ajuste de válvulas de segurança e a pressão máxima suportada pelo equipamento são especificadas à parte da pressão normal de operação. Leia-as na unidade e na referência indicadas na especificação aplicável. Deixe qualquer alteração para os responsáveis pelo equipamento.
Mais uma armadilha: o "10K" de um flange japonês é uma classe de pressão nominal da JIS, não uma pressão de 10 kgf/cm². Verifique a curva pressão–temperatura do flange na JIS B 2220, em vez de converter o número do "K".
Pa, kPa e MPa: o básico do SI
Pressão é a força perpendicular a uma superfície dividida pela área dessa superfície. Um pascal (Pa) é a pressão de uma força de 1 newton atuando de forma uniforme e perpendicular sobre 1 m². O newton (N) é unidade de força e o quilograma (kg) é unidade de massa. Nem a força sozinha nem a massa da carga definem a pressão.
Para a mesma força, quanto menor a área, maior a pressão. Dobrando a área, a pressão cai pela metade, como mostra a Figura 2.
Figura 2: Mesma força, áreas diferentes, pressões diferentes
Uma força de 100 N sobre uma área de 0,01 m² resulta em 10 kPa.
A largura do desenho não está em escala. O resultado é a pressão média sob a placa.
Se você conhece a pressão e a área, pode calcular a força. Uma diferença de pressão de 0,5 MPa atuando de forma uniforme sobre 10 cm² produz 500 N. Uma pressão "baixa" ainda pode empurrar com muita força uma superfície grande.
O pascal é pequeno para equipamentos industriais, por isso as especificações usam kPa e MPa. O k (quilo, ×1.000) e o M (mega, ×1.000.000) são prefixos do SI. kPa e MPa não são tipos diferentes de pressão, apenas lugares diferentes para a vírgula.
O h de hPa (hecto, ×100) é comum em previsões do tempo: 1 kPa = 10 hPa.
A Figura 3 escreve uma mesma pressão, 0,35 MPa, de quatro formas. Quanto menor a unidade, maior o número.
Cada degrau para baixo usa uma unidade menor, então o número fica maior.
Mudar a unidade não muda a pressão na tubulação. A escada vale tanto para pressão manométrica quanto para absoluta. Como referência, 0,35 MPa ≈ 50,8 psi.
Os símbolos de unidade distinguem maiúsculas de minúsculas. Escreva kPa, MPa e hPa, nunca KPa nem Mpa. Ao copiar valores entre desenhos e planilhas, copie também o símbolo da unidade exatamente como está. Só isso evita muitos erros por fator de 1.000.
bar, atm e psi: parecidos, mas não iguais
Um bar é 100 kPa e uma atmosfera padrão (atm) é 101,325 kPa. Tratar "1 atmosfera" como "1 bar" deixa uma diferença de 1,325 kPa, que pesa em trabalhos com vácuo e em cálculos de precisão.
A atm é um valor fixo e definido. Ela não é a pressão atmosférica do seu local hoje, que muda com o clima e a altitude. Converter pressão manométrica em absoluta nem sempre significa somar exatamente 1 atm.
O psi é a pressão de uma libra-força sobre uma polegada quadrada. Em equipamentos americanos você verá psig e psia: o g indica manométrica (gauge) e o a indica absoluta. Leia essa letra junto com o número.
Da mesma forma, uma especificação de 0,5 MPa equivale a 5 bar ou cerca de 72,5 psi, na mesma referência. Se você somar a pressão atmosférica a 0,5 MPa antes de converter, terá calculado outra grandeza.
Quando só um dos dois documentos marca os valores com G ou abs, alinhe as referências antes de comparar qualquer coisa. Unidades iguais com referências diferentes continuam dando uma comparação errada. Leia também as notas de rodapé e as condições de ensaio do catálogo.
Pressão manométrica e absoluta: MPaG, MPaA, psig e psia
A pressão manométrica (também chamada de relativa ou efetiva) usa como zero a pressão do ambiente, normalmente a atmosfera. A pressão absoluta usa o vácuo perfeito como zero. Se você medir a mesma tubulação das duas formas, as leituras diferem pela pressão atmosférica.
Especificações japonesas podem marcar a referência com um sufixo. A tabela abaixo relaciona as notações comuns às usadas fora do Japão.
| Referência | Documentos japoneses | Brasil / EUA / outros | Ponto zero |
|---|---|---|---|
| Manométrica | MPaG, kPaG | kPa (g), bar (g), psig | Pressão ambiente (atmosférica) |
| Absoluta | MPaA, MPa abs | kPa (a), bar (a), psia | Vácuo perfeito |
| Diferencial | kPa (diferencial), ΔP | psid, ΔP | O outro ponto de medição |
O G e o A são rótulos, não prefixos do SI. Um registro formal pode simplesmente dizer "pressão manométrica de 0,7 MPa". Se um documento japonês trouxer MPa sem sufixo, não presuma nenhuma das referências. Pergunte.
A Figura 4 mostra os dois pontos zero. Com a atmosfera em 101,325 kPa, uma pressão manométrica de 700 kPa equivale a uma pressão absoluta de 801,325 kPa.
Figura 4: Duas pressões, dois pontos zero
Com a atmosfera em 101,325 kPa, 700 kPa manométricos equivalem a 801,325 kPa absolutos.
Apenas esquemático; os espaçamentos não estão em escala. A seta azul parte do vácuo perfeito e a seta laranja, da pressão atmosférica, até o ponto medido.
Mudar a unidade é multiplicar ou dividir. Mudar a referência é somar ou subtrair a pressão atmosférica. Coloque primeiro os dois valores na mesma unidade e só então some ou subtraia, para nunca somar um valor em kPa a um valor em MPa.
Por exemplo, o vapor de uma caldeira a 0,7 MPaG corresponde a cerca de 0,8 MPaA. As tabelas de vapor geralmente listam pressão absoluta, então confira qual referência a coluna de pressão da tabela usa.
Se você digitar um valor manométrico em uma tabela de vapor absoluta, estará consultando vapor em outro estado. Entalpia e outras propriedades dependem desse estado, então a referência precisa coincidir, assim como a unidade.
Vácuo e pressão diferencial
Onde a pressão está abaixo da ambiente, a leitura manométrica é negativa. Com pressão ambiente de 101,325 kPa, −80 kPa manométricos são 21,325 kPa absolutos. A pressão absoluta em si nunca fica abaixo de zero.
Equipamentos de vácuo podem mostrar uma pressão absoluta baixa ou uma pressão manométrica negativa. Em equipamentos como condensadores de vapor, nos quais o estado de operação é avaliado pela leitura, o rótulo abs ou G é essencial.
Pressão diferencial é a diferença entre dois pontos quaisquer, não apenas entre um ponto e a atmosfera. Com 0,60 MPaG a montante e 0,55 MPaG a jusante, a diferença é 0,05 MPa (50 kPa). Somar a mesma pressão atmosférica aos dois valores não altera a diferença.
Se os dois pontos tiverem alturas ou velocidades de escoamento diferentes, nem toda a diferença de pressão estática medida é perda por atrito. Evite também subtrair valores tomados em momentos diferentes ou com referências diferentes. Em filtros e tubulações, registre a pressão diferencial na mesma condição de operação e com o mesmo par de pontos, para poder comparar tendências.
Colunas de água e de mercúrio: mmAq, mmca, mmH₂O, mmHg e Torr
Em documentos japoneses mais antigos, pressões pequenas (como a de ventiladores ou a de tiragem) podem aparecer em coluna d'água: mmAq ou mmH₂O. No Brasil, a mesma unidade é o mmca (milímetro de coluna d'água). O "Aq" vem de aqua, e todos esses rótulos designam a mesma unidade. O valor convencional é 1 mmH₂O = 9,80665 Pa, então 1 kPa ≈ 102 mmca.
O equivalente americano é a polegada de coluna d'água (inH₂O). A polegada d'água convencional vale 249,0889 Pa, ou 25,4 mmH₂O, então 1 kPa ≈ 4,01 inH₂O e 100 mmca ≈ 3,94 inH₂O.
Cuidado com a temperatura. O NIST lista fatores separados para a polegada d'água a 39,2 °F (249,082 Pa), a 60 °F (248,84 Pa) e o valor convencional. Ele separa também a coluna d'água a 4 °C da convencional. Se o documento citar a temperatura da água, use o fator dessa condição.
Profundidade real de água x a unidade
A unidade convencional pressupõe densidade de 1.000 kg/m³ e gravidade padrão. Para transformar uma profundidade real de água em pressão, use a densidade e a gravidade reais. Água quente e outros líquidos têm densidade diferente, então 1 m de líquido nem sempre dá a mesma pressão.
A Figura 5 mostra um tanque aberto com 5 m de água. A pressão manométrica no fundo é de cerca de 49,0 kPa.
Figura 5: Em tanque aberto, a profundidade define a pressão
Com densidade de 1.000 kg/m³ e 5 m de água, a pressão manométrica no fundo é de cerca de 49,0 kPa.
Apenas líquido em repouso. Variações de pressão causadas por bombas ou pelo escoamento não estão incluídas.
Nas mesmas condições, 10 m de água dão cerca de 98,1 kPa. Daí vem a regra de chão de fábrica "10 metros de coluna d'água são cerca de 0,1 MPa". Em um tanque fechado, some à parcela da profundidade qualquer pressão que atue sobre a superfície do líquido.
A altura manométrica de uma bomba expressa a energia dada ao fluido como uma altura de líquido. Mantenha altura manométrica e pressão separadas e, ao ler a curva de uma bomba, confira a densidade do líquido e as condições de operação.
Em um manômetro de tubo em U, leia a diferença entre os dois níveis do líquido, não a profundidade de um dos lados.
mmHg, Torr e inHg
O torr é 1/760 de uma atmosfera padrão: 1 Torr = 101.325/760 Pa. No Decreto japonês das unidades de medida (Keiryo Tan'i-rei), o mmHg usado para pressões dentro do corpo e para pressão arterial tem o mesmo valor. Em termos legais japoneses, portanto, 1 mmHg = 1 Torr.
O mmHg convencional usado em muitas referências de fora do Japão é calculado a partir de uma densidade de mercúrio definida e da gravidade padrão. Ele vale cerca de 133,322387 Pa, enquanto o torr vale cerca de 133,322368 Pa. Na conversão industrial do dia a dia a diferença não aparece em seis dígitos, então 1 mmHg ≈ 0,133322 kPa serve. Em calibração de precisão, siga a definição do documento.
Unidades definidas e colunas de mercúrio reais também são coisas diferentes. Ler 760 mm em uma coluna de mercúrio real envolve a temperatura do mercúrio e a gravidade local, então medir uma coluna é uma tarefa separada de converter uma unidade. Para vacuômetros americanos em polegadas de mercúrio, use 1 inHg ≈ 3,386 kPa (convencional).
Por exemplo, 20 Torr absolutos são cerca de 2,66645 kPa absolutos. Converter isso para pressão manométrica significa subtrair a pressão ambiente, o que é um passo separado da mudança de unidade.
Desenhos japoneses antigos, a Lei de Metrologia do Japão e a situação no Brasil
A Lei de Metrologia revisada do Japão (Keiryo-ho) entrou em vigor em 1º de novembro de 1993. Ela levou ao SI as unidades usadas em transações comerciais e certificações. As unidades fora do SI tiveram prazos de transição que terminavam em 30 de setembro de 1995, 1997 ou 1999, conforme a unidade. Para kgf/cm² e outras unidades de pressão baseadas em kgf, e para metros de mercúrio e de água, o prazo foi 30 de setembro de 1999.
É por isso que desenhos e manômetros anteriores à transição podem mostrar kgf/cm². Um comunicado de 1997 da Agência de Gestão de Incêndios e Desastres do Japão (FDMA) explica a transição assim:
- Unidades fora do SI que foram excluídas não podem mais ser usadas em transações comerciais nem em certificações.
- Equipamentos e instrumentos marcados nessas unidades antes do prazo podem continuar em uso se não forem alterados, mas os valores usados em transações ou certificações precisam ser convertidos para o SI.
- Um instrumento com escala fora do SI não precisa ser trocado na ocasião de um reparo, mas o certificado de reparo deve trazer valores em SI.
As unidades legais do Japão não coincidem com a lista de unidades do SI. O bar e a atmosfera continuam sendo unidades legais no Japão, então um valor em bar não é, por si só, um problema legal.
As unidades torr, de coluna de mercúrio e de coluna d'água são legais apenas para medir pressão dentro do corpo, e o mmHg é definido à parte para a pressão arterial. Nenhuma dessas permissões autoriza o uso livre em transações ou certificações industriais em geral.
No Brasil, a Resolução Conmetro nº 12/1988 adota o Quadro Geral de Unidades de Medida. Nele o pascal é a unidade de pressão do SI, e atm, bar e mmHg aparecem entre as unidades fora do SI admitidas. Segundo um artigo da revista da SOPTERJ, o quadro não cita psi, kgf/cm² nem cmH₂O.
Na prática, isso sugere escrever documentos novos em Pa, kPa ou MPa e manter kgf/cm² ou psi como informação complementar, quando o manual ou o fornecedor os usar. Esta é uma leitura técnica, não um parecer jurídico. Em caso de dúvida sobre certificados ou documentos oficiais, consulte o Inmetro ou o responsável pela metrologia da empresa.
Em equipamentos sujeitos à NR-13 (caldeiras, vasos de pressão, tubulações e tanques metálicos de armazenamento), dados como a PMTA e a pressão de ajuste das válvulas de segurança vêm do projeto e do prontuário do equipamento. A conversão de unidades não substitui esses dados. Confirme o valor e a unidade com o fabricante e com o profissional habilitado.
Ao copiar um valor antigo para uma especificação atual, mantenha o original e acrescente o valor convertido e o fator. Uma anotação como "Desenho antigo: 7 kgf/cm²; convertido: 0,6864655 MPa" permite verificar depois se o valor foi arredondado ou se o ajuste mudou.
Registro de pressão: valor, unidade, referência e local

"A pressão é 7" não diz nem a unidade nem onde foi medida. Registre juntos o valor, a unidade, a referência e o ponto de medição, e a mesma informação vai do manômetro ao relatório.
A Figura 6 transforma um "sete quilos" dito em voz alta em um registro completo. Confirme primeiro a unidade original e depois escreva neste formato.
Figura 6: Transformando "sete quilos" em um registro de medição
Confirme o que o valor falado significava e depois registre-o por completo.
- Original
- 7 kgf/cm²
- Referência
- Manométrica
- Convertido
- ≈ 0,686 MPaG (≈ 99,6 psig)
- Local
- Manômetro na saída do reservatório de ar
- Condição
- Sob carga; horário registrado
Tire a unidade do mostrador do manômetro ou da especificação e confirme se é manométrica ou absoluta. Converta mantendo o valor original. Depois compare com registros anteriores no mesmo ponto e com a mesma carga, para separar uma mudança de unidade de uma mudança real na operação.
Faixas de transmissores e sinais de 4–20 mA
Se um transmissor de pressão e o painel de comando divergem, verifique a faixa de entrada além da unidade. Um sinal de 4–20 mA associa os valores inferior e superior da faixa à corrente, então uma nova faixa muda o que a mesma corrente significa.
Uma faixa de 0–1 MPa e uma de 0–1.000 kPa são iguais se a referência for a mesma. Já reescalar para 0–10 bar é uma operação diferente de passar de manométrica para absoluta, porque o ponto zero só se desloca no segundo caso.
Em um transmissor calibrado de 0–1 MPa para 4–20 mA, 12 mA é 50 % do span: 0,5 MPa, ou 500 kPa. Mudar a unidade do display não muda a pressão que os 12 mA representam.
Se só o transmissor for trocado por um modelo de 0–2 MPa, 12 mA passam a significar 1 MPa. Um receptor ainda configurado com a faixa antiga mostrará 0,5 MPa, e nenhuma conversão de unidade corrige isso.
Na planilha de comparação antes e depois da troca, registre os limites da faixa e a referência junto com a unidade do display. Conferir tanto o instrumento de campo quanto o painel mostra se a divergência é erro de conversão, erro de faixa ou mudança real na operação.
Resolução e exatidão passam pela conversão
Defina o número de algarismos pela exatidão e pela finalidade da medição. Mais casas decimais no fator não tornam mais exata a leitura de um manômetro de escala grosseira.
Se a menor divisão for 0,01 MPa, a divisão convertida é 10 kPa. Escrever o resultado com 1 kPa de resolução alega uma resolução que a leitura original nunca teve.
Quando F.S. (full scale, fundo de escala) significa a amplitude da faixa, ±1 % F.S. não é 1 % da leitura. Em um manômetro de 0–1 MPa, isso é ±0,01 MPa, ou seja, ±10 kPa ou cerca de ±1,45 psi.
Esse valor vale nas condições especificadas. Efeitos de temperatura e dígitos do display podem constar à parte. Quando você soma uma pressão atmosférica medida para obter a pressão absoluta, a incerteza dessa medição também entra no resultado.
Por fim, o valor máximo da escala de um manômetro e a pressão máxima de trabalho admissível do equipamento são informações diferentes. Um manômetro que lê até 1,6 MPa não significa que o equipamento possa operar a 1,6 MPa. Qualquer alteração de ajuste ou de pressão de operação deve seguir os procedimentos da própria planta.
Checklist para valores de pressão japoneses
Percorra estes pontos sempre que um valor de pressão vier de uma placa, desenho, folha de dados ou telefonema japonês.
- Unidade: MPa, kPa, kgf/cm² (ou "kg/cm²"), bar, mmAq, mmHg ou Torr. Trate um "kiro" falado como não confirmado até vê-lo por escrito.
- Referência: G (manométrica), A ou abs (absoluta) ou diferencial. Sem sufixo, você ainda precisa perguntar.
- Tipo de valor: pressão de operação, de projeto, máxima de trabalho admissível, de ajuste ou de teste. São números diferentes.
- Conversão: fator exato usado (98,0665 para kgf/cm²), valor original mantido, arredondamento registrado.
- Colunas de água ou de mercúrio: unidade convencional ou temperatura especificada.
- Instrumentos: faixa, unidade da escala, escalonamento de 4–20 mA e exatidão (% F.S. ou % da leitura).
- Flanges e conexões: o número com "K" é uma classe de pressão JIS, não um valor de pressão.
- Revisão do desenho: desenhos antigos ainda podem mostrar kgf/cm² quando os documentos novos usam MPa.
Perguntas para o seu fornecedor japonês
Se algum item do checklist estiver pouco claro, pergunte por escrito. Estas perguntas cobrem a maioria dos casos.
- Este valor é pressão manométrica ou absoluta? Pode marcá-lo como MPaG ou MPaA?
- Onde o desenho diz "kg/cm²" ou kgf/cm², podemos ler como kgf/cm² (1 kgf/cm² = 0,0980665 MPa)?
- Este valor é a pressão de operação, de projeto, máxima de trabalho admissível, de ajuste ou de teste?
- Para valores em mmAq ou mmH₂O, trata-se da coluna d'água convencional ou de água a uma temperatura especificada?
- Qual é a faixa do transmissor, o escalonamento de 4–20 mA e a referência?
- O valor em MPa foi convertido de um valor antigo em kgf/cm²? Se sim, como foi arredondado?
- Qual documento prevalece se a placa, o desenho e a folha de dados divergirem?
Modelo de e-mail
Você pode copiar e adaptar a mensagem abaixo. Se o fornecedor trabalha em inglês, envie a versão em inglês. As perguntas numeradas facilitam a resposta ponto a ponto.
Prezado(a) [Nome],
Agradecemos os documentos do [equipamento, modelo, nº de série]. Para evitar erros na nossa instalação e nos ajustes, pedimos que confirmem os seguintes valores de pressão:
- Desenho [nº], rev. [ ]: "[valor como escrito, p. ex. 7 kg/cm²]". A unidade é kgf/cm²? É pressão manométrica ou absoluta?
- Placa de identificação: "[valor, p. ex. 0,69 MPa]". É manométrica (MPaG) ou absoluta (MPaA)? É a pressão de operação, de projeto ou máxima de trabalho admissível?
- Folha de dados: "[valor] mmAq". É a coluna d'água convencional (1 mmAq = 9,80665 Pa)?
- Transmissor [TAG]: por favor, confirmem a faixa, o escalonamento de 4–20 mA e a referência.
Os valores que convertemos são [valores em psig / bar / kgf/cm²]. Avisem-nos se algum estiver incorreto.
Atenciosamente,
[Seu nome]
Onde este guia não se aplica
Este guia trata de conversão de unidades e notação. Ele não cobre estas situações:
- Os valores nominais de vasos de pressão, caldeiras, tubulações e válvulas de segurança vêm das normas aplicáveis e do projetista do equipamento. Confirme-os com o fornecedor e com o profissional responsável, em vez de converter e ajustar valores por conta própria.
- Os hábitos de notação variam conforme a empresa, o setor e a idade do documento. Os sufixos mostrados aqui são comuns, não universais.
- Calibração de precisão exige a definição exata usada no documento de calibração, incluindo as bases de temperatura da água e do mercúrio.
- As regras sobre quais unidades podem constar em certificados mudam de país para país. As regras japonesas citadas aplicam-se a transações e certificações no Japão. Para o Brasil, confirme com o Inmetro ou com o responsável pela metrologia da empresa.
Resumo
- 1 MPa = 1.000 kPa = 10 bar ≈ 145,0 psi. O pascal é a unidade do SI: 1 N sobre 1 m².
- 1 kgf/cm² = 98,0665 kPa ≈ 14,22 psi. Um "kiro" ou "quilo" falado costuma significar kgf/cm², mas confirme por escrito.
- 1 bar = 100 kPa e 1 atm = 101,325 kPa. Os números são próximos, mas as unidades não são iguais.
- Converter unidade é multiplicar. Para ir de manométrica a absoluta, some a pressão atmosférica. Para voltar, subtraia. MPaG e MPaA correspondem a psig e psia.
- mmAq é o mesmo que mmca e mmH₂O (9,80665 Pa). Em trabalhos de precisão, confira a base de temperatura de inH₂O e mmHg.
- Registre juntos valor, unidade, referência e ponto de medição, mantenha o valor original e arredonde só no fim.
Perguntas frequentes
Como converter kgf/cm² em MPa?
Multiplique por 0,0980665. Por exemplo, 7 kgf/cm² × 0,0980665 = 0,6864655 MPa, cerca de 0,69 MPa. Para ir de MPa a kgf/cm², multiplique por aproximadamente 10,197.
Como converter kgf/cm² em psi?
Multiplique por aproximadamente 14,223 (98,0665 ÷ 6,894757). Por exemplo, 10 kgf/cm² ≈ 142,2 psi. A referência se mantém: kgf/cm² manométrico vira psig.
Qual é a diferença entre MPaG e MPaA?
MPaG é pressão manométrica, medida a partir da atmosfera ao redor, como o psig. MPaA é pressão absoluta, medida a partir do vácuo perfeito, como o psia. Com pressão ambiente de 101,325 kPa, MPaA = MPaG + 0,101325.
1 kgf/cm² é o mesmo que 1 bar ou 0,1 MPa?
Não. 1 kgf/cm² vale 0,980665 bar ou 0,0980665 MPa, então 1 bar (0,1 MPa) é cerca de 1,97 % maior. O atalho serve para estimativas, mas use o fator exato em pontos de ajuste e pressões de teste.
0 MPaG significa vácuo?
Não. Pressão manométrica zero significa que a pressão é igual à do ambiente. Na escala absoluta, equivale à pressão atmosférica naquele momento, cerca de 0,1 MPaA (14,7 psia) em condições padrão.
Fontes
- Fatores de conversão: NIST SP 811, Apêndice B.9, Factors for units listed by kind of quantity
- Temperatura, densidade e gravidade em colunas de líquido: NIST, Pressure and Vacuum Measurements
- mmHg convencional: WMO Codes Registry, mmHg
- Unidades e prefixos do SI: NMIJ/AIST, Sistema Internacional de Unidades, 9ª edição (em japonês)
- Unidades legais do Japão: Decreto das Unidades de Medida (em japonês), Lei de Metrologia (em japonês)
- Transição para o SI e prazos: Agência de Gestão de Incêndios e Desastres do Japão, comunicado de 1997 sobre unidades SI em equipamentos de proteção contra incêndio (em japonês)
- Unidades legais no Brasil: Resolução Conmetro nº 12/1988, Quadro Geral de Unidades de Medida; unidades de pressão (psi, kgf/cm²) fora do quadro: revista SOPTERJ, 2005
- Pressão manométrica e absoluta: Nagano Keiki, pressão manométrica x absoluta (em japonês); psig e psia: Fluke, PSI vs PSIG vs PSIA (em inglês)
- Exatidão em % F.S.: Nagano Keiki, % F.S. e dígitos (em japonês)
- Conversão de unidades de pressão: Panasonic, conversão de unidades de pressão (em japonês)
- Tabelas de vapor: TLV, como ler tabelas de vapor (em japonês)
Artigo original em japonêsEste guia se baseia em um artigo do MONOSCOPE escrito para leitores no Japão: 圧力の単位換算表|kPa・MPa・kgf/cm²と「キロ」の違い


