Pirômetro óptico: princípio e erro de emissividade

O registro de inspeção do forno de um fornecedor japonês descreve o instrumento como hikari koonkei (光高温計, pirômetro óptico) e a leitura como kido ondo (輝度温度, temperatura de brilho): por exemplo, "1.000 °C". A folha de processo pede a temperatura real do aço, e o seu termômetro infravermelho portátil mostra outro valor. Os dois instrumentos podem estar funcionando corretamente.
A temperatura de brilho não é a temperatura verdadeira da superfície. É a temperatura que um corpo negro perfeito precisaria ter para parecer igualmente brilhante no comprimento de onda do instrumento. Em uma superfície com emissividade menor que 1, e quando a radiação refletida pode ser desprezada, a leitura fica abaixo da temperatura verdadeira.
Este guia explica como funciona o pirômetro óptico de filamento desaparecente e como ele difere dos termômetros infravermelho e bicolor (de razão). Mostra também onde emissividade, janelas de observação, fumaça e reflexos deslocam a leitura. No final há um checklist e um modelo de e-mail para o lado japonês.
Sumário
- O que é um pirômetro óptico?
- Como funciona o pirômetro de filamento desaparecente
- Temperatura de brilho vs. temperatura verdadeira
- Vantagens e limites dos pirômetros ópticos
- Calibração e rastreabilidade
- Quando as leituras divergem: isolando a causa
- Checklist e perguntas para o lado japonês
- Limites deste guia
- FAQ
- Fontes
O que é um pirômetro óptico?
O pirômetro óptico determina a temperatura de um objeto quente a partir da radiação térmica que ele emite, sem tocá-lo. É um tipo de termômetro de radiação (hosha ondokei, 放射温度計). O modelo visual clássico é o de filamento desaparecente (senjo shoshitsu-gata, 線条消失形), que usa o olho do operador como detector de comparação.
O operador sobrepõe a imagem do alvo ao filamento de uma lâmpada dentro do instrumento. Em seguida, ajusta a corrente da lâmpada até os dois parecerem igualmente brilhantes em uma faixa estreita de vermelho, e o instrumento converte essa corrente em temperatura. O filamento é apenas o fio fino da lâmpada que brilha quando a corrente passa por ele.
Outros termômetros de radiação, como os infravermelhos com detector eletrônico, também usam a radiação do alvo. O que muda é a faixa de comprimentos de onda medida, a forma de detectá-la e o modo como a leitura é produzida.
Onde é usado: alvos quentes e incandescentes
O pirômetro óptico visual precisa de um alvo quente o bastante para brilhar com intensidade na luz visível. Os alvos típicos são metal fundido, material dentro de um forno e fio ou barra aquecidos, sempre que houver linha de visada livre até o alvo.
Como exemplo, o IR-URN da CHINO Corporation é um pirômetro de filamento desaparecente com display digital. Ele mede em 0,65 µm e cobre de 700 a 3.500 °C em três faixas selecionáveis. Esses valores pertencem a esse modelo e não são a faixa de todo pirômetro óptico.
O instrumento lê temperaturas tão altas porque só recebe a luz do alvo, e ele próprio não precisa chegar a essa temperatura. Ele ainda tem a sua faixa de temperatura ambiente de operação, e uma faixa de medição alta não significa que possa ficar diante da abertura do forno absorvendo calor radiante.
Há modelos portáteis a bateria, que permitem trocar de ponto de medição no chão de fábrica. Nesse uso, escolha posições em que seja possível repetir a mesma distância e a mesma direção de visada, para comparar a leitura de hoje com a anterior.
No aço, a qualidade depende também do tempo de permanência e do resfriamento, além da temperatura de aquecimento. Ao controlar tratamentos térmicos como têmpera e revenimento, mantenha a leitura pontual da superfície separada da verificação das condições do processo como um todo.

Pirômetro óptico, infravermelho e bicolor
Um termômetro de radiação típico com detector eletrônico, como o infravermelho portátil, processa o sinal do detector e exibe uma temperatura. No pirômetro visual de filamento desaparecente, uma pessoa mira o alvo, ajusta a corrente da lâmpada e julga quando o brilho coincide.
O display digital não muda isso. Se a igualação do brilho ainda é feita a olho, a etapa de julgamento humano continua, então trate "leitura digital" e "detecção automática" como duas características separadas.
O termômetro bicolor (nishoku ondokei, 二色温度計), também chamado de pirômetro de razão, usa a razão entre a radiação medida em duas faixas de comprimento de onda. Comparar um filamento com um alvo não é "medir duas cores", portanto não trate o pirômetro de filamento desaparecente como instrumento bicolor. A Figura 1 compara as principais abordagens.
Sem contato não quer dizer um único método de detecção. Aqui, "pirômetro óptico" é o tipo visual de filamento desaparecente.
| Método | O que recebe | Como chega à temperatura | Principais condições a verificar |
|---|---|---|---|
| Termômetro de contato | Calor conduzido do alvo ao elemento sensor | Converte tensão termoelétrica, resistência etc. em temperatura | Inserção, contato térmico, tubo de proteção, cabeamento |
| Pirômetro óptico visual | Radiação visível do alvo | Iguala o brilho ao do filamento e lê a partir da corrente calibrada | Pontaria, foco, julgamento da igualação, emissividade |
| Termômetro de radiação eletrônico (ex.: infravermelho) | Radiação na faixa definida pela especificação | Processa o sinal do detector e exibe ou envia a saída | Campo de visão, tamanho do alvo, emissividade, caminho óptico |
| Termômetro bicolor (de razão) | Radiação em duas faixas de comprimento de onda | Calcula a partir da razão entre os dois sinais | Razão de emissividades nos dois comprimentos de onda, transmissão do caminho |
Os instrumentos bicolor também exigem verificação da emissividade e do caminho óptico. Usar dois comprimentos de onda não elimina o erro em todo tipo de alvo.
A KELLER, fabricante de pirômetros, explica onde os instrumentos de razão ajudam e onde não:
- Onde ajudam: poeira, fumaça ou uma janela suja que enfraquecem todos os comprimentos de onda por igual mantêm a razão, e portanto a leitura, estável.
- A premissa: a leitura só é igual à temperatura verdadeira quando a emissividade é a mesma nos dois comprimentos de onda. A KELLER observa que isso raramente acontece na prática.
- Onde podem ir pior: se a emissividade difere entre os dois comprimentos de onda e oscila, o erro pode superar o de um pirômetro de um só comprimento de onda, principalmente em metais não ferrosos.
Como funciona o pirômetro de filamento desaparecente
Para entender o princípio, separe duas fontes de luz: a luz que vem do alvo e a luz que o próprio instrumento produz. O pirômetro não transforma a temperatura do alvo diretamente em corrente. Em vez disso, o operador ajusta a corrente de uma lâmpada de comparação.
A lente objetiva forma uma imagem do alvo no mesmo plano do filamento da lâmpada. Olhando por um filtro e pela ocular, o operador compara os dois níveis de brilho no mesmo campo de visão.
O filtro vermelho restringe a comparação a uma faixa pequena de comprimentos de onda vermelhos. Comparar o brilho em uma faixa fixa, em vez de julgar se a cor geral parece semelhante, é o que liga a leitura à temperatura.
Os instrumentos reais têm também filtros que reduzem a luz para mudar de faixa. A Figura 2 mostra apenas a relação entre a imagem e a comparação; confira os filtros reais e suas posições no projeto óptico de cada instrumento.
Dois raios representativos vão do topo do alvo ao plano do filamento. A linha azul tracejada mostra só o lado da ocular; não é um traçado de raios.
O próprio filamento brilha e é visto junto com a imagem do alvo. A escolha da faixa vermelha e a redução de luz são funções ópticas da medição; a figura não indica que o filtro substitui a proteção ocular.
Filamento escuro, desaparecido e brilhante
Quando a corrente do filamento é baixa e ele está mais escuro que o alvo, você vê uma linha escura sobre um fundo brilhante. Ao aumentar a corrente, o filamento clareia e o contraste com o fundo diminui.
Se a corrente for alta demais, o filamento fica mais brilhante que o alvo e aparece como uma linha clara. Nesse caso, reduza a corrente e procure o ponto de igualação entre os ajustes escuro e brilhante.
Quando alvo e filamento têm o mesmo brilho, a borda do filamento fica difícil de distinguir contra o alvo. Esse é o "filamento desaparecente". A lâmpada continua acesa e nada desaparece fisicamente.
Ajuste a ocular e o foco sobre o alvo para facilitar a comparação. Com a imagem desfocada, ou com o filamento sobre a borda do alvo, a própria igualação deixa de ser confiável. A Figura 3 mostra as três vistas.
O brilho do alvo é mantido constante. A linha curva em cada vista é o mesmo filamento.
Cores e espessuras de linha são ilustrativas. Na vista central a lâmpada continua acesa; o filamento apenas se confunde com o fundo.
Por que a corrente da lâmpada se converte em temperatura
Aumentar a corrente muda a temperatura e a radiação do filamento, mas isso sozinho não informa a temperatura do alvo. O instrumento precisa de uma calibração que relacione a corrente de igualação à temperatura de brilho.
Na calibração, o laboratório usa uma lâmpada padrão ou um corpo negro de temperatura de brilho conhecida e encontra a corrente em que o filamento do instrumento coincide com ela. A escala do instrumento, ou a conversão interna, usa essa relação para indicar a temperatura.
Se a lâmpada ou o sistema óptico mudarem, a mesma corrente pode produzir uma aparência diferente. Na manutenção, mantenha separadas duas verificações: "o filamento acende" e "a leitura concorda com uma referência".
A lâmpada com a qual você compara durante a medição e a lâmpada padrão usada na calibração têm funções diferentes. A calibração liga a indicação de temperatura, obtida pela corrente da lâmpada de comparação, a uma referência: lâmpada padrão ou corpo negro.
0,65 µm não é o pico da radiação térmica
À medida que um objeto esquenta, sua radiação térmica na faixa visível aumenta até que se possa vê-lo brilhar em vermelho. O pico do espectro de um corpo negro se desloca para comprimentos de onda menores quando a temperatura sobe, mas um objeto que acabou de começar a brilhar não está emitindo com máxima intensidade na faixa visível.
A lei do deslocamento de Wien dá o pico aproximado da radiância espectral de um corpo negro por unidade de comprimento de onda. Com o comprimento de onda em µm e a temperatura termodinâmica em K, a constante é cerca de 2.898 µm·K.
Para um corpo negro a 700 °C, o pico fica em cerca de 2,98 µm, bem dentro do infravermelho. O pirômetro ainda consegue comparar o brilho na faixa visível, então trate o comprimento de onda do pico e o comprimento de onda de medição do instrumento como coisas distintas.
Do mesmo modo, 650 nm (0,65 µm) não significa que o filtro se desloca em direção ao pico quando a temperatura muda. O modelo do exemplo usa uma faixa vermelha em 0,65 µm, mas o comprimento de onda efetivo depende do filtro, da sensibilidade do olho e de outros fatores. A Figura 4 coloca esses valores em um só eixo.
O eixo de comprimento de onda é linear. Os pontos marcam as posições calculadas dos picos, não a intensidade da radiação.
A largura da faixa vermelha é ilustrativa e não é a banda passante real de nenhum modelo. A comparação dos picos ignora mudanças na distribuição espectral causadas pela emissividade.
Temperatura de brilho vs. temperatura verdadeira
A temperatura de brilho (kido ondo) é a temperatura de um corpo negro que pareceria exatamente tão brilhante quanto o alvo em um dado comprimento de onda. O corpo negro é um objeto ideal que absorve toda a radiação incidente e serve de referência para comparar a radiação térmica de objetos reais à mesma temperatura.
Um alvo com emissividade (hosharitsu, 放射率) menor que 1 emite menos radiação que um corpo negro à mesma temperatura. Se os reflexos do ambiente puderem ser desprezados, a temperatura de brilho lida contra um corpo negro fica abaixo da temperatura verdadeira.
Se você aplicar uma correção de emissividade, use um valor adequado ao comprimento de onda de medição e ao estado da superfície. Não fixe o valor só pelo nome do material; verifique como carepa de óxido, rugosidade, temperatura e ângulo de visada o alteram.
Exemplo numérico: quanto a emissividade move a leitura
Pela aproximação de Wien, a temperatura de brilho e a temperatura verdadeira se relacionam pela equação que um texto de curso do IIT Madras chama de equação ideal do pirômetro, mostrada a seguir. Os números são fictícios e servem só para mostrar a ordem de grandeza do efeito.
O termo do comprimento de onda importa. Com o mesmo ε = 0,80 em um instrumento hipotético de 1,6 µm, a temperatura verdadeira por trás de uma leitura de 1.000 °C passa a ser cerca de 1.042 °C. Um comprimento de onda mais curto deixa a leitura menos sensível a um erro de emissividade, e a KELLER também recomenda pirômetros de comprimento de onda curto para metais.
Esse é também um dos motivos pelos quais um termômetro infravermelho e um pirômetro óptico podem discordar na mesma superfície, mesmo com os dois calibrados. Compare os comprimentos de onda e os ajustes de emissividade antes de suspeitar de defeito.
Leitura da superfície vs. temperatura interna
No aço opaco, o pirômetro óptico recebe radiação principalmente da superfície visível. Ele não consegue ler diretamente o centro de uma peça espessa nem a temperatura atrás de uma parede.
Durante o aquecimento, a superfície esquenta primeiro e o calor leva tempo para chegar ao núcleo. Uma leitura de superfície que atingiu o valor ajustado não significa que a peça esteja uniforme em toda a espessura.
Os termômetros de contato têm o mesmo problema: se forem colocados no ponto errado, não leem a temperatura de que você precisa. Na temperatura de fluidos, o comprimento de inserção e a resposta do poço termométrico (thermowell) levantam a mesma pergunta sobre onde o sensor realmente recebe calor.
Em materiais que transmitem luz, como o vidro, a radiação vinda de dentro ou de trás do alvo pode se misturar à medição. Não suponha que o pirômetro lê só a superfície de qualquer material; verifique se o alvo é opaco no comprimento de onda de medição.
O mesmo vale para tubulações isoladas: a temperatura do revestimento externo não é a temperatura do fluido interno. Tendo em mente a relação entre espessura do isolamento, perda de calor e temperatura de superfície, confirme que a superfície medida corresponde à temperatura que você precisa controlar.
Reflexos, janelas, fumaça e tamanho do alvo
Quando a radiação da parede do forno é refletida por um metal brilhante para dentro do instrumento, um componente refletido se soma à luz emitida pelo alvo. Nesse caso, não dá para supor simplesmente que emissividade baixa sempre produz leitura baixa. A Figura 5 separa os caminhos.
Separe a radiação própria do alvo, os reflexos do fundo e a janela e a fumaça no meio do caminho. Os dois caminhos foram deslocados para facilitar a leitura.
As setas só distinguem os caminhos; não mostram quantidades de radiação nem ângulos de reflexão em escala. Quanto a janela, a fumaça e o fundo afetam a leitura depende da absorção, da emissão e da intensidade de cada um.
Cada item do caminho precisa de sua própria verificação:
- Janela de observação: o que importa é quanta luz a janela deixa passar no comprimento de onda de medição. Uma janela que parece clara a olho nu não significa que o efeito dela na leitura possa ser ignorado. A KELLER descreve compensar uma perda conhecida da janela pelo ajuste de emissividade (valor ajustado no instrumento = emissividade do alvo × transmitância do caminho).
- Sujeira, embaçamento e depósitos: conforme se acumulam, a luz que chega do alvo muda e a leitura se desloca. A KELLER observa que depósitos na lente reduzem a leitura. Registre o estado da janela e o caminho de visada para distinguir isso de uma variação real de temperatura.
- Reflexo do fundo: sempre que possível, mire um ponto que a radiação da parede do forno não alcance.
- Alvos pequenos: a óptica do método visual pode ajudar, mas confirme que a área do alvo sob o filamento está bem visível e que a ampliação e a distância focal do instrumento são adequadas.
- Instrumentos eletrônicos: o alvo precisa preencher o campo de medição especificado. Não trate o ponto do laser de mira como a área de medição; confira o tamanho do alvo contra a relação distância-diâmetro de medição da especificação.
Vantagens e limites dos pirômetros ópticos
A principal vantagem é obter a temperatura pela radiação de uma peça quente sem colocar um sensor sobre ela. Você evita perturbar o alvo pelo contato e não expõe um sensor à própria alta temperatura.
Nos sensores de contato, a durabilidade depende do tipo de sensor, do tubo de proteção, da atmosfera e das condições de uso contínuo. Não dá para escolher por limites genéricos como "todo termopar vai até 2.000 °C" ou "toda termorresistência vai até 700 °C".
Uma temperatura que cai dentro da faixa do pirômetro óptico não o torna melhor que um sensor de contato. Escolha pelo ponto de medição de que precisa e pela forma como a medição será usada.
Medição pontual vs. monitoramento contínuo
A comparação visual serve para medições em que uma pessoa mira e julga a igualação. Se for preciso registrar continuamente temperaturas que mudam rápido e alimentar um controle automático, considere um instrumento eletrônico ou outro tipo que forneça a saída necessária.
Para controle PID, não se escolhe o instrumento só pela temperatura máxima. Resposta, taxa de atualização, saída e manutenção contra sujeira no caminho óptico precisam atender ao que a malha de controle exige.
Uma resolução fina no display não significa que a temperatura verdadeira é medida com a mesma finura. Vale o mesmo para instrumentos de contato, como os termômetros de quartzo: não julgue a qualidade da medição só pelo número de dígitos.
Ao comparar vários termômetros, primeiro confirme que eles medem o mesmo ponto nas mesmas condições. Um sensor de elemento duplo oferece dois canais de medição, mas não vai concordar automaticamente com uma leitura sem contato feita em outra superfície.
Calibração e rastreabilidade
A calibração determina a diferença entre o instrumento e uma referência. Mesmo um instrumento calibrado pode dar leituras diferentes em campo se o ponto de medição, a emissividade ou a janela de observação mudarem.
Alguns pontos ajudam a ler certificados japoneses de calibração de pirômetros:
- ITS-90 (EIT-90): acima do ponto de solidificação da prata (961,78 °C), a Escala Internacional de Temperatura de 1990 define a temperatura pela lei de radiação de Planck, tendo como referência o ponto de solidificação da prata, do ouro (1.064,18 °C) ou do cobre (1.084,62 °C). Acima desse ponto, a própria escala é realizada com termômetros de radiação.
- JCSS: o sistema japonês de calibração acreditada (Japan Calibration Service System) abrange termômetros de radiação. No Brasil, o papel mais próximo é o da Rede Brasileira de Calibração (RBC), coordenada pela Cgcre/Inmetro, mas não se deve tratá-los como equivalentes. Pergunte se a calibração é JCSS e se o certificado traz a marca ilac-MRA caso precise de aceitação internacional, e confirme com a sua área de metrologia como o certificado será aceito.
- ITS-90 ou temperatura termodinâmica: um comunicado de janeiro de 2020 do NITE informou aos laboratórios JCSS que o NMIJ (instituto nacional de metrologia do Japão) mudou seus padrões de termômetros de radiação de 960 °C a 2.800 °C para valores baseados na temperatura termodinâmica, e não na ITS-90. Pediu-se aos laboratórios que indicassem no certificado em qual base cada valor está; por isso, verifique essa linha.
- Faixa de calibração: não suponha que o erro nos pontos calibrados continue além deles. Compare os pontos do certificado com a sua faixa de trabalho.
As folhas de dados japonesas de termômetros de radiação podem citar a JIS C 1612:2023, norma japonesa de métodos de ensaio de desempenho de termômetros de radiação. Do lado internacional, os documentos mais comuns são a ASTM E1256 (métodos de ensaio de termômetros de radiação de faixa única) e a IEC TS 62492-1 (dados técnicos que as folhas de dados devem informar). Não confirmei uma norma ABNT NBR correspondente a esses documentos; se o seu cliente exigir uma, consulte o catálogo da ABNT e o fornecedor.
Se os valores de desempenho entram na sua aceitação, pergunte ao fornecedor qual norma e quais condições de ensaio ele segue.
Ao enviar um instrumento para calibração, informe a faixa de temperatura e os ajustes de faixa que você usa e verifique o erro de leitura nessas condições. Registre o erro em relação ao padrão separadamente das fontes de erro do chão de fábrica.
Quando as leituras divergem: isolando a causa
Se dois instrumentos divergem, ou se a leitura de hoje difere da da semana passada, classifique a causa por ponto de medição, caminho óptico e leitura. Registre separadamente as diferenças de temperatura e as de condição, e iguale as condições de comparação antes de mudar qualquer ajuste. A Figura 6 mostra as quatro áreas.
Mantenha separadas as diferenças de temperatura e as diferenças de condição de medição. Iguale as condições de comparação antes de alterar um ajuste.
Alterar a emissividade só para fechar a diferença esconde a causa real. Use valores que correspondam ao alvo e às condições de referência.
Mantenha registros que permitam repetir a medição:
- Onde e como você mirou: identificação do instrumento, leitura, posição do alvo e direção de visada, incluindo qual abertura do forno foi usada e qual parte do material foi mirada.
- Ajustes: faixa, ajuste de emissividade e condições da janela ou do filtro.
- Mudanças ao longo do tempo: quando a janela foi limpa e como a superfície do alvo mudou, para separar isso das mudanças nas condições de operação.
- Dispersão: se uma única igualação visual é difícil de decidir, confirme que o alvo está estável e observe a dispersão de leituras repetidas. Separe a oscilação do alvo da variação de pontaria e de igualação.
- Consistência entre operadores: quando os operadores mudam de turno, uniformize como focalizam e onde comparam. Não registre como o mesmo ponto uma leitura só do trecho mais brilhante e outra feita em outro lugar.
Checklist e perguntas para o lado japonês
Use este checklist quando uma especificação, um registro de inspeção ou um manual de forno japonês trouxer uma leitura de pirômetro óptico:
- Tipo de instrumento: visual de filamento desaparecente, infravermelho de faixa única ou bicolor
- Comprimento de onda de medição (efetivo), por exemplo 0,65 µm
- Se o valor registrado é uma temperatura de brilho (kido ondo) ou uma temperatura corrigida pela emissividade
- Ajuste de emissividade usado e como foi escolhido (estado da superfície, comprimento de onda)
- Janela de observação: material, estado e se a transmitância foi corrigida
- Ponto de medição: qual face, posição e abertura do forno, e a direção de visada
- Possíveis reflexos de paredes do forno ou de resistências naquele ponto
- Fumaça, vapor ou poeira no caminho de visada
- Certificado de calibração: JCSS ou não, pontos calibrados vs. a sua faixa de trabalho, marca ilac-MRA se necessário
- Se os valores do certificado estão na ITS-90 ou na temperatura termodinâmica (faixa de 960 a 2.800 °C do comunicado do NITE)
- Se a sua especificação de processo exige temperatura de superfície, interna ou do forno
Se faltarem itens, um e-mail curto costuma resolver. Adapte o modelo abaixo e troque os trechos entre colchetes; se a comunicação com o fornecedor for em inglês, traduza o texto ou peça ajuda ao coordenador japonês da planta.
Assunto: Leituras do pirômetro óptico do [forno / processo] – condições de medição
Prezado(a) [nome],
Obrigado pelo registro de inspeção de [data]. Nele, a temperatura aparece como temperatura de brilho (輝度温度) medida com um pirômetro óptico (光高温計). Para compará-la com as nossas medições, poderia confirmar os itens abaixo?
- O modelo do pirômetro e o seu comprimento de onda de medição.
- Se o valor registrado é a temperatura de brilho ou se foi corrigido pela emissividade e, neste caso, qual emissividade foi usada.
- Se a medição foi feita através de uma janela de observação e, em caso afirmativo, se a transmitância da janela foi incluída no ajuste.
- O ponto de medição (qual face e posição da peça) e a abertura de visada usada.
- O certificado de calibração mais recente do instrumento, com os pontos calibrados, e se os valores estão baseados na ITS-90 ou na temperatura termodinâmica.
- Se o requisito de temperatura da especificação se refere à superfície, ao núcleo ou à atmosfera do forno.
Atenciosamente,
[Seu nome]
[Empresa]
Limites deste guia
- Faixa, exatidão, comprimento de onda e recursos dependem do modelo. Os números do CHINO IR-URN são um exemplo, não especificações comuns.
- O exemplo numérico usa valores fictícios de emissividade e transmitância e ignora a radiação refletida. A emissividade real depende do material, do estado da superfície, da temperatura, do comprimento de onda e do ângulo de visada.
- Este guia não traz valores de emissividade de materiais específicos. Obtenha-os com o fabricante do instrumento ou por medições nas suas próprias peças.
- A prática de calibração e a redação dos certificados variam conforme o laboratório. Se um certificado japonês é aceito no seu sistema da qualidade, isso depende dos requisitos da sua empresa e do seu cliente.
- Nada aqui é instrução de trabalho para observar fornos. Proteção ocular (EPI, conforme a NR-6) e posições seguras de observação seguem as regras de segurança da sua planta e as orientações do SESMT.
FAQ
Dá para saber a temperatura só pela cor do brilho?
Não. O que você vê também depende da luz ambiente e da adaptação dos olhos, então a cor sozinha não substitui um instrumento. O pirômetro de filamento desaparecente compara o brilho com um filamento de referência em uma faixa definida e lê a temperatura a partir de uma relação calibrada.
Quando o filamento desaparece, o alvo é um corpo negro?
Não. Filamento desaparecente significa apenas que a luz do alvo que chega ao instrumento tem o mesmo brilho do filamento. Isso não diz se o alvo é um corpo negro; para chegar à temperatura verdadeira, verifique a emissividade e o caminho óptico.
O pirômetro óptico mede um alvo em movimento?
Pode medir, desde que você consiga manter o alvo à vista e julgar o seu brilho. Considere a velocidade, quanto tempo o alvo fica visível e o seu tamanho; se precisar de medição contínua, escolha o método de detecção e o tempo de resposta adequados.
Um pirômetro calibrado lê o mesmo valor através de uma janela?
Não necessariamente. A calibração cobre o instrumento sozinho, enquanto a transmitância e a sujeira da janela mudam a luz que o alcança. Compare as condições de calibração com o caminho de visada real e depois decida qual correção e qual inspeção são necessárias.
Por que o meu termômetro infravermelho e o pirômetro óptico divergem?
Os suspeitos habituais são comprimentos de onda, ajustes de emissividade e tamanhos de ponto diferentes. O mesmo erro de emissividade desloca mais a leitura de um instrumento de comprimento de onda maior do que a de um de 0,65 µm; por isso, compare os ajustes dos dois e mire o mesmo ponto antes de suspeitar de qualquer um deles.
Fontes
- Filamento desaparecente, temperatura de brilho, fundamentos da radiação térmica: NBS/NIST, Self-Study Manual on Optical Radiation Measurements, Technical Note 910-8 (1985), §8.2
- Equação ideal do pirômetro, comprimento de onda efetivo, operação com filamento desaparecente: S. P. Venkateshan, Mechanical Measurements, IIT Madras (NPTEL)
- Princípio de medição e especificações do IR-URN: CHINO Corporation, pirômetro óptico digital (em japonês)
- Óptica e faixa de medição do IR-URN: CHINO Corporation, catálogo CP-107-02 (em japonês)
- Temperatura de brilho vs. temperatura verdadeira: Ushio, "Fundamentos das lâmpadas halógenas", §8(1) (em japonês)
- Constante de deslocamento de Wien: NIST, valores CODATA 2022 (arredondada para 2.898 µm·K neste artigo)
- Reflexo do fundo, transmissão do caminho, pirômetros de razão: KELLER, "Metrological errors"
- Emissividade e comprimento de onda: KELLER, "Definition and influence of emissivity"
- ITS-90 acima do ponto da prata: BIPM/CCT, Guide to the Realization of the ITS-90: Radiation Thermometry (2018)
- Termômetros de radiação JCSS, temperatura termodinâmica de 960 a 2.800 °C: NITE, comunicado aos laboratórios JCSS de termometria de radiação, 30 de janeiro de 2020 (em japonês)
- Métodos de ensaio de termômetros de radiação de faixa única: ASTM E1256-17(2022)
- Dados de folha de dados de termômetros de radiação: IEC TS 62492-1:2008
Artigo original em japonêsEste guia se baseia em um artigo do MONOSCOPE escrito para leitores no Japão: 光高温計の原理とは?線条消失・放射温度計との違いと測定誤差


