Relé de choque (shock relay): como funciona e como ajustar

Imagine que você está diagnosticando um transportador ou um transferidor por corrente fabricado no Japão. No painel, ao lado do contator e do relé de sobrecarga térmico do motor, há uma pequena unidade em trilho DIN com três ajustes marcados CURRENT, START TIME e SHOCK TIME. O diagrama elétrico a chama de shokku rire ("relé de choque"). A linha para toda hora, a lâmpada de sobrecorrente da unidade está acesa e o primeiro impulso no chão de fábrica é aumentar o ajuste CURRENT.
O relé de choque é um relé de monitoramento de corrente projetado principalmente para proteger a máquina acionada. Ele acompanha a corrente do motor e, quando ela fica acima de um valor ajustado por mais tempo que o ajuste de tempo, comuta um contato de saída que desliga o motor pelo circuito de comando. Sua função é detectar um travamento antes que correntes, redutores e outras partes do acionamento sejam danificados. Já o relé de sobrecarga térmico protege os enrolamentos do motor contra superaquecimento. Os dois fazem trabalhos diferentes, e um não substitui o outro.
Este guia explica o que é um relé de choque, como a mesma função é chamada fora do Japão, como ele difere do relé de sobrecarga térmico, o que fazem os três ajustes e o que verificar quando ele dispara. No fim há um checklist e uma lista de perguntas para enviar ao fornecedor japonês do equipamento.
Sumário
- O que é um relé de choque (shock relay)?
- Como a mesma função é chamada fora do Japão
- Relé de choque × relé de sobrecarga térmico
- Como o relé de choque funciona
- Os três ajustes: corrente, tempo de partida e tempo de choque
- Quando dispara: o que verificar
- Checklist e perguntas para o fornecedor japonês
- Limites deste guia
- Perguntas frequentes
- Fontes
O que é um relé de choque (shock relay)?
Figura 1: Detectando o travamento de um transportador pela corrente do motor
O relé transforma um problema mecânico em um sinal elétrico e manda o contator desligar o motor.
Diagrama conceitual para um motor com partida direta (DOL). Os bornes e o circuito de parada reais seguem o modelo do relé e o projeto da máquina. No celular, role a figura para o lado.
Quando algo trava no transportador, o motor continua tentando girar e faz mais esforço contra o obstáculo. A corrente sobe. O relé de choque percebe esse aumento e dá um aviso antecipado de sobrecarga na corrente, no redutor ou em outras partes do acionamento.
O relé de choque do tipo monitoramento de corrente não mede o torque do eixo diretamente. Ele estima a carga pela variação da corrente do motor. Para ajustá-lo, você precisa de duas informações: a corrente que o motor consome em operação normal e o limite de carga da máquina que se quer proteger.
A mesma ideia vale para britadores e misturadores, nos quais um corpo estranho pode elevar a carga de repente. O que conta como "anormal" depende do que a máquina acionada tolera, e não só da potência do motor. O comportamento da corrente também depende da aplicação e do controle de velocidade. Por isso, antes de mexer em qualquer ajuste, identifique o tipo de motor e o método de acionamento (partida direta ou inversor de frequência) e documente as condições de carga da máquina.
Cortar a alimentação não para a máquina na hora, pois ela pode continuar se movendo por inércia. A Tsubakimoto Chain (Tsubaki), fabricante japonesa da linha Shock Relay, avisa que seus relés podem não proteger equipamentos com grande inércia ou grande relação de redução e pede ensaios antes da aplicação.
Em equipamentos que transportam pessoas ou elevam cargas, as medidas contra lesões e queda de carga precisam estar na própria máquina. Não conte com o relé de choque para a segurança de pessoas: proteção da máquina e funções de segurança são itens de projeto separados. No Brasil, a segurança de máquinas é tratada pela NR-12, e o relé de choque não deve ser tratado como componente de segurança nesse sentido.
Como a mesma função é chamada fora do Japão
"Shock Relay" (shokku rire) é o nome de produto da Tsubaki; no site japonês da empresa ele aparece com o símbolo de marca registrada. Outros fabricantes vendem funções semelhantes com outros nomes. Por isso, ao procurar um substituto local ou um equivalente, busque pela função e não pelo nome.
Tabela 1: Nomes que você pode encontrar para o mesmo tipo de proteção
Esses termos se sobrepõem, mas não são intercambiáveis. Confira o que cada produto realmente detecta.
| Termo | O que normalmente significa | Observação |
|---|---|---|
| Shock relay (Tsubaki) | Relé de monitoramento de corrente que dispara quando a corrente fica acima do ajuste por um tempo definido, com atraso na partida | A Tsubaki também vende fora do Japão com esse nome, em uma categoria de relés eletrônicos de choque (electronic shock relays) para proteção contra sobrecarga |
| Relé de monitoramento de corrente (current monitoring relay) | Relé que compara a corrente medida com um limite e comuta uma saída de comando | Os de sobrecorrente podem detectar um transportador travado; os de subcorrente podem detectar correia rompida ou perda de carga |
| Relé monitor de carga (load monitor relay) | Nome comum de chão de fábrica para o mesmo uso de proteção da máquina | Alguns produtos monitoram a potência do motor, e não a corrente |
| Relé eletrônico de sobrecarga (com proteção contra travamento) | Relé de sobrecarga do motor que mede a corrente eletronicamente; alguns modelos acrescentam detecção de travamento (jam) ou rotor bloqueado | A detecção de travamento é opcional em alguns modelos, não padrão em todos |
| EOCR (relé eletrônico de sobrecorrente) | Linha de produtos vista em mercados asiáticos, vendida com a marca Schneider Electric | As funções listadas incluem sobrecorrente, falta de fase e rotor bloqueado, com atrasos de partida e de disparo |
| Proteção mecânica contra sobrecarga (limitador de torque) | Dispositivo mecânico no acionamento que patina ou desengata em um torque definido | A Tsubaki classifica os limitadores de torque como proteção mecânica contra sobrecarga, separada de seus relés elétricos |
Nomes e funções de produtos vêm de páginas de fabricantes e distribuidores listadas em Fontes. Confirme o método de detecção e os ajustes no catálogo do modelo real.
A Tsubaki também fabrica um aparelho relacionado, o Shock Monitor. Ele monitora a potência de entrada do motor, e não a corrente, e a Tsubaki o descreve como um equipamento de monitoramento de potência capaz de captar variações menores de carga. Se um desenho japonês mostrar shokku monita, não é o mesmo aparelho que um relé de choque.
Em uma fábrica brasileira, um relé de choque pode chegar embutido em uma máquina japonesa importada, com a documentação só em japonês ou inglês. Antes de procurar um substituto no mercado local, confirme com o fornecedor a tensão de comando, a frequência de 60 Hz da rede e o método de detecção do modelo instalado.
Relé de choque × relé de sobrecarga térmico
Figura 2: A mesma sobrecorrente, mas coisas diferentes sendo protegidas
Sobrecarga da máquina, aquecimento do motor e curto-circuito têm, cada um, o seu dispositivo de proteção.
| Item | Relé de choque | Relé de sobrecarga térmico | Disjuntor / fusível |
|---|---|---|---|
| Finalidade principal | Limitar danos à máquina por travamentos e falhas semelhantes | Evitar a queima do motor por sobrecarga | Proteger o circuito contra curto-circuito e falhas semelhantes |
| Detecção e atuação | Avalia o nível da corrente e por quanto tempo ele dura | A corrente aquece uma lâmina bimetálica, que se curva | Detecta e interrompe a sobrecorrente / o elemento fusível funde |
| Característica de tempo | Atraso de partida e atraso de sobrecarga ajustáveis | Tempo inverso: quanto maior a corrente, mais rápido o disparo | Escolhido conforme a corrente de curto-circuito e a coordenação da proteção |
| Como desliga o motor | Contato de saída ligado ao circuito de parada | Contato auxiliar ligado à bobina do contator | Abre o próprio circuito principal |
A coluna do relé térmico descreve o tipo bimetálico (térmico) típico. Recursos como proteção contra falta de fase variam conforme o modelo. No celular, role a tabela para o lado.
O relé de choque serve para máquinas cuja carga pode subir de repente: ele as desliga depois de um atraso que você ajusta. O relé de sobrecarga térmico (samaru rire, nos desenhos japoneses) protege os enrolamentos do motor contra o calor de uma sobrecorrente prolongada.
Em um relé térmico típico, a corrente do motor passa por um aquecedor que esquenta uma lâmina bimetálica. A lâmina se curva ao aquecer e aciona um contato. Ele modela o aquecimento do motor de forma indireta e não mede a temperatura do enrolamento. O tempo de disparo depende do tamanho da sobrecorrente e de quão aquecido o relé já está, de modo que a mesma corrente dispara um relé quente antes de um frio. Pela IEC 60947-4-1, a classe de disparo de um relé de sobrecarga (Classe 10, 20, 30) indica o tempo máximo de disparo, em segundos, a 7,2 vezes o ajuste de corrente. No Brasil essa norma é adotada como ABNT NBR IEC 60947-4-1; confirme a edição vigente e o conteúdo exato com o fornecedor.
Com o relé de choque, você ajusta, conforme a máquina, quanto tempo ele espera durante variações normais e curtas de carga. Se for preciso parar a máquina antes que ela seja danificada, avalie separadamente se dá para esperar o relé térmico atuar.
Por isso, instalar um relé de choque não é motivo para retirar a proteção térmica do motor. A interrupção de curto-circuito é um terceiro trabalho, separado. Combine os dispositivos que sinalizam a parada por contatos com os fusíveis e disjuntores que protegem o circuito, para que nenhum tipo de falha fique sem cobertura.
Como o relé de choque funciona
Figura 3: Um TC capta a corrente sem cortar o cabo
O cabo de potência do motor passa por um núcleo magnético; um enrolamento no núcleo gera um sinal proporcional à corrente.
Princípio de um único TC. Na série SB da Tsubaki, dois dos três fios de fase do motor passam, cada um, por um TC próprio, no mesmo sentido. A figura não mostra todas as fases passando por um só furo.
O TC (transformador de corrente; henryuki, em japonês) é um sensor para medir corrente. Ao passar o cabo de potência do motor pelo TC, o relé recebe um sinal que consegue avaliar, sem abrir o circuito principal.
Quando a carga da máquina sobe e a corrente passa do ajuste de corrente, o relé começa a contar o tempo de choque. Se o excesso dura o tempo ajustado, o contato de saída muda de estado e sinaliza a falha a um circuito externo de parada ou de alarme.
O contato de saída do relé e os contatos principais do contator têm funções diferentes. O contato de saída apenas sinaliza. Em uma partida direta, o arranjo usual liga a saída ao circuito de comando do contator, e os contatos principais do contator abrem para cortar a alimentação do motor. Trate a saída como um contato seco, que abre ou fecha um circuito, e não como fonte de energia, e dimensione-a para a tensão e a corrente do circuito que ela comuta.
Algumas máquinas também levam a falha a um CLP (controlador lógico programável). Verifique antes a carga mínima admissível do contato. Para a série SB, o manual manda passar o sinal por um relé para pequenas correntes (relé de interface), em vez de ligar o contato de saída direto na entrada do CLP, pelo risco de falha de contato em corrente muito baixa. Do lado do CLP, a falha é uma entrada digital. Ao ler o diagrama elétrico, siga dois caminhos separados: o que mostra a falha na IHM e o que realmente para a máquina.
Quando um motor parte, ele puxa uma corrente de partida elevada, o que é normal. Se o relé julgasse a partida como julga a operação, dispararia em toda partida. É para isso que serve o tempo de partida: o relé espera o transitório da partida se acomodar antes de passar a vigiar a sobrecarga.
A ligação do TC também importa. O número de passagens do cabo pelo TC e o sentido devem seguir as instruções do modelo. A mesma corrente do motor gera sinais diferentes conforme o número de espiras, portanto mantenha documentados juntos o ajuste do relé e a ligação do TC.
Os três ajustes: corrente, tempo de partida e tempo de choque

Ajustar um relé de choque começa por descobrir como a máquina saudável consome corrente. Registre separadamente a partida e a operação em regime, incluindo a faixa de cargas e de materiais que a máquina normalmente processa. Só assim dá para dizer onde termina o normal e começa o anormal.
Ao mesmo tempo, descubra quanta força a máquina suporta e em quanto tempo ela precisa parar. Um ajuste que deixa passar a operação normal, mas permite que a máquina seja danificada durante uma falha, não é proteção. Os valores finais precisam atender aos dois lados.
Anote a velocidade de operação, a quantidade de produto no transportador e o método de partida ao lado de cada leitura de corrente. Apenas o valor da corrente não permite saber depois se a carga aumentou ou se as condições de operação mudaram.
Figura 4: Separando corrente de partida, picos curtos e sobrecarga contínua
Depois que o tempo de partida termina, o relé compara por quanto tempo o excesso dura com o tempo de choque.
Forma de onda conceitual para explicar a lógica, não são dados medidos. Neste exemplo, o contator abre depois da saída e a corrente cai a zero. A máquina ainda pode continuar se movendo por inércia depois que a corrente some.
Ajuste de corrente
O ajuste de corrente é a linha entre o normal e a sobrecarga. Não o baseie só na corrente a vazio. Meça a faixa de corrente, incluindo a condição mais pesada que a máquina enfrenta em operação normal.
Em um transportador, por exemplo, a correia vazia e a correia carregada exigem forças de acionamento diferentes. Registre não só a carga usual, mas a carga máxima que você aceita como normal.
O objetivo é um valor que deixe passar a maior corrente normal, mas dispare antes de o limite de carga da máquina ser ultrapassado. Um registro que relacione carga e corrente é uma base melhor do que um múltiplo fixo da corrente nominal do motor.
Se o ajuste for baixo demais, o relé dispara em operação normal; se for alto demais, deixa passar as falhas que você quer detectar. Se a diferença entre a corrente normal e a de falha for pequena, mexer no limite pode não separar as duas com segurança.
Nesse caso, reveja o método de proteção com o fabricante do equipamento, incluindo formas de detectar a falha do lado da máquina. Monitoramento de corrente e monitoramento de potência são métodos distintos, e é por isso que a Tsubaki classifica o Shock Monitor como equipamento de monitoramento de potência.
Tempo de partida (start time)
O tempo de partida é um atraso na partida que evita que a corrente de pico cause um disparo falso. Meça quanto tempo a corrente leva para se acomodar no nível normal depois da partida e ajuste um atraso que cubra esse transitório.
Um transportador vazio pode atingir a velocidade rapidamente, enquanto partir com produto na correia pode alongar a aceleração. Teste nas condições de partida que a máquina realmente usa e confirme que o relé não dispara em toda partida normal.
Quanto maior o tempo de partida, mais demora para detectar uma falha que ocorra durante a partida. Segundo o manual da série SB, se uma sobrecarga acontece durante a partida, o relé só dispara depois do tempo de partida mais o tempo de choque.
Com inversor de frequência, a aceleração, a desaceleração e a frequência de saída mudam o comportamento da corrente. A faixa de frequência suportada varia conforme o modelo, então confirme o modelo do relé e o local de instalação do TC no manual daquele modelo.
Tempo de choque (shock time)
O tempo de choque é por quanto tempo a corrente pode ficar acima do ajuste antes de o relé considerar que há uma falha. Ele deixa passar picos curtos que também ocorrem em operação normal, como quando o produto passa de um transportador para outro.
Curto demais, e cargas momentâneas normais param a linha. Longo demais, e o dano avança durante um travamento. Meça tanto a altura dos picos de corrente quanto sua duração e compare com o tempo que a máquina tolera uma sobrecarga.
Como exemplo, a série SB oferece tempo de choque de 0,2 a 5 s. Essa é a faixa ajustável do produto, não um tempo de parada recomendado para qualquer máquina nem um valor válido para todos os modelos.
Ao pensar em onde a máquina vai de fato parar, inclua o tempo de atuação do contator depois da saída e a parada por inércia da máquina. Apenas como ilustração, suponha 0,4 s da falha até a saída do relé e 0,6 s da saída até a parada completa.
O cálculo mostra que o tempo de choque, sozinho, não define onde a máquina vai parar. Na máquina real, teste a parada, meça o tempo da detecção até a imobilização e a distância percorrida nesse intervalo, e decida com base nesses números.
Figura 5: Registros a conferir antes de mudar qualquer um dos três ajustes
Um ajuste que reduz disparos indevidos também é um ajuste que atrasa a proteção.
| Ajuste | Base para o valor | Se for baixo / curto demais | Se for alto / longo demais |
|---|---|---|---|
| Ajuste de corrente | Carga máxima normal e limite de carga da máquina | Dispara em operação normal | Deixa passar sobrecargas |
| Tempo de partida | Tempo para a corrente se acomodar nas condições reais de partida | Dispara logo após a partida | Demora a detectar falhas durante a partida |
| Tempo de choque | Duração dos picos normais e tempo que a máquina tolera uma falha | Dispara em cargas momentâneas | Não consegue parar a máquina antes do dano |
Depois de mudar qualquer valor, teste tanto que a operação normal roda sem disparos quanto que a falha esperada é detectada, usando um método seguro.
Os manuais dos fabricantes trazem a sequência de ajuste própria de cada modelo. O manual da série SB, por exemplo, manda ajustar primeiro o tempo de partida, depois a corrente e por fim o tempo de choque, a partir de posições iniciais especificadas. Siga o manual do modelo exato do seu painel, e não um procedimento genérico, inclusive este. As escalas dos botões também não cobrem toda a faixa ajustável em todos os modelos: o manual da SB diz para conferir o tempo com o botão TEST nos ajustes fora da escala.
Quando dispara: o que verificar
Depois de um disparo, primeiro registre quando a máquina parou e se foi logo após a partida ou durante a operação. Se você aumentar os ajustes antes, corre o risco de tratar um travamento real, ou um aumento da resistência mecânica, como disparo indevido.
- Registre a etapa do processo em que a máquina parou, a carga no momento, as lâmpadas ou alarmes e os ajustes atuais.
- Isole a energia e fixe as partes móveis; depois procure corpos estranhos e problemas no acionamento.
- Elimine a causa e compare com os registros de operação normal para decidir se uma mudança de ajuste é realmente necessária.
- Confirme as condições de religamento, deixe a área segura e faça um teste de funcionamento.
A fiação e a inspeção devem ser feitas por pessoas qualificadas, seguindo o manual do modelo específico. Trabalhar dentro de uma máquina exige mais do que isolar a energia: é preciso também impedir movimentos por peças que possam cair ou por energia armazenada, seguindo os procedimentos de bloqueio e etiquetagem (LOTO) da sua planta e as normas regulamentadoras aplicáveis, como a NR-10 e a NR-12.
Se a saída do relé mudou, mas a máquina não parou, siga o circuito de parada depois do relé. Em uma máquina comandada por CLP, compare o estado da entrada com o sinal de permissão de operação para achar onde o caminho se interrompe. Uma forma de verificar um contato é um teste de continuidade com o circuito desenergizado; não meça resistência em circuito energizado.
Depois da recuperação, registre os ajustes antes e depois da mudança e os resultados dos testes, associados ao número do equipamento. Inclua a verificação de funcionamento e a atualização do registro no plano de manutenção, para poder comparar de novo sempre que as condições de carga mudarem.
Um teste com a função de teste embutida do relé e um teste de todo o caminho de parada cobrem coisas diferentes. Não pare ao ver uma lâmpada mudar; confira que o circuito que recebe a saída termina no estado projetado.
Os métodos de teste são específicos de cada modelo. Na série SB, por exemplo, o botão TEST deve ser usado com o motor parado. Não trave a máquina real de propósito para testar a proteção; use o método que o fabricante especifica para reproduzir a condição com segurança.
Checklist e perguntas para o fornecedor japonês
Use esta lista quando chegar uma máquina japonesa com relé de choque, quando for planejar uma substituição ou antes de alguém mudar um ajuste.
Checklist no local
- Fabricante e código completo do relé, pela plaqueta e pela lista de peças
- Ajustes de corrente, tempo de partida e tempo de choque como encontrados (fotografe os botões)
- Tipo de TC, quais fases passam por ele, número de passagens e sentido
- Modo de saída: autorretenção (na série SB, rearme pelo botão RESET) ou reset automático
- Para onde vai a saída: circuito da bobina do contator, entrada do CLP (por relé de interface?), alarme
- Tensão de alimentação de comando do relé e frequência (60 Hz na rede brasileira) compatíveis com o modelo
- Método de acionamento: partida direta ou inversor de frequência, e a faixa de frequência do inversor em uso
- Relé de sobrecarga térmico e proteção contra curto-circuito ainda presentes e corretamente ajustados
- Registros da corrente em operação normal: partida, a vazio, carga normal máxima
- Registro do teste de parada: tempo e distância da detecção até a imobilização
Perguntas ao lado japonês
- Que falha da máquina o relé de choque deve detectar (travamento, sobrecarga da corrente, proteção do redutor)?
- Como foram definidos os valores de corrente, tempo de partida e tempo de choque? Há dados medidos de corrente?
- Qual é a carga ou o torque admissível das partes protegidas e em quanto tempo a máquina precisa parar?
- A saída do relé é de autorretenção ou de reset automático? Depois do rearme, a máquina pode religar sozinha?
- O relé é aprovado para acionamento por inversor na nossa faixa de frequência de operação?
- Se o substituirmos por um relé de monitoramento de corrente ou um relé eletrônico de sobrecarga disponível localmente, quais funções e ajustes ele precisa ter?
- Há nesta máquina funções de segurança de pessoas ou de prevenção de queda que não dependem do relé de choque?
Um modelo curto de consulta que você pode adaptar:
Assunto: Ajustes do relé de choque (shock relay) da [nome da máquina / nº de série]
Estamos fazendo a manutenção do [transportador] fornecido por vocês. O relé de choque [fabricante, modelo] no painel está ajustado com corrente [__ A], tempo de partida [__ s] e tempo de choque [__ s] e disparou [__ vezes] desde [data]. Pedimos que informem como esses valores foram determinados, a corrente normal medida e o limite de carga das partes protegidas. Pedimos também que confirmem se a saída é de autorretenção ou de reset automático e quais funções um relé substituto precisaria ter, caso o troquemos localmente.
Limites deste guia
- As faixas e os comportamentos citados aqui vêm de documentos das séries SB e ED da Tsubaki. Outros modelos e produtos de outros fabricantes são diferentes.
- Este guia explica princípios e o que verificar. Não é um procedimento de ajuste. Os ajustes devem seguir o manual do modelo instalado e a avaliação do projetista da máquina.
- O relé de choque é proteção da máquina. Se uma máquina é segura para as pessoas é outra questão, tratada no projeto de segurança da máquina e na legislação aplicável (no Brasil, a NR-12 e as normas técnicas relacionadas).
- O exemplo de cálculo usa valores fictícios. O tempo e a distância de parada reais devem ser medidos na máquina.
- Os nomes da Tabela 1 se sobrepõem. Se um produto local pode substituir um relé de choque depende de seu método de detecção, das faixas de tempo e da saída, e deve ser confirmado com o fornecedor.
- As referências a normas ABNT são apenas orientativas; confirme o número e a edição vigentes antes de citá-las em documentos ou auditorias.
Perguntas frequentes
O que um relé de choque detecta?
Um relé de choque do tipo monitoramento de corrente detecta a corrente do motor acima do ajuste e por quanto tempo ela se mantém. Ele estima a carga da máquina pela corrente, por isso é diferente de um sensor que mede diretamente o torque do eixo.
O relé de choque pode substituir o relé de sobrecarga térmico?
Não. O relé de choque protege a máquina acionada contra travamentos; o relé de sobrecarga térmico protege o motor contra superaquecimento. Instalar um relé de choque não é motivo para retirar a proteção térmica do motor, e a proteção contra curto-circuito por fusíveis ou disjuntores é, mais uma vez, um trabalho à parte.
O tempo de choque deve ser o menor possível?
Não como objetivo em si, porque picos momentâneos normais podem então parar a máquina. Compare a duração dos picos normais com o tempo que a máquina tolera uma falha e inclua o atraso de parada depois da detecção.
Com reset automático, a máquina religa sozinha?
O contato do relé voltar ao normal e a máquina religar são eventos separados. Em um circuito em que o comando de operação continua ligado, o reset automático pode levar a um religamento, então verifique juntos o modo de reset e as condições de permissão de operação. Um sinal de falha que permanece retido se comporta de forma diferente de um sinal que aparece só enquanto um botão está pressionado.
Dá para usar o relé de choque com motor acionado por inversor de frequência?
Sim, se o modelo e a faixa de frequência forem compatíveis, mas as condições variam entre as séries da Tsubaki. A série ED indica 20 a 200 Hz para acionamento por inversor. O manual da série SB alerta que a distorção da forma de onda da corrente sob inversor pode causar mau funcionamento e diz que pode ser usada de 30 a 60 Hz, faixa em que o efeito é pequeno. Não aplique a faixa de um modelo a outro.
Fontes
- Definições de relé de choque e shock monitor; proteção elétrica × mecânica contra sobrecarga: Tsubakimoto Chain, informações sobre dispositivos de controle elétricos (em japonês)
- Detecção, ligação, ajustes, botão de teste e manutenção: Tsubakimoto Chain, manual de instruções do Shock Relay série SB (em japonês, 21 de fevereiro de 2024); U.S. Tsubaki, manual de instruções do Shock Relay TSBSB (em inglês)
- Modos de reset e cuidados de aplicação (inércia, transporte de pessoas e elevação): Tsubakimoto Chain, observações sobre o uso de relés de choque (em japonês)
- Exemplo de modelo compatível com inversor: Tsubakimoto Chain, Shock Relay série ED (em japonês)
- Relés de choque Tsubaki vendidos fora do Japão: Tsubaki of Canada, Electronic Shock Relays (em inglês)
- Construção do relé de sobrecarga térmico, tempo de disparo e proteção contra curto-circuito: OMRON, guia técnico de dispositivos de manobra de baixa tensão (em japonês)
- Classe de disparo conforme a IEC 60947-4-1: ABB, dados técnicos de relés de sobrecarga térmicos (em inglês)
- Relés de monitoramento de corrente (usos de sobrecorrente e subcorrente; a saída não interrompe a corrente de carga): VIOX, "Current Monitoring Relay Explained" (em inglês)
- Detecção de travamento em relés eletrônicos de sobrecarga: Rockwell Automation, comunicado sobre o relé eletrônico de sobrecarga Allen-Bradley E100 (em inglês)
- Linha EOCR (funções listadas): Bao An, página do Schneider EOCRSS (em inglês)
Artigo original em japonêsEste guia se baseia em um artigo do MONOSCOPE escrito para leitores no Japão: ショックリレーとは?電流監視の原理とサーマルとの違い・設定方法


