CLP Mitsubishi, Keyence, Omron ou Siemens: como escolher

Chega uma máquina nova de um fabricante japonês. No painel elétrico há um CLP Mitsubishi MELSEC, os desenhos o chamam de "sequencer" (shīkensa), e o padrão da sua fábrica é Siemens ou Allen-Bradley. Ou então você está prestes a encomendar uma linha do Japão e o fabricante pergunta qual controlador você quer. Nos dois casos a pergunta é a mesma: o que você realmente está escolhendo ao definir a marca do CLP?
A resposta curta: escolher o fabricante do CLP é escolher um pacote de software, uma rede industrial, os dispositivos que podem se conectar a ela e as pessoas que sabem programar e consertar o sistema. O desempenho da CPU pesa menos do que esse conjunto. As perguntas decisivas costumam ser: qual marca as suas linhas e os seus clientes já usam, em qual rede os seus servos e sensores se comunicam e quem vai escrever e manter o programa.
Este guia compara quatro fabricantes importantes de CLP, três japoneses e um alemão: Mitsubishi Electric, Keyence, Omron e Siemens. Ele cobre séries atuais, software de programação, redes e linguagens, com base nas informações oficiais de cada fabricante em outubro de 2026. Em seguida apresenta seis critérios de escolha, três cenários fictícios, um passo a passo, os pontos de normas e segurança para quem opera no Brasil e uma lista de perguntas para enviar ao fabricante japonês.
Sumário
- Por que a marca pesa mais do que a CPU
- Mitsubishi, Keyence, Omron e Siemens lado a lado
- Os quatro fabricantes: séries atuais e pontos de atenção
- Redes e linguagens: onde as marcas realmente diferem
- Seis critérios para escolher o fabricante do CLP
- Exemplos de cenários: aplicando os seis critérios
- Como conduzir a escolha: seis passos
- Normas e segurança no Brasil: o que conferir junto com o CLP
- Perguntas para fazer ao fabricante de máquinas japonês
- Limites deste guia
- Perguntas frequentes
- Fontes
Por que a marca pesa mais do que a CPU
O CLP (controlador lógico programável, PLC em inglês) recebe sinais de sensores e chaves e aciona motores e válvulas de acordo com o programa. Todas as marcas funcionam, em essência, da mesma forma: leem as entradas, executam a lógica, escrevem as saídas e repetem esse ciclo de varredura (scan) em alta velocidade.
O que muda de um fabricante para outro é tudo o que vem junto com o CLP. Ao escolher a marca, você praticamente já escolheu o software de programação, a rede, a faixa de dispositivos compatíveis, os técnicos que conhecem a plataforma e a facilidade de conseguir peças de reposição.
O ecossistema ao redor pesa mais na decisão do que o desempenho da CPU.
Quais fatores pesam mais depende do porte da fábrica e do destino do equipamento.
A norma internacional para linguagens de programação de CLP, a IEC 61131-3, define cinco linguagens, entre elas o diagrama ladder e o texto estruturado (ST). Todos os grandes fabricantes afirmam que o seu software está em conformidade com ela.
Conformidade com a norma não significa que dá para levar um programa de uma marca para outra. Cada software tem o seu formato de projeto, a sua sintaxe de instruções e a sua forma de configurar o hardware; por isso, trocar de marca equivale, na prática, a reescrever o programa. Esse custo de troca é o motivo de a compatibilidade com os equipamentos existentes pesar tanto.
Mitsubishi, Keyence, Omron e Siemens lado a lado
A tabela abaixo reúne, para cada fabricante, as séries atuais, o software, as redes padrão e as linguagens, com base nas informações dos sites oficiais em outubro de 2026.
Cada fabricante combina a sua série com software e rede próprios.
Resumo da MONOSCOPE a partir do site oficial de cada fabricante. As redes e linguagens compatíveis variam conforme o modelo; confira o catálogo e os manuais antes de decidir.
Reduzida ao que pesa na decisão, a comparação entre os quatro fica assim:
| Mitsubishi Electric | Keyence | Omron | Siemens | |
|---|---|---|---|---|
| Marca | MELSEC | Série KV | SYSMAC | SIMATIC |
| Principais séries atuais | iQ-R, iQ-F | KV-X, KV-8000 | NJ, NX | S7-1500, S7-1200 G2 |
| Software | GX Works3 | KV STUDIO | Sysmac Studio | TIA Portal |
| Rede principal | CC-Link IE | EtherNet/IP, EtherCAT | EtherCAT, EtherNet/IP | PROFINET |
| Costuma entrar na lista quando | As linhas existentes em fábricas japonesas já usam MELSEC | Rastrear a causa de falhas na máquina é prioridade | Uma máquina multieixos deve ser feita em um único ambiente de software | O padrão corporativo do cliente é SIMATIC |
Os quatro oferecem uma linha para sistemas grandes e outra compacta, e todos aceitam ladder e ST. As diferenças reais são a rede padrão e o software. A Mitsubishi se concentra na CC-Link IE, a Omron na EtherCAT e a Siemens na PROFINET, enquanto a Keyence integra EtherNet/IP e EtherCAT no KV-X.
A figura a seguir mostra onde os pontos fortes de cada fabricante costumam aparecer. Leia-a como "condições em que a marca costuma entrar na lista de candidatas", e não como um ranking.
Os quatro cobrem uma ampla gama de aplicações e muitas vezes são escolhidos fora destes cenários.
Tendências gerais reunidas pela MONOSCOPE, não um ranking de nenhum fabricante.
Os quatro fabricantes: séries atuais e pontos de atenção
Esta seção trata da linha atual, do software e da abordagem de rede de cada fabricante. No chão de fábrica, séries antigas e descontinuadas convivem com as atuais, por isso o texto também indica qual é qual.
Mitsubishi Electric MELSEC
A Mitsubishi Electric vende seus CLPs como a série MELSEC. No Japão a empresa os chama de "sequencers" (shīkensa), e você verá essa palavra em desenhos, listas de peças e manuais japoneses; ela significa CLP. O site oficial da Mitsubishi lista a série iQ-R, núcleo da nova geração, e a série compacta iQ-F, junto com as séries mais antigas Q, L e F. Os controladores de segurança QS/WS e a longeva série A são classificados como descontinuados.
O iQ-R é um sistema modular (em blocos): você monta os módulos em uma base e, além da CPU de CLP padrão, pode escolher CPUs de movimento e controladores em linguagem C. O iQ-F é uma unidade tudo-em-um que reúne fonte, CPU, E/S, Ethernet e slot para cartão SD, com contadores de alta velocidade e posicionamento integrados.
O software se divide por geração: GX Works3 para iQ-R e iQ-F, e GX Works2 para as séries Q, L e F. O GX Works3 segue a IEC 61131-3 e permite programação modular e estruturada. As redes principais da Mitsubishi são a CC-Link IE TSN e a CC-Link IE Field. A CC-Link IE TSN usa a tecnologia TSN (Time-Sensitive Networking) para sincronização de tempo e agendamento de banda, e é promovida como padrão aberto pela CC-Link Partner Association (CLPA).
Se o seu equipamento japonês usa um CLP da série Q ou L, confira as datas de descontinuação. As duas séries ainda constam do site da Mitsubishi, mas a descontinuação foi anunciada modelo a modelo, principalmente para os módulos de CPU. Segundo a lista japonesa de produtos descontinuados da Mitsubishi e o boletim técnico FA-A-0418-A, alguns modelos Universal da série Q (como Q03UDCPU e Q06UDHCPU) deixaram de receber pedidos em 30 de setembro de 2026, encerram a produção em 30 de outubro de 2026 e terão reparo até 31 de outubro de 2033. Modelos como o Q03UDVCPU têm o fim de produção previsto para 2029. As CPUs da série L, incluindo L02CPU, L06CPU e L26CPU, têm o fim de produção previsto para 29 de outubro de 2027. A Mitsubishi indica CPUs iQ-R entre as substituições recomendadas.
As datas podem variar por região: um aviso europeu de fim de vida para as mesmas CPUs da série Q traz uma data de última compra (last-time-buy) anterior. Confirme as datas que valem para o seu canal de fornecimento no Brasil com a Mitsubishi Electric ou com o seu distribuidor.
Keyence série KV
Os CLPs da Keyence são a série KV, e os modelos principais hoje são o KV-X e o KV-8000. O KV-X usa uma CPU quad-core, e a Keyence informa que o tempo de varredura (scan time) é cerca de 7,8 vezes mais rápido que o da geração anterior. A linha de CPUs inclui os KV-X550, X530 e X520, que diferem no número de eixos suportados, e o KV-X500, que não tem EtherCAT.
O KV-X tem EtherNet/IP e EtherCAT integrados e aceita OPC UA (padrão para conectar equipamentos a sistemas de TI) de série. Ele se conecta à CC-Link IE Field e à PROFINET por meio da unidade Ethernet KV-XLE02. O KV-8000 tem EtherNet/IP integrado e alcança EtherCAT, PROFINET e CC-Link IE Field com unidades como a KV-XLE02.
O software é o KV STUDIO, que aceita ladder e ST em conformidade com a IEC 61131-3. Para o KV-8000, a Keyence também lista ladder estendido, KV Script e mnemônico como linguagens de programação. A empresa destaca recursos que encurtam a partida e a manutenção, como uma função de gravador de eventos (drive recorder) que registra e reproduz o comportamento da máquina antes e depois de uma falha.
A Keyence também vende de outro jeito. A empresa diz manter um modelo de vendas diretas em todo o mundo, sem distribuidores, de modo que compras e dúvidas técnicas vão para o seu representante comercial da Keyence. Se a sua fábrica compra componentes de automação de vários fabricantes por meio de um único distribuidor, verifique cedo como a compra de peças Keyence vai se encaixar nesse processo.
Omron SYSMAC
Os controladores da Omron levam a marca SYSMAC, e o núcleo atual é a série NJ/NX, que a Omron chama de controladores de automação de máquinas (machine automation controllers). O NJ (NJ5/NJ3/NJ1) é um controlador modular, e a linha NX inclui NX7, NX5, NX1 e o compacto NX1P. O número de escravos EtherCAT e de eixos sincronizados varia conforme o modelo. Os controladores NJ/NX trazem portas EtherCAT e EtherNet/IP de série, e alguns modelos aceitam OPC UA.
O software é o Sysmac Studio. Além do controlador, ele configura e programa servos, inversores, IHMs, sensores de visão e dispositivos de segurança em um único ambiente. Segue a IEC 61131-3 e aceita ladder, ST e blocos de função, e as suas instruções de movimento se baseiam nas especificações da PLCopen (organização que padroniza o controle de movimento).
A série compacta CP (como o CP2E) usa o software mais antigo, o CX-Programmer, que faz parte do pacote CX-One. Tenha essa divisão em mente ao decidir qual família Omron adotar como padrão.
Siemens SIMATIC
A fabricante alemã Siemens vende seus controladores sob a marca SIMATIC. O núcleo atual é o S7-1500, de alto desempenho, e o S7-1200 G2, para automação básica. A Siemens também oferece controladores distribuídos, como o ET 200SP CPU, o S7-1500 R/H redundante, controladores em software que rodam em PCs industriais e o CLP virtual S7-1500V. Em abril de 2024, a Siemens anunciou o S7-1200 G2 como a primeira nova geração de controladores em dez anos, com entregas previstas a partir do inverno de 2024 (hemisfério norte).
Todas as CPUs S7-1500 têm controle de movimento e PROFINET integrados. As linguagens suportadas são LAD (ladder), FBD, SCL (equivalente ao ST), GRAPH (equivalente ao SFC) e STL. O software é o TIA Portal. A sua ferramenta de programação de CLP, o STEP 7, vem nas edições Professional, que cobre todas as gerações de controladores SIMATIC, e Basic, mais barata e com menos funções. As ferramentas de programação de segurança estão integradas à interface do STEP 7, e a Siemens enfatiza o tratamento de controladores, IHMs e acionamentos em um único projeto.
Fique atento também aos equipamentos Siemens mais antigos. A Siemens anunciou em outubro de 2023 o phase-out do longevo S7-300, informando que ele poderia ser pedido como produto novo por cerca de mais dois anos antes de passar ao status de peça de reposição. Segundo o aviso republicado por um distribuidor, os pedidos de produto novo terminaram em 1º de outubro de 2025, e as peças de reposição serão fornecidas pelo menos até 1º de outubro de 2033. A página de produto da própria Siemens também indica que o S7-300 está disponível até 2033. Se algum equipamento importado na sua fábrica ainda roda com S7-300, planeje a sua atualização com base nesse prazo das peças de reposição.
Outros fabricantes de CLP que você pode encontrar
Muitos outros fabricantes são usados no mundo todo. Dependendo do padrão da planta norte-americana, do padrão do cliente, do controle baseado em PC ou da linhagem dos equipamentos existentes, os seguintes costumam aparecer. No Brasil, conforme a região e o cliente, também é comum encontrar CLPs de fabricantes como Schneider Electric e WEG, que não são tratados neste guia.
O padrão do cliente ou o destino do equipamento também pode impor esses fabricantes.
Apenas exemplos. A Panasonic informa que os programas não são compatíveis entre o FPWIN GR7 e o FPWIN Pro7.
Redes e linguagens: onde as marcas realmente diferem
Como mostra a tabela comparativa, a rede industrial é o ponto em que as marcas mais se diferenciam. Um CLP raramente trabalha sozinho: ele se conecta por rede a servoacionamentos, E/S remotas, IHMs e controladores de robô para formar uma máquina.
Os padrões são abertos, mas cada fabricante decide qual deles integrar.
Adicionar uma unidade de rede ou um gateway às vezes permite conectar o CLP a uma rede que ele não tem integrada. Verifique o suporte modelo a modelo.
A rede importa porque define quais dispositivos você pode conectar. É comum os engenheiros trabalharem de trás para frente: verificam quais redes os servos, robôs e sensores desejados aceitam e só então escolhem o CLP.
Quanto às linguagens, todos os fabricantes aceitam ladder e ST, mas nem todos aceitam as cinco linguagens da IEC 61131-3 do mesmo modo. A Siemens cobre o equivalente às cinco sob nomes próprios, como SCL e GRAPH, e a Fuji Electric e o FPWIN Pro7 da Panasonic declaram explicitamente o suporte às cinco. Outros acrescentam sintaxe própria, como o KV Script da Keyence.
Nem o ladder é universal. A notação das instruções e os nomes dos dispositivos (áreas de memória) mudam de fabricante para fabricante. Um técnico que lê ladder com fluência ainda precisará de tempo para se sentir à vontade no software de outra marca, e isso deve entrar no planejamento.
Seis critérios para escolher o fabricante do CLP

Com base nas diferenças acima, estes são seis critérios para verificar ao escolher um fabricante ou ao decidir se aceita a marca proposta por um fabricante de máquinas japonês. Quais vêm primeiro depende da sua empresa e da máquina.
Os critérios que nunca aparecem na tabela de especificações do catálogo são os que determinam o esforço depois da instalação.
1. Equipamentos existentes e padrões do cliente
A compatibilidade com os equipamentos existentes é o que mais pesa. Quando as linhas de uma fábrica compartilham o mesmo fabricante, fica mais fácil dividir peças de reposição, treinar a manutenção e reaproveitar programas. Em setores como o automotivo, a montadora que faz o pedido pode indicar o fabricante do CLP e a rede na especificação da máquina.
Fabricantes de máquinas e integradores de sistemas muitas vezes precisam atender a vários fabricantes para acompanhar a especificação de cada cliente. Por isso o ponto de partida é o padrão do cliente, e não apenas a preferência do fabricante da máquina. Se a sua fábrica tem um padrão, registre-o na especificação para que o fabricante possa se planejar.
2. Rede e compatibilidade de dispositivos
Em máquinas que combinam servos multieixos, robôs e sistemas de visão, escolher a rede é quase o mesmo que escolher o CLP. Dispositivos do mesmo fabricante costumam poder ser configurados em um único software. Ao misturar dispositivos de outras marcas, as redes que eles suportam passam a ser a restrição.
No projeto de painéis elétricos, o tipo de rede muda a fiação, os cabos e a configuração dos módulos. Quando os modelos dos periféricos estiverem definidos, liste as redes que cada um suporta e confronte as listas. Isso evita ter de acrescentar módulos depois.
3. Disponibilidade local e suporte
Quando o equipamento é enviado ao exterior, ou quando uma linha é replicada em uma fábrica de outro país, faça duas perguntas: dá para comprar as peças localmente e existe alguém para atender no idioma local?
Costuma-se dizer que a PROFINET é comum na Europa e a EtherNet/IP na América do Norte. Na prática isso varia conforme o cliente e a instalação; por isso, confirme a rede que cada fábrica realmente usa.
O fato de os prestadores de serviço locais conhecerem a marca também afeta a rapidez com que os problemas são resolvidos depois da partida. Defina de antemão quem cuidará das quebras no país de destino.
4. Usabilidade do software e licenciamento
Os engenheiros trabalham todos os dias no software de programação, e cada fabricante adota uma abordagem diferente quanto à facilidade de programar, à depuração, à simulação e ao trabalho em equipe. A comparação mais confiável é pedir que os técnicos que vão usá-lo testem versões de avaliação ou participem de seminários práticos.
Verifique também o modelo de licença. Alguns pacotes, como o Sysmac Studio da Omron e o STEP 7 da Siemens, vêm em várias edições conforme as funções ou o número de usuários. Peça uma cotação das licenças e das renovações de que você precisa antes de se comprometer, para que o orçamento não falte depois.
5. Competência técnica e treinamento
Os técnicos continuam alterando o programa do CLP muito depois da instalação, seja para modificações, seja para corrigir problemas. Se a sua manutenção, o integrador ou os prestadores locais já conhecem a marca, fica mais fácil atender a paradas no turno da noite.
Se for adotar uma marca nova, inclua no plano o tempo de cursos, de equipamentos de treinamento e de manuais. O quanto a equipe técnica do fabricante ou do distribuidor e os engenheiros de aplicação (FAE) vão apoiar também faz parte da comparação.
6. Ciclo de vida e disponibilidade de peças
Equipamentos de fábrica costumam funcionar por 10 ou 20 anos, e o modelo do CLP provavelmente será descontinuado nesse período. Muitos fabricantes continuam fornecendo peças de reposição por um tempo depois do fim das vendas, como a Siemens faz com o S7-300, mas esse prazo difere de modelo para modelo.
Na fase de escolha, verifique há quanto tempo a série foi lançada e se existem ferramentas e procedimentos de migração para um sucessor. Para os equipamentos existentes, consulte periodicamente os avisos de descontinuação publicados por cada fabricante.
Exemplos de cenários: aplicando os seis critérios

Os três cenários a seguir são fictícios. Eles não descrevem empresas ou projetos reais; servem apenas para mostrar como os seis critérios funcionam na prática.
"Escolher um CLP" significa verificar coisas diferentes primeiro, conforme a situação.
Todos os exemplos são fictícios e não representam resultados reais de escolha.
No cenário A, acompanhar as linhas existentes é o que mais reduz o trabalho de manutenção. Se o modelo existente já está perto da descontinuação, porém, pode ser melhor passar à série sucessora do mesmo fabricante.
No cenário B, a especificação do cliente costuma resolver a questão, e o fabricante da máquina precisa segui-la mesmo com um fabricante que normalmente não usa. Planeje o tempo de treinamento e garanta cedo o contato de suporte local. Se você é o cliente, é por isso que vale registrar o seu padrão na especificação.
No cenário C, você define primeiro os dispositivos e a rede e depois reduz os candidatos conforme o software que os atende melhor.
Como conduzir a escolha: seis passos
Comece pelas suas restrições, e não pela comparação de catálogos.
Comece pelas restrições e termine com testes práticos e a atualização do padrão da fábrica.
Em máquinas pequenas, os passos 01 a 03 podem ser feitos juntos, em pouco tempo.
No passo 4, converse com a equipe técnica do fabricante, com distribuidores ou tradings e com a área da sua empresa que gerencia os padrões de equipamentos. A situação de produção, os sucessores e os preços das licenças mudam, então confirme sempre as informações mais recentes com o canal de vendas. Este artigo resume informações oficiais de outubro de 2026 e não substitui essa verificação.
Registre por que você escolheu o fabricante. Quando alguém for substituir o equipamento anos depois, poder consultar o raciocínio facilita muito a próxima decisão.
Normas e segurança no Brasil: o que conferir junto com o CLP
A escolha da marca não resolve, por si só, as exigências brasileiras. Uma máquina importada do Japão e instalada no Brasil continua sujeita à NR-12 (Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos), e as funções de segurança (parada de emergência, intertravamento de portas, cortinas de luz) precisam atender ao que a norma e a análise de risco exigem.
Na prática, vale pedir ao fabricante da máquina que informe se as funções de segurança são executadas por um CLP de segurança ou por relés de segurança, qual categoria e qual nível de desempenho foram adotados (por exemplo, conforme a ABNT NBR 14153 e a ISO 13849-1) e quais documentos acompanham a máquina. O texto brasileiro da IEC 61131-3 é publicado pela ABNT, mas a edição vigente e a equivalência exata com a edição internacional devem ser confirmadas no catálogo da ABNT. Este guia não dá orientação de adequação à NR-12; para isso, consulte o SESMT e um profissional habilitado.
Perguntas para fazer ao fabricante de máquinas japonês
Quando um fabricante no Japão cota uma máquina, estas perguntas trazem a decisão do CLP à tona antes de o projeto ser fechado. Você pode copiá-las para a sua solicitação de cotação (RFQ) ou para a pauta da reunião de kickoff.
- Qual fabricante, série e modelo de CPU de CLP vocês pretendem usar? O modelo é atual e há alguma descontinuação anunciada?
- É possível construir a máquina com o nosso CLP padrão (fabricante e série)? Como isso mudaria o preço e o prazo?
- Qual rede liga o CLP aos servos, E/S remotas, IHMs e robôs? Ela pode se conectar à rede da nossa fábrica e isso exige alguma unidade ou gateway adicional?
- Em qual software e em qual versão o programa é escrito? Vocês entregarão o arquivo completo do projeto, com comentários em inglês ou português?
- Quais peças de reposição vocês recomendam manter em estoque e é possível comprá-las localmente, no Brasil?
- Quem cuida da solução de problemas depois da partida: a equipe de vocês, o escritório local do fabricante do CLP ou um parceiro local?
- Se o CLP for descontinuado, qual é o sucessor e quanto retrabalho a migração exigiria?
- As funções de segurança (NR-12) são feitas por CLP de segurança ou por relés de segurança? Quais documentos e laudos acompanham a máquina?
Lista de verificação rápida antes de aceitar a marca do CLP
- O fabricante e a série do CLP coincidem com o padrão da sua fábrica, ou a exceção foi aprovada
- A rede foi conferida em relação aos equipamentos existentes na fábrica e aos dispositivos da máquina
- Licenças do software de programação disponíveis, com a edição e o número de licenças corretos
- Técnicos na empresa ou em um integrador local capazes de manter o programa
- Fornecimento local de peças e contato de suporte confirmados no Brasil
- Situação de descontinuação da CPU e dos módulos principais confirmada para a sua região
- Código-fonte do programa, comentários e manuais incluídos no escopo da entrega
- Documentação das funções de segurança recebida e revisada pelo SESMT
Limites deste guia
- As informações sobre séries, software e redes resumem os sites oficiais de cada fabricante em outubro de 2026. O suporte difere por modelo; confira catálogos e manuais.
- As datas de descontinuação das séries Q e L da Mitsubishi vêm de informações japonesas da Mitsubishi. As datas em outras regiões, inclusive no Brasil, podem ser diferentes.
- Os cenários de "costuma entrar na lista quando" são tendências gerais, não um ranking nem uma recomendação.
- Qual marca é a melhor depende da sua fábrica, da máquina e dos padrões dos seus clientes.
- Os pontos sobre NR-12 e normas ABNT são apenas orientações de leitura; não substituem a análise de um profissional habilitado nem o texto vigente das normas.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre CLP e sequencer?
Não há diferença. "Sequencer" (shīkensa) é o nome que a Mitsubishi Electric usa no Japão para os seus CLPs, e nas fábricas japonesas as duas palavras são muitas vezes usadas como sinônimos. Um "sequencer" em um desenho japonês é um CLP.
Um programa de CLP pode ser convertido para outra marca?
Não diretamente. Mesmo quando os dois fabricantes seguem a IEC 61131-3, cada software tem o seu formato de projeto, a sua sintaxe de instruções e a sua configuração de hardware; portanto, mudar de marca equivale, na prática, a reescrever o programa.
A série Q da Mitsubishi ainda está disponível?
A série Q ainda consta do site da Mitsubishi, mas as datas de descontinuação foram anunciadas modelo a modelo, principalmente para os módulos de CPU. Antes de ampliar ou substituir um equipamento da série Q, confirme a situação de produção e a substituição recomendada pelo iQ-R com o seu canal de vendas local.
O que significa CLP?
Controlador lógico programável (PLC, em inglês). No Japão ele costuma ser chamado de "puroguramaburu kontorora" (controlador programável). Alguns fabricantes usam outros nomes: a Omron, por exemplo, vende a série NJ/NX como controladores de automação de máquinas.
Qual marca de CLP devo aprender primeiro?
Comece pela marca usada na sua fábrica ou pelos seus principais clientes, para aplicar de imediato o que aprender. Todos os fabricantes aceitam ladder e ST; depois de dominar o básico em uma marca, as outras ficam mais fáceis.
Fontes
As páginas dos fabricantes e das redes foram verificadas em 1º de outubro de 2026; o boletim técnico e o aviso europeu da Mitsubishi, a página do KV-XLE02 da Keyence e o comunicado da Siemens foram reverificados em 22 de outubro de 2026.
- Linha MELSEC, software e modelos descontinuados da Mitsubishi Electric: Mitsubishi Electric FA, "Sequencer MELSEC" (em japonês); Série MELSEC iQ-R (em japonês); Série MELSEC iQ-F (em japonês); MELSOFT GX Works3 (em japonês); MELSEC-Q: modelos descontinuados e substituições (em japonês); MELSEC-L: modelos descontinuados e substituições (em japonês); Mitsubishi Electric FA FAQ, CLPs compatíveis com o GX Works2 (em japonês)
- Descontinuação das CPUs da série Q (em inglês): Boletim técnico FA-A-0418-A da Mitsubishi Electric; Mitsubishi Electric Europe, aviso de fim de vida das QnUDCPU
- Keyence série KV: Keyence, "Série KV-X" (em japonês); Keyence, "Série KV-8000" (em japonês); Keyence, unidade Ethernet KV-XLE02; Keyence, "Modelo de negócios e pontos fortes" (em japonês)
- Omron SYSMAC: OMRON, "Machine Automation Controllers"; OMRON, "Sysmac Studio"; Omron Industrial Automation, "Controladores programáveis" (em japonês); Omron, "Características do Sysmac Studio" (em japonês); Omron FAQ, versões do CX-Programmer para CP2E/CP1 (em japonês)
- Siemens SIMATIC: Siemens, "SIMATIC Controllers"; Siemens, "SIMATIC S7-1500"; Siemens, "STEP 7 (TIA Portal)"; Comunicado de imprensa da Siemens, 16 de abril de 2024; Siemens Blog, "The Simatic S7 product family is getting upgrades" (22 de agosto de 2023); Aviso de phase-out do S7-300/ET 200M (republicado pela Conrad Automation)
- Outros fabricantes: Rockwell Automation, "CompactLogix 5380"; Beckhoff, "TwinCAT"; Fuji Electric, "SX-Programmer Expert (D300win)" (em japonês); Panasonic FAQ, diferenças entre o FPWIN GR7 e o FPWIN Pro7 (em japonês)
- Redes: CC-Link Partner Association, "CC-Link IE TSN" (em japonês); EtherCAT Technology Group, "EtherCAT Technology"; ODVA, "EtherNet/IP"; PROFIBUS & PROFINET International
Artigo original em japonêsEste guia se baseia em um artigo do MONOSCOPE escrito para leitores no Japão: PLCメーカー比較|三菱電機・キーエンス・オムロン・シーメンスの選び方


