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202626/10

TBM x CBM: manutenção por tempo ou por condição

Manutenção e qualidadeAtualizado em 26/10/202627 min de leitura

Se você cuida da manutenção em uma fábrica de capital japonês no Brasil, ou de equipamentos fabricados no Japão, o plano que você herda provavelmente está cheio de intervalos fixos. Por exemplo: "overhaul (revisão geral, desmontando o equipamento para inspecionar e recondicionar) todo mês de março" ou "trocar o filtro a cada 5.000 horas de operação". Os colegas japoneses chamam isso de TBM (time-based maintenance, manutenção baseada no tempo).

Ao mesmo tempo, a matriz pode pedir para "migrar de TBM para CBM" e colocar sensores em tudo. Quais itens devem continuar com intervalo fixo, quais devem ser monitorados e quais podem simplesmente operar até a falha?

As fábricas japonesas misturam três abordagens: TBM, CBM (condition-based maintenance, manutenção baseada na condição) e BM (breakdown maintenance, manutenção corretiva: consertar depois da falha). A escolha é feita por máquina e, muitas vezes, por componente. Colocar tudo em troca por intervalo fixo aumenta o custo, e o próprio serviço de troca pode causar falhas.

Este guia compara as três abordagens e explica por que intervalos fixos, sozinhos, não evitam a maioria das falhas. Depois apresenta uma ordem de decisão, um jeito de combinar os métodos por criticidade e um checklist para revisar um plano existente.

Sumário
  1. Os três tipos de manutenção: BM, TBM e CBM
  2. TBM x CBM: as principais diferenças
  3. Por que a troca em intervalo fixo não basta
  4. Três condições para a CBM funcionar
  5. Como escolher o tipo de manutenção: quatro perguntas em ordem
  6. Combinando métodos por criticidade e componente
  7. Revisando seus tipos de manutenção: cinco passos e erros comuns
  8. Termos japoneses de manutenção: referência rápida
  9. Checklist: antes de mudar um método ou intervalo de manutenção
  10. Perguntas para fazer ao lado japonês
  11. Limites deste guia
  12. Resumo
  13. FAQ
  14. Fontes

Os três tipos de manutenção: BM, TBM e CBM

Os nomes dos tipos de manutenção variam entre empresas e setores, então comece pela norma japonesa. A JIS Z 8115:2019, o vocabulário japonês de dependabilidade (que usa a numeração de termos da IEC 60050-192), divide a manutenção em preventiva e corretiva.

A JIS define a manutenção preventiva (予防保全, yobo hozen) como a manutenção feita para mitigar a degradação e reduzir a probabilidade de falha. Ela tem dois subtipos. A manutenção feita conforme um cronograma, 時間計画保全 (jikan keikaku hozen, "scheduled maintenance" na terminologia da IEC), é o que o chão de fábrica chama de TBM. A manutenção baseada na avaliação do estado físico, 状態基準保全 (jotai kijun hozen), é a CBM.

A manutenção corretiva, 事後保全 (jigo hozen), costuma ser abreviada como BM nas fábricas japonesas. Ela devolve o equipamento ao estado requerido depois que uma falha é detectada. Para o quadro geral do trabalho de uma equipe de manutenção japonesa e o encaixe desses tipos no TPM, veja o artigo sobre hozen. Aqui o foco é a diferença entre os três e como escolher.

Atenção aos nomes no Brasil. Segundo fontes secundárias, a ABNT NBR 5462 trata manutenção preventiva, corretiva e preditiva como categorias separadas. No dia a dia, "preventiva" costuma significar a manutenção por tempo (o TBM japonês), e "preditiva" costuma significar o monitoramento da condição (vibração, termografia, análise de óleo), que equivale à CBM. Na JIS, a CBM faz parte da preventiva. Por isso, ao ler um plano japonês, confirme sempre o que cada termo quer dizer.

Figura 1: Tipos de manutenção segundo a JIS Z 8115

A manutenção se divide em preventiva e corretiva. TBM e CBM são os dois tipos de manutenção preventiva.

ManutençãoTodas as ações que mantêm o equipamento utilizável ou o recuperam após uma falha
Antes ou depois da falha?
Por tempo (TBM)Feita conforme um cronograma. Por calendário ou por horas de operação
Por condição (CBM)Feita com base na avaliação do estado físico. Também chamada de manutenção por monitoramento da condição
Corretiva (BM)Recupera o equipamento depois que uma falha é detectada
TBM e CBM juntas formam a manutenção preventiva: trabalho feito antes da falha para reduzir a chance de ela ocorrer.

Baseado nos termos e definições da JIS Z 8115:2019. As fábricas japonesas também usam outros nomes, como 時間基準保全 (jikan kijun hozen) para TBM e 状態監視保全 (jotai kanshi hozen) para CBM.

A própria TBM tem duas formas. A manutenção periódica (定期保全, teiki hozen) segue intervalos de calendário, e a manutenção por tempo de uso (経時保全, keiji hozen) é feita quando as horas acumuladas de operação chegam a um valor definido. "Overhaul todo mês de março" é periódica; "trocar o filtro a cada 5.000 horas de operação" é por tempo de uso.

Nenhuma das três é melhor que as outras. O que as separa é o gatilho do serviço: uma falha, o relógio ou o estado do equipamento. Cada uma serve para equipamentos diferentes e tem seu ponto fraco.

Figura 2: Os três tipos num relance

Compare o gatilho, o melhor uso e o ponto fraco.

Manutenção corretiva (BM)Gatilho: a falhaMelhor para: equipamentos que causam pouco impacto quando param e são rápidos de consertar. Ponto fraco: as paradas são imprevisíveis e, em equipamentos críticos, afetam produção e segurança
Manutenção por tempo (TBM)Gatilho: o tempoMelhor para: peças que se desgastam ou degradam em proporção às horas ou aos ciclos, e inspeções exigidas por lei. Ponto fraco: tende à manutenção em excesso, trocando peças que ainda têm vida útil
Manutenção por condição (CBM)Gatilho: a condiçãoMelhor para: equipamentos que dão sinais de alerta, como vibração ou aumento de temperatura. Ponto fraco: montar a medição e os critérios de decisão exige esforço e dinheiro
Numa mesma fábrica, e até numa mesma máquina, é normal combinar os três tipos por componente.

A BM é usada de duas maneiras. Uma é reagir a uma falha inesperada na hora. A outra é decidir de antemão que a máquina vai operar até falhar. A segunda não é descuido: é uma escolha legítima, feita depois de comparar custo e impacto. A seção sobre a ordem de decisão mostra quando ela se aplica. No Brasil, essa decisão deliberada costuma ser chamada de corretiva planejada.

TBM x CBM: as principais diferenças

Técnico encostando um sensor de vibração no mancal de um motor de bomba

As duas são preventivas, mas decidem o momento de agir de formas totalmente diferentes. A TBM usa o calendário ou o horímetro. A CBM mede o estado do próprio equipamento.

Figura 3: TBM x CBM

Se a decisão se apoia no tempo ou na condição, muda o que você precisa preparar e onde cada método é forte ou fraco.

TBM (por tempo)
CBM (por condição)
Base da decisão
Dias de calendário, horas de operação, número de ciclos
Valores medidos ou resultados de inspeção: vibração, temperatura, som, contaminação do óleo, corrente e outros
Momento do serviço
Entra no plano anual com antecedência
Definido quando um limite é ultrapassado. O serviço só entra no plano depois que surgem os sinais
O que é preciso
Intervalos de inspeção e de troca, plano de estoque de sobressalentes
Meios de medição (inspeção sensorial, instrumentos, sensores), critérios de decisão, um sistema de registro
Degradação mais adequada
Desgaste, fadiga e outras degradações que avançam com o uso
Degradação que avança de forma irregular e dá sinais pelo caminho
Pontos fortes
Fácil de planejar; pessoas e peças são organizadas com segurança
As peças são usadas até o fim da vida útil, e o trabalho de troca diminui
Pontos fracos
Troca peças que ainda têm vida. As razões dos intervalos tendem a ficar desatualizadas
Inútil para falhas que não dão aviso mensurável. Medir e julgar dá trabalho

As duas são formas de manutenção preventiva. Uma mesma máquina costuma usar ambas.

TBM: definida por calendário ou horas de operação

A maior vantagem da TBM é que você encaixa a manutenção no plano de produção com bastante antecedência. Um overhaul marcado para uma parada de férias coletivas, ou uma inspeção nos primeiros dias de cada mês, permite reservar a parada, as pessoas e as peças.

O lado ruim é que os intervalos tendem a ir para o lado seguro. Acabam-se trocando peças que ainda têm muita vida útil, o que aumenta o custo de peças e as horas de mão de obra. E, depois de definido, o intervalo muitas vezes continua em uso por anos, quando ninguém mais lembra por que foi escolhido.

CBM: definida pela condição medida

A JIS Z 8115 define a CBM como manutenção preventiva baseada na avaliação do estado físico. Uma nota acrescenta que a avaliação pode vir da observação programada do operador ou do monitoramento da condição por parâmetros do sistema.

Portanto, o operador que ouve ruído anormal ou sente calor na inspeção diária (日常点検, nichijo tenken) e aciona a manutenção quando algo está errado já está fazendo CBM. Sensores caros não são requisito. O que importa é ter um jeito de medir a condição e uma regra clara, como "fazer o serviço quando este valor for ultrapassado". Nas fábricas com TPM, essas inspeções diárias do operador fazem parte da manutenção autônoma (jishu hozen).

CBM x manutenção preditiva (yochi hozen)

Você vai ouvir os colegas japoneses falarem em 予知保全 (yochi hozen, manutenção preditiva). O termo definido na JIS Z 8115:2019, porém, é manutenção baseada na condição. O yochi hozen geralmente significa usar dados de monitoramento para prever quando a falha vai ocorrer e agir antes dela.

Como depende de coletar dados continuamente e ler tendências, a manutenção preditiva é melhor entendida como uma forma avançada de CBM. No Brasil, "preditiva" costuma abranger também o monitoramento simples da condição, e no japonês do dia a dia as duas palavras também se misturam. Quando alguém disser "yochi hozen", pergunte se é previsão por tendência ou apenas verificação da condição.

Por que a troca em intervalo fixo não basta

Rolamentos usados, uma correia em V rachada e um retentor de óleo sobre uma bancada

A TBM parte do princípio de que as peças têm uma vida e não falham se forem trocadas antes do fim dela. Estudos da aviação mostraram que bem menos falhas se encaixam nessa premissa do que a maioria das pessoas imagina.

F. Stanley Nowlan e Howard F. Heap, da United Airlines (UAL), classificaram em seis padrões o modo como os componentes de aeronaves falhavam ao longo da idade de serviço. O relatório deles, Reliability-Centered Maintenance, foi publicado em 1978.

Segundo o guia de Manutenção Centrada em Confiabilidade (RCM) da NASA, três estudos (UAL em 1968, um acompanhamento sueco em 1973 e outro da Marinha dos EUA em 1982) concluíram que as falhas aleatórias, sem relação com a idade, representavam 77–92% de todas as falhas, enquanto os padrões ligados à idade respondiam por apenas 8–23%.

Figura 4: Dois comportamentos de falha

A maioria das falhas não tem relação com a idade, então a troca por tempo, sozinha, não consegue evitá-las.

Falhas que aumentam com a idade
Falhas sem relação com a idade
Parcela nos três estudos
8–23%
77–92%
Itens típicos
Itens únicos e simples, como pneus, pastilhas de freio e pás de compressor
Equipamentos complexos, formados por muitas peças que interagem
Causas
Desgaste, fadiga do metal, consumíveis chegando ao fim da vida
Combinações de contaminação, variação de carga, erros de montagem e assim por diante
Métodos que funcionam
TBM (trocar numa vida definida por horas ou ciclos)
CBM (detectar sinais de alerta e agir), manutenção de melhoria (reprojetar para a falha ser menos provável)

Fonte: NASA, "Reliability-Centered Maintenance Guide for Facilities and Collateral Equipment" (2008). Os estudos cobriram aeronaves e navios; os números não se transferem diretamente para equipamentos de fábrica.

Poucas peças têm uma idade de desgaste previsível

O guia da NASA explica que um padrão claro de desgaste é típico de itens únicos e simples, enquanto em itens complexos uma idade marcante de fim de vida não é comum. Se você tratar um motor, uma bomba ou um redutor inteiro como um único item com um único intervalo, encurtar esse intervalo pode não reduzir as falhas em nada.

A TBM funciona bem em peças consumidas de forma constante, como correias em V, filtros e lonas de freio. Antes de escolher o método, faça uma pergunta: essa peça realmente se degrada em proporção ao uso?

Overhauls podem introduzir novas falhas

O mesmo guia observa que em muitos casos o overhaul programado aumenta a taxa geral de falhas ao introduzir falhas de início de vida num sistema que já era estável. Erros de montagem, parafusos com aperto insuficiente e contaminação ganham uma nova chance de ocorrer cada vez que a máquina é desmontada.

"Depois da inspeção, ela passou a funcionar pior" é uma queixa conhecida entre as equipes de manutenção. A CBM permite deixar em paz o que não precisa ser mexido, e essa é uma de suas vantagens reais.

Três condições para a CBM funcionar

Isso não significa que toda máquina deva ir para a CBM. Ela só compensa quando as três condições abaixo são atendidas ao mesmo tempo. A curva P-F, muito usada em manutenção, mostra a lógica.

Figura 5: A curva P-F e os intervalos de inspeção

A CBM atua no tempo entre o ponto P, em que os sinais de degradação se tornam detectáveis, e o ponto F, em que o equipamento perde a função.

Condição do equipamento (mais alto é melhor)Tempo →Início da degradaçãoPFalha potencial: primeiro sinal detectávelAnálise de óleo, ultrassomVibraçãoTemperatura (termografia)Ruído, calor (sentidos)FFalha funcionalIntervalo P-FRegra prática: inspecionar em intervalos menores que a metade do intervalo P-F

A ordem dos métodos de detecção é um guia geral de quais capturam os sinais mais cedo (baseado em um artigo da revista InTech, da ISA). A duração do intervalo P-F varia muito com o modo de falha e com o método de detecção.

1. A degradação mostra um sinal mensurável

Primeiro, alguma mudança mensurável precisa aparecer antes da falha. O dano em um rolamento aparece como vibração, uma conexão elétrica frouxa como calor e um lubrificante degradado como contaminação do óleo ou mudança em sua química. Cada modo de falha tem seu próprio indicador.

Quanto mais cedo você pega o sinal, mais tempo tem para responder. É por isso que a análise de óleo e a medição de vibração tendem a achar problemas antes das inspeções sensoriais.

2. Existe tempo entre o sinal e a falha

Segundo, o tempo de P até F, o intervalo P-F, precisa ser longo o bastante para inspecionar, pedir peças, parar a máquina e consertar. Se o intervalo P-F é curto, uma inspeção mensal deixa passar o aviso e a máquina falha do mesmo jeito.

Uma regra prática comum é inspecionar em intervalos menores que a metade do intervalo P-F, para ter mais de uma chance de captar o sinal. Se o intervalo P-F é extremamente curto, passe para o monitoramento contínuo ou escolha um método diferente da CBM.

3. O monitoramento se paga

Terceiro, a conta precisa fechar. Some o custo de instalar sensores, armazenar dados e as horas das pessoas que analisam os dados. Se o total passar das perdas evitadas e dos custos de troca economizados, a CBM faz pouco sentido.

Se você estender o monitoramento contínuo a motores pequenos ou a equipamentos com reserva, o próprio sistema de monitoramento pode virar uma carga de manutenção. Aplique o monitoramento avançado primeiro aos equipamentos que você menos pode perder e vá descendo a partir daí.

Como escolher o tipo de manutenção: quatro perguntas em ordem

Transforme os pontos acima em um procedimento para cada máquina ou componente e você chega à sequência abaixo. Faça as perguntas de cima para baixo; o primeiro "sim" define o método.

Figura 6: Ordem de decisão para escolher o tipo de manutenção

Desça a partir da pergunta de cima. O primeiro "sim" define o método.

P1 Alguma lei ou norma regulamentadora define o intervalo de inspeção?Sim → TBM no intervalo legal. Você pode somar a CBM por cima
Não
P2 O impacto na produção, na segurança e na qualidade é pequeno se ele parar?Sim → BM, com sobressalentes e procedimento de recuperação prontos
Não
P3 É possível medir sinais de degradação, com tempo antes da falha?Sim → CBM. Inspecione em menos da metade do intervalo P-F
Não
P4 Dá para prever a vida aproximada por horas ou ciclos?Sim → TBM, por intervalos de calendário ou horas de operação
Não
Considere manutenção de melhoria ou mudança de projetoAltere o projeto para a falha ser menos provável. Inclua verificações periódicas de funcionamento para achar falhas ocultas

Falhas que possam ferir pessoas ou prejudicar o meio ambiente nunca contam como "impacto pequeno" na P2.

P1: os intervalos exigidos por lei vêm primeiro

Verifique primeiro a legislação. No Japão, por exemplo, a Portaria de Segurança de Guindastes (Ordinance on Safety of Cranes) exige inspeção periódica voluntária (autoinspeção) dos guindastes pelo menos uma vez por ano e uma vez por mês. Pela Portaria de Segurança e Saúde Industrial (Ordinance on Industrial Safety and Health), as empilhadeiras precisam de uma autoinspeção específica (特定自主検査, tokutei jishu kensa) em intervalos de no máximo um ano e de uma autoinspeção periódica em intervalos de no máximo um mês.

Para esse tipo de equipamento, você inspeciona no intervalo legal, não importa o quão boa seja a condição. A CBM pode ser somada às inspeções legais, mas não as substitui. No Brasil, as Normas Regulamentadoras (NR) estabelecem requisitos próprios de inspeção e manutenção para certos equipamentos. Entre elas, a NR-13 (caldeiras, vasos de pressão, tubulações e tanques metálicos), a NR-11 (transporte e movimentação de materiais, como empilhadeiras e pontes rolantes) e a NR-12 (segurança em máquinas e equipamentos). Confirme o texto vigente e o que se aplica à sua planta com o SESMT antes de alterar qualquer intervalo.

Em alguns casos, porém, um monitoramento melhor pode justificar intervalos legais mais longos. Segundo a High Pressure Gas Safety Institute of Japan (KHK), uma unidade com "super certificação" pela Lei de Segurança de Gases de Alta Pressão do Japão pode definir seu próprio período de operação contínua de até oito anos, contra períodos como quatro anos nas unidades com certificação comum. Um dos requisitos adicionais da super certificação é adotar novas tecnologias, como IoT e big data.

P2: impacto baixo? Escolha BM

Em seguida, veja o que acontece quando o equipamento para. O guia de RCM da NASA trata a operação até a falha (manutenção reativa) como uma decisão deliberada, aceitável para alguns equipamentos. Entre os exemplos estão motores elétricos não críticos abaixo de 7,5 hp (cerca de 5,5 kW), climatização de conforto, exaustores de banheiro, pequenos aquecedores de água de baixa temperatura e outros itens cujas consequências de falha são desprezíveis.

Numa fábrica, os candidatos incluem o ar-condicionado do escritório, bombas pequenas com reserva e a iluminação. Se a inspeção e a troca preventivas custarem mais do que consertar o item depois que quebrar, a BM é a escolha racional.

P3 e P4: sinais mensuráveis indicam CBM, vida previsível indica TBM

Para equipamentos de grande impacto, aplique as três condições da CBM da seção anterior. Se você consegue medir os sinais e o intervalo P-F deixa margem suficiente, use CBM. Se a degradação avança com o uso, como o desgaste, de modo que dá para prever a vida aproximada, use TBM. Quando as duas valem, a CBM desperdiça menos peças.

Nenhuma das anteriores: melhore o projeto

Se uma falha não dá aviso e o momento dela não pode ser previsto, nenhum método de manutenção resolve; é o equipamento que precisa mudar. A manutenção de melhoria (改良保全, kairyo hozen) revisa materiais ou estrutura, e a prevenção da manutenção (保全予防, hozen yobo) leva as lições para o projeto da próxima máquina.

Algumas falhas são ocultas. Dispositivos de segurança e sistemas reserva normalmente ficam parados, então a falha passa despercebida até que eles sejam necessários. Para esses casos, programe verificações periódicas que confirmem que eles realmente funcionam. Para listar sistematicamente os modos de falha e seus efeitos, use o FMEA.

Combinando métodos por criticidade e componente

Fileira de bombas centrífugas e motores em uma casa de bombas de fábrica

Mesmo com uma ordem de decisão, analisar uma a uma todas as máquinas da planta dá muito trabalho. O caminho comum é classificar os equipamentos por criticidade, definir um método padrão para cada classe e só descer ao nível de componente nas máquinas críticas. A própria classificação de criticidade é tratada no artigo sobre o fluxo de manutenção nas fábricas japonesas.

Figura 7: Exemplo de classes de criticidade e tipos de manutenção

Defina o padrão pela criticidade e acompanhe mais de perto a condição dos equipamentos críticos.

Classe A
Principalmente CBM + TBMSe parar, para a linha inteira, ou afeta diretamente a segurança ou a qualidade. Monitore a condição dos componentes principais, troque os consumíveis por tempo e mantenha sobressalentes à mão
Classe B
Principalmente TBM + inspeção sensorialA parada causa perdas, mas existe uma alternativa ou tempo para recuperar. Baseie o plano em inspeção periódica e troca programada, e pegue as anormalidades nas inspeções diárias
Classe C
BMPouco impacto se parar e é rápido de consertar ou trocar. Mantenha reservas e um procedimento de reparo prontos e conserte rápido quando quebrar

Cada fábrica define seu número de classes e seus critérios. Um artigo da InTech (ISA) dá uma distribuição aproximada: cerca de 10–20% dos ativos com criticidade alta, 20–30% média e 40–60% baixa.

Defina o padrão pela classe de criticidade

Os critérios típicos de classificação incluem:

  • Impacto na produção quando o equipamento para
  • Impacto na segurança e no meio ambiente
  • Impacto na qualidade
  • Tempo e custo de reparo
  • Existência de um equipamento reserva

As fábricas costumam pontuar cada critério e somar os pontos. O objetivo é concentrar o esforço e o dinheiro da manutenção nos equipamentos mais críticos. Se toda máquina recebe o mesmo nível de inspeção, as críticas ficam com atenção de menos.

Uma máquina, métodos diferentes por componente

Mesmo uma máquina de Classe A acaba com uma mistura de métodos quando você a divide em componentes. Um conjunto bomba-motor poderia ficar assim:

  • Rolamentos: CBM com base em medição de vibração
  • Correias em V e gaxetas: TBM, trocadas em intervalo fixo
  • Lâmpadas indicadoras: BM, trocadas quando queimam

Em vez de rotular a máquina inteira como "CBM", atribua um método a cada componente conforme a forma como ele realmente falha. Você desperdiça menos dinheiro e esforço.

O que o equipamento em BM ainda precisa

Escolher a BM não significa não fazer nada. Para consertar rápido quando o equipamento falhar, deixe prontos:

  • Sobressalentes em estoque
  • Um procedimento de reparo
  • Uma estimativa do tempo de troca

Registre sempre cada falha. Se a mesma máquina continua falhando, a premissa de que o impacto é pequeno deixou de valer, e é hora de revisar a classe ou o método.

Revisando seus tipos de manutenção: cinco passos e erros comuns

Pasta de registros de inspeção, prancheta e um rolamento sobressalente em caixa sobre a mesa de um escritório de manutenção

Os tipos de manutenção não são definidos uma vez e esquecidos. Você os ajusta conforme chegam os dados de falha. Para revisar um plano de manutenção existente, siga cinco passos.

Figura 8: Cinco passos para revisar os tipos de manutenção

Comece por um inventário dos equipamentos e continue ajustando métodos e intervalos com base nos resultados.

Entender a situação atual
01Organizar o cadastro de equipamentosListe cada máquina e componente com o método e o intervalo atuais
02Avaliar a criticidadePontue produção, segurança, qualidade, tempo de reparo e assim por diante, e atribua as classes
03Analisar o histórico de falhasDescubra quais componentes falham e como
Atribuir métodos e rodar o ciclo
04Atribuir métodos e intervalosSiga a ordem de decisão para definir método, intervalo e critérios de cada componente
05Revisar com base nos resultadosRegistre as falhas e o estado das peças trocadas e ajuste intervalos e limites

Você não precisa revisar todas as máquinas de uma vez. O caminho prático é começar pelos equipamentos de Classe A.

No passo 5, o dado mais útil é o registro do estado de cada peça que você trocou. Se as peças trocadas na TBM ainda têm bastante vida, você pode alongar o intervalo. Se já estavam danificadas na hora da troca, encurte o intervalo ou considere passar para a CBM.

Três erros aparecem várias vezes nessas revisões:

  • Tentar colocar tudo em CBM: sensores vão parar em equipamentos de baixo impacto e em modos de falha que não dão aviso, e a carga de monitoramento só cresce
  • Manter intervalos de TBM sem fundamento: a recomendação do fabricante ou o ajuste de um antecessor continua em uso sem mudança, e a manutenção em excesso e os problemas não detectados ficam sem correção
  • Não preparar o equipamento em BM: sem sobressalentes nem procedimento, uma falha pequena vira uma parada longa

O primeiro erro ficou mais comum com a difusão da IoT. A falta de mão de obra e o envelhecimento dos equipamentos levaram muitas empresas ao monitoramento da condição. Mantenha o objetivo à vista: reduzir o custo combinado das perdas por falha e da manutenção, e não monitorar por monitorar. As paradas não planejadas também aparecem como perdas por quebra no OEE.

O guia de RCM da NASA chama de manutenção centrada em confiabilidade a abordagem de combinar métodos com base em como o equipamento falha e quais são as consequências. Ele afirma que um programa de RCM equilibrado costuma reduzir o orçamento anual de manutenção em 30–50%. Os resultados variam conforme a instalação e o equipamento, mas o número mostra que reescolher os tipos de manutenção é, por si só, uma forma de cortar custo.

Termos japoneses de manutenção: referência rápida

A tabela relaciona cada termo japonês ao romaji, ao nome em português e ao uso mais comum no Brasil.

JaponêsRomajiPortuguês / sigla
予防保全yobo hozenManutenção preventiva (na JIS, inclui TBM e CBM; no uso brasileiro, "preventiva" costuma significar só a manutenção por tempo)
時間計画保全 / 時間基準保全jikan keikaku hozen / jikan kijun hozenManutenção baseada no tempo (TBM); "scheduled maintenance" na IEC 60050-192
定期保全teiki hozenManutenção periódica (por calendário), um tipo de TBM
経時保全keiji hozenManutenção por tempo de uso (por horas de operação), um tipo de TBM
状態基準保全 / 状態監視保全jotai kijun hozen / jotai kanshi hozenManutenção baseada na condição (CBM); no Brasil, em geral chamada de preditiva
予知保全yochi hozenManutenção preditiva (no Japão, muitas vezes usada de forma solta para CBM)
事後保全jigo hozenManutenção corretiva (BM); a corretiva decidida de antemão é a corretiva planejada
改良保全kairyo hozenManutenção de melhoria (no TPM, muitas vezes abreviada como CM; não é o mesmo que "corrective maintenance")
保全予防hozen yoboPrevenção da manutenção (MP)
日常点検nichijo tenkenInspeção diária, muitas vezes feita pelos operadores
五感点検gokan tenkenInspeção sensorial (ver, ouvir, tocar, cheirar)
O uso difere entre empresas. Quando um termo importa para uma decisão, confirme o que o seu interlocutor quer dizer com ele.

Checklist: antes de mudar um método ou intervalo de manutenção

  • O intervalo é definido por lei ou norma (no Japão ou no Brasil, como em uma NR)? Se for, mantenha-o e some a CBM só por cima.
  • Você sabe por que o intervalo atual foi escolhido (recomendação do fabricante, histórico de falhas, um incidente passado)?
  • O que acontece se este componente falhar: parada de produção, risco à segurança ou ao meio ambiente, escape de qualidade?
  • O modo de falha dá um aviso mensurável (vibração, temperatura, estado do óleo, corrente)?
  • O intervalo P-F é longo o bastante para inspecionar em menos da metade dele, pedir peças e programar o reparo?
  • A peça se degrada em proporção às horas ou aos ciclos, de modo que sua vida é razoavelmente previsível?
  • O monitoramento custaria menos do que as perdas e os custos de troca que ele evita?
  • Nos itens operados até a falha: há sobressalentes, procedimento de reparo e estimativa do tempo de reparo?
  • Você vai registrar o estado das peças trocadas, para a próxima revisão ter dados?

Perguntas para fazer ao lado japonês

Use estas perguntas quando o plano de manutenção vier da matriz japonesa ou do fabricante do equipamento, ou quando você quiser alterá-lo:

  • Quais itens deste plano são TBM, quais são CBM e quais são BM por projeto?
  • Para cada intervalo de TBM, qual é a base: recomendação do fabricante, dados de falha ou lei?
  • Quais inspeções são exigidas por lei no Japão, e a mesma exigência vale na nossa planta ou só a legislação brasileira (as NR)?
  • Quando vocês dizem "yochi hozen", querem dizer previsão por tendência ou verificações de condição em geral?
  • Para os itens em CBM, quais são os pontos de medição, os métodos e os limites que disparam o serviço?
  • Quais equipamentos são Classe A na fábrica-mãe, e que critérios os colocaram lá?
  • Se alongarmos um intervalo com base no estado das peças trocadas, quem aprova a mudança, e isso afeta a garantia do equipamento?

Limites deste guia

  • As porcentagens dos padrões de falha vêm de estudos de aeronaves e navios. Elas mostram uma tendência, não valores aplicáveis diretamente a equipamentos de fábrica.
  • A redução de 30–50% no orçamento é uma afirmação da NASA sobre programas de RCM em instalações. Seus resultados dependem da planta e do ponto de partida.
  • Os exemplos legais japoneses (guindastes, empilhadeiras, gás de alta pressão) valem no Japão. No Brasil, siga a legislação local e as NR vigentes, e fale com o SESMT antes de mudar qualquer intervalo ligado a exigência legal.
  • A descrição da NBR 5462 neste texto vem de fontes secundárias. Confira o texto oficial da norma, e se há versão mais recente, no catálogo da ABNT.
  • Classes de criticidade, critérios e termos de manutenção diferem entre empresas e setores. Trate os exemplos de classe como ponto de partida, não como padrão.
  • Este artigo explica como escolher métodos de manutenção. Não é uma instrução de trabalho; siga as regras de bloqueio e etiquetagem e de segurança da sua planta em qualquer serviço real de manutenção.

Resumo

  • A manutenção se divide em preventiva e corretiva (BM). A preventiva abrange a TBM (por tempo) e a CBM (por condição).
  • A TBM é fácil de planejar, mas tende à manutenção em excesso. A CBM desperdiça menos, mas exige um jeito de medir a condição e critérios de decisão claros.
  • A maioria das falhas não está ligada à idade, então a troca em intervalo fixo, sozinha, não consegue evitá-las.
  • Escolha nesta ordem: exigências legais, impacto da falha, sinais de alerta mensuráveis, vida previsível.
  • Defina um padrão por classe de criticidade, atribua métodos por componente nos equipamentos críticos e continue revisando com dados reais.

Escolher a combinação certa começa por conhecer o equipamento e a forma como ele falha.

FAQ

Qual é a diferença entre TBM e CBM?

A TBM (manutenção baseada no tempo) faz o serviço ou troca peças em intervalos fixos de calendário ou de horas de operação. A CBM (manutenção baseada na condição) age apenas quando medições ou inspeções mostram sinais de degradação. As duas são manutenção preventiva; o que muda é o gatilho do serviço.

CBM é a mesma coisa que manutenção preditiva?

Quase, mas não exatamente. A CBM cobre qualquer manutenção baseada na condição medida, inclusive as verificações do operador. A manutenção preditiva costuma significar usar dados de monitoramento para prever quando a falha vai ocorrer, por isso é melhor vista como uma forma avançada de CBM. No Brasil, "preditiva" costuma ser usada para o monitoramento da condição em geral, e as fábricas japonesas usam 予知保全 (yochi hozen) de forma solta para ambos.

Quando a manutenção corretiva (operar até a falha) é aceitável?

Quando uma falha tem pouco efeito na produção, na segurança e na qualidade, e o trabalho preventivo custaria mais do que o reparo. O guia de RCM da NASA lista itens como motores não críticos abaixo de 7,5 hp, exaustores de banheiro e pequenos aquecedores de água. Mantenha sobressalentes e um procedimento de reparo prontos e nunca aplique isso a falhas que possam ferir pessoas ou o meio ambiente.

Com que frequência inspecionar na CBM?

Uma regra prática comum é inspecionar em intervalos menores que a metade do intervalo P-F, o tempo entre o primeiro sinal detectável e a falha funcional. Isso dá mais de uma chance de pegar o problema. Se o intervalo P-F for muito curto, use monitoramento contínuo ou outro método.

A CBM exige sensores?

Não. A JIS Z 8115 observa que a condição pode ser avaliada pela observação programada do operador, além do monitoramento da condição. Inspeções diárias de ruído ou calor anormal, com uma regra clara de "acionar a manutenção quando", contam como CBM. Os sensores compensam em equipamentos críticos, nos quais detectar mais cedo vale o custo.

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Sobre a redação

Redação do MONOSCOPEFOUNDER & EDITOR

Cerca de dez anos de atuação em um fabricante de equipamentos industriais e em uma empresa de engenharia de plantas, com propostas, projeto e comissionamento de equipamentos, seguidos da migração para o marketing digital. Hoje presta consultoria web a fabricantes B2B, ajudando-os a explicar com clareza seus produtos e tecnologias. Possui as licenças nacionais japonesas de Energy Manager e de Engenheiro-Chefe de Eletricidade de Terceira Classe.

Mantém um blog de engenharia desde 2017 (mais de 500 artigos) e um canal no YouTube em japonês com cerca de 20 mil inscritos. Cada guia é escrito do ponto de vista do chão de fábrica japonês e conferido com as normas citadas.

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