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202626/10

NFB, MCCB e ELB: o que são nos disjuntores japoneses

Desenhos e especificaçõesAtualizado em 26/10/202622 min de leitura

Ao abrir os desenhos elétricos ou a lista de peças de uma máquina fabricada no Japão, é comum encontrar disjuntores identificados como NFB ou ELB, com especificações como "3P 225AF/150AT" ou "30mA". Em outros desenhos de painéis parecidos aparecem MCCB e ELCB. Não são quatro dispositivos diferentes: são dois tipos de dispositivo, cada um com dois nomes. NFB ou MCCB para um, ELB ou ELCB para o outro.

O NFB (no-fuse breaker, "disjuntor sem fusível") é um disjuntor de caixa moldada, o MCCB (molded case circuit breaker). Ele abre o circuito em caso de sobrecorrente, isto é, sobrecarga ou curto-circuito, para proteger cabos e equipamentos. O ELB (earth leakage breaker), também escrito ELCB, abre o circuito ao detectar corrente de fuga para a terra, para proteger as pessoas contra choque elétrico e evitar incêndios causados por fuga. Alguns ELBs também protegem contra sobrecorrente.

Este guia explica como cada um funciona, como ler a notação dos desenhos japoneses, por que os painéis japoneses colocam ELBs onde colocam e o que conferir antes de adquirir um substituto no Brasil.

Pontos-chave: NFB x ELB
  • NFB = MCCB. Nas normas japonesas é o haisen-yo shadanki (配線用遮断器, "disjuntor para fiação"). Ele desarma por sobrecarga e curto-circuito para proteger cabos e equipamentos
  • Na sobrecarga, um bimetal se curva com o calor e o disjuntor desarma depois de um tempo. No curto-circuito, um eletroímã o desarma instantaneamente
  • ELB = ELCB, o roden shadanki (漏電遮断器), que no Brasil corresponde ao DR (dispositivo diferencial-residual). Um transformador de corrente de sequência zero (ZCT) compara a corrente de ida e a de retorno para detectar a fuga. Para proteção contra choque, a prática japonesa pede o tipo de alta sensibilidade e alta velocidade (30 mA ou menos, 0,1 s ou menos)
  • Nos desenhos, "AF" é o ampere frame (tamanho da carcaça) e "AT" é o ampere trip (corrente nominal de atuação)
  • Um ELB com proteção de sobrecorrente faz os dois trabalhos em um só dispositivo. Um ELB só de fuga precisa de um NFB ou fusível a montante
  • Antes de trocar um disjuntor japonês, confira função, tensão nominal, frequência, capacidade de interrupção na sua tensão e a norma de ensaio (JIS/IEC x ABNT NBR IEC; UL 489 em máquinas vindas da América do Norte)
Sumário
  1. Consulta rápida: termos japoneses de disjuntores
  2. O que é um NFB (no-fuse breaker)?
  3. O que é um ELB (earth leakage breaker)?
  4. NFB x ELB: comparação lado a lado
  5. Como ler a notação de disjuntores em desenhos japoneses
  6. Por que os painéis japoneses usam ELBs onde usam
  7. Trocando um disjuntor japonês no Brasil: o que conferir
  8. Limites deste guia
  9. Resumo
  10. Perguntas frequentes
  11. Fontes

Consulta rápida: termos japoneses de disjuntores

Use esta tabela para ligar o rótulo de um desenho ou lista de peças japonesa ao dispositivo a que ele se refere. Os termos japoneses aparecem com a leitura em romaji.

Rótulo que você pode verO que éProtege contraNorma japonesaTermo internacional mais próximo (e uso no Brasil)
NFB (no-fuse breaker)Disjuntor de caixa moldada. "NFB" começou como o nome da Mitsubishi Electric para eleSobrecarga, curto-circuitoJIS C 8201-2-1MCCB (IEC 60947-2); no Brasil, disjuntor de caixa moldada
MCCB, 配線用遮断器 (haisen-yo shadanki)O mesmo dispositivo do NFB, com seu nome geral (MCCB) e seu nome formal em japonêsSobrecarga, curto-circuitoJIS C 8201-2-1MCCB (IEC 60947-2); no Brasil, disjuntor de caixa moldada
ELB, ELCB, 漏電遮断器 (roden shadanki)Disjuntor de fuga à terra. Muitos modelos também protegem contra sobrecorrenteFuga à terra; em muitos modelos, também sobrecorrenteJIS C 8201-2-2 (industrial)Dispositivo de corrente diferencial-residual (RCD); no Brasil, DR. Com proteção de sobrecorrente: disjuntor com proteção diferencial-residual (IEC 60947-2, Anexo B)
RCCBDisjuntor de fuga residencial sem proteção de sobrecorrenteSomente fuga à terraJIS C 8221RCCB (IEC 61008-1); no Brasil, IDR (interruptor diferencial-residual)
RCBODisjuntor de fuga residencial com proteção de sobrecorrenteFuga à terra, sobrecarga, curto-circuitoJIS C 8222RCBO (IEC 61009-1); no Brasil, disjuntor DR (DDR)
AFAmpere frame: tamanho da carcaça do disjuntor––Tamanho de carcaça (frame)
ATAmpere trip: corrente nominal em que o disjuntor está ajustado para atuar––Corrente nominal (In)
JIS = Japanese Industrial Standards (normas industriais japonesas). As normas JIS se baseiam nas normas IEC citadas, mas podem ter modificações japonesas. Por isso, "termo internacional mais próximo" não significa que os produtos sejam intercambiáveis. As normas ABNT NBR IEC correspondentes às IEC acima também devem ser conferidas na edição vigente.

O que é um NFB (no-fuse breaker)?

NFB significa No-Fuse Breaker, nome que a Mitsubishi Electric deu originalmente aos seus disjuntores de caixa moldada. O termo geral é MCCB (molded case circuit breaker), e a norma japonesa o chama de haisen-yo shadanki. Em outras palavras, "NFB x MCCB" não compara dois dispositivos: os dois rótulos descrevem o mesmo tipo de disjuntor.

O NFB faz o mesmo trabalho do disjuntor que desarma em casa quando aparelhos demais ligam ao mesmo tempo: ele protege cabos e equipamentos quando passa uma sobrecorrente anormal, por exemplo num curto-circuito.

A maioria dos NFBs combina duas formas de detectar sobrecorrente: um elemento térmico baseado em lâmina bimetálica e um elemento eletromagnético.

Figura 1: como um NFB reage à sobrecorrente

O NFB desarma depois de um tempo quando a sobrecorrente é moderada e instantaneamente quando a corrente é muito alta.

SOBRECARGAA corrente fica acima do valor nominalPor exemplo, equipamentos demais no mesmo circuito. Um bimetal se curva com o calor e o disjuntor desarma depois de um tempo (atuação temporizada)
CURTO-CIRCUITOUma corrente muito alta passa de uma só vezPor exemplo, condutores em contato. Um eletroímã puxa uma peça de ferro móvel e o disjuntor desarma instantaneamente (atuação instantânea)
Nos dois casos
O disjuntor abre automaticamente e evita que os cabos superaqueçam ou queimemEliminada a causa, o disjuntor pode ser rearmado pela alavanca e voltar a ser usado

Exemplo de MCCB termomagnético. A corrente e o tempo em que o disjuntor desarma dependem da curva de atuação de cada produto.

Pelo mecanismo de atuação, a Mitsubishi Electric divide seus NFBs em três tipos.

Figura 2: tipos de atuação do MCCB

Os tipos diferem na forma de detectar a sobrecorrente e de desarmar.

01TermomagnéticoDesarma com um bimetal e um eletroímã. O calor curva o bimetal na sobrecarga; o eletroímã atua no curto-circuito
02Hidráulico-magnéticoDesarma somente com um eletroímã (a Mitsubishi o chama de "totalmente magnético"). A viscosidade do óleo de silicone cria o atraso
03EletrônicoUm circuito eletrônico processa a corrente e desarma o disjuntor. Muitos modelos permitem ajustar a corrente nominal

Baseado na classificação da página de produto do no-fuse breaker da Mitsubishi Electric.

O projeto varia conforme o fabricante, mas em muitos disjuntores a alavanca para numa posição intermediária entre ON e OFF depois de um desarme por sobrecorrente. Essa posição indica que o disjuntor desarmou, e não que foi desligado manualmente. Nesses modelos, a alavanca precisa ir até OFF (posição de rearme) antes de poder ser ligada de novo. Rearmar com a causa ainda presente faz o disjuntor desarmar outra vez ou danifica os cabos, então a causa deve ser encontrada antes. Siga o manual do fabricante e os procedimentos da sua planta para o rearme.

Ao contrário do disjuntor, o fusível precisa ser trocado depois de queimar. O relé térmico de sobrecarga, muito usado em motores de bombas, também detecta calor com um bimetal.

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O que é um ELB (earth leakage breaker)?

ELB significa Earth Leakage Breaker e ELCB, Earth Leakage Circuit Breaker. No Japão, os dois termos têm o mesmo sentido: um disjuntor que detecta corrente de fuga e abre o circuito automaticamente. No Brasil, o equivalente é o dispositivo DR (diferencial-residual).

O NFB (MCCB) protege cabos e equipamentos contra sobrecorrente. O ELB abre o circuito ao detectar fuga, para evitar choque elétrico e incêndios causados por fuga.

Muitos ELBs também funcionam como um MCCB, então normalmente não é preciso ter os dois no mesmo circuito. Alguns modelos, porém, detectam somente fuga; como distingui-los é explicado mais adiante.

Figura 3: como um ELB detecta a fuga

O ELB compara a corrente que vai ao equipamento com a corrente que volta.

AlimentaçãoELBZCT compara ida e retornoEquipamentoFugaTerraIdaRetorno

Exemplo simplificado. Com a fuga do equipamento para a terra, volta menos corrente pelo ELB do que a que saiu.

O ELB detecta a fuga comparando a corrente de ida com a de retorno. Se a corrente de retorno ficar abaixo da de ida em mais que um valor definido, há corrente escapando em algum ponto, e o ELB corta a alimentação.

A comparação é feita por um transformador de corrente de sequência zero (ZCT, o "toroide") dentro do disjuntor. Os condutores de ida e de retorno passam juntos por ele. Enquanto as duas correntes se equilibram, o ZCT não gera saída. Quando elas diferem, ele envia um sinal a um circuito eletrônico, que aciona o mecanismo de desarme.

Os tipos de ELB são definidos por dois valores: a corrente de fuga que o faz atuar (corrente de sensibilidade nominal) e a rapidez da atuação (tempo de atuação). Para proteger pessoas contra choque elétrico, a prática japonesa pede o tipo de alta sensibilidade e alta velocidade.

Figura 4: classes de sensibilidade e tempo de atuação do ELB

A sensibilidade e o tempo de atuação dependem do que o ELB deve proteger.

Corrente de sensibilidade
Tempo de atuação
Finalidade principal e uso
Alta sensibilidade, alta velocidade
15 mA, 30 mA
0,1 s ou menos
Proteção contra choque. Circuitos em que a regulamentação japonesa ou o código de fiação japonês exigem; circuitos de derivação
Média sensibilidade, alta velocidade
100 mA; comutável 100/200/500 mA
0,1 s ou menos
Proteção contra choque em equipamentos com aterramento confiável (escolhido junto com a resistência de aterramento)
Temporizado
Comutável 100/200/500 mA
Comutável 0,3 a 0,8 s
Prevenção de incêndios causados por fuga. Usado em circuitos principais e retardado em relação aos ELBs de derivação, para coordenar os dispositivos a montante e a jusante

Classes de exemplo do guia da Panasonic sobre disjuntores de fuga (em japonês). Confira no catálogo os valores reais de cada produto.

O ELB tem um botão de teste na frente. Ao apertá-lo, verifica-se se o disjuntor detecta a fuga e atua corretamente; o manual de cada modelo diz como e com que frequência testar. Muitos modelos também têm um indicador de fuga, como um botão que salta ou uma janela, que mostra que o disjuntor desarmou por fuga.

Fora do Japão, a sigla "ELCB" pode gerar confusão. Disjuntores de fuga antigos, operados por tensão e hoje em geral obsoletos, também eram chamados de ELCB, e a terminologia IEC usa residual current device (RCD) para o tipo operado por corrente descrito aqui. No Brasil, o termo usual é DR. Se um fornecedor oferecer um "ELCB", confirme que é um DR operado por corrente e verifique a norma de ensaio.

NFB x ELB: comparação lado a lado

Os dois se parecem na frente, mas respondem a falhas diferentes e protegem contra riscos diferentes.

Figura 5: NFB x ELB

Caixas parecidas, funções diferentes.

NFB (MCCB)
ELB (ELCB)
Nome formal em japonês
Haisen-yo shadanki (disjuntor para fiação)
Roden shadanki (disjuntor de fuga à terra)
O que detecta
Sobrecorrente por sobrecarga ou curto-circuito
Fuga (diferença entre a corrente de ida e a de retorno)
Como detecta
Bimetal (calor) e eletroímã
Transformador de corrente de sequência zero (ZCT) e circuito eletrônico
Proteção de sobrecorrente
Sim (é a função básica)
Alguns modelos têm; os modelos só de fuga não têm
Finalidade principal
Proteger cabos e equipamentos
Evitar choque elétrico e incêndios por fuga
Botão de teste de fuga
Não (alguns modelos têm um botão de desarme que aciona o mecanismo mecanicamente)
Sim (verifica se atua em caso de fuga)
Indicação de desarme
Em muitos modelos, a alavanca para numa posição intermediária
Muitos modelos têm indicador de fuga (botão que salta etc.)
Uso típico
Circuitos em que as regras japonesas não exigem ELB, como circuitos de comando
Equipamentos que as pessoas podem tocar; equipamentos em locais úmidos
Uso combinado
Instalado a montante de um ELB só de fuga
Com proteção de sobrecorrente, um único dispositivo faz os dois trabalhos

A indicação de desarme varia conforme o modelo. Confira o manual do disjuntor que você tem em mãos.

Como ler a notação de disjuntores em desenhos japoneses

Diagramas unifilares, layouts de painel e listas de peças japoneses costumam descrever um disjuntor com uma sequência curta de tipo, polos e valores nominais. A legenda do desenho (凡例, hanrei) mostra qual símbolo representa um MCCB e qual representa um ELCB, e o mesmo desenho pode usar NFB/ELB num ponto e MCCB/ELCB em outro.

Figura 6: como ler "NFB 3P 225AF/150AT"

Divida o rótulo em tipo de dispositivo, polos, carcaça e corrente de atuação.

NFBTipo de dispositivo: disjuntor de caixa moldada (MCCB)
3PNúmero de polos: tripolar
225AFAmpere frame: carcaça de 225 A
150ATAmpere trip: corrente nominal (de atuação) de 150 A
O rótulo de um ELB acrescenta a corrente de sensibilidade, por exemplo "ELB 3P 100AF/75AT 30mA."
A corrente de atuação (AT) é sempre igual ou menor que o tamanho da carcaça (AF). Uma mesma carcaça existe em várias correntes de atuação.

Rótulos ilustrativos. Desenhos reais, como os publicados para instalações públicas japonesas, usam sequências como "ELCB 3P 225AF 150AT."

Os códigos de modelo dos fabricantes trazem a mesma informação. Na numeração da Mitsubishi Electric, "NF" indica um MCCB e "NV" um disjuntor de fuga à terra. Um código como NF125-SV 3P 40A é um MCCB tripolar de carcaça de 125 A com corrente nominal de 40 A; as letras depois do número da carcaça (SV, CV etc.) identificam a série do produto. Alguns catálogos japoneses também acrescentam um código de elemento: a Panasonic, por exemplo, marca os disjuntores só de fuga (sem proteção de sobrecorrente) com códigos como 2P0E e 3P0E.

O trecho fictício de lista de peças abaixo mostra como esses rótulos se juntam.

Ref.Escrito na lista de peçasComo ler
MCCB1NFB 3P 225AF/150ATDisjuntor geral. MCCB tripolar, carcaça de 225 A, atuação de 150 A
ELB1ELB 3P 100AF/75AT 30mADisjuntor de fuga tripolar, carcaça de 100 A, atuação de 75 A, sensibilidade de 30 mA. Confira no catálogo se tem proteção de sobrecorrente
ELB2ELB 3P0E 30mA (NFB2 a montante)ELB só de fuga, com sensibilidade de 30 mA. A proteção de sobrecorrente vem do NFB2 a montante
Exemplo fictício, para ilustração. Desenhos e listas de peças reais variam de empresa para empresa; a notação "3P0E" é emprestada da Panasonic e outros fabricantes escrevem diferente.

Para saber se um ELB também protege contra sobrecorrente, confira a função de proteção no catálogo ou na folha de dados. Expressões como "proteção contra sobrecarga e curto-circuito" ou "com proteção de sobrecorrente" (kadenryu hogo-tsuki, em japonês) indicam que ele faz as duas coisas. "Somente fuga" (漏電専用, roden senyo) ou "sem proteção de sobrecorrente" indica que ele detecta apenas fuga.

Por que os painéis japoneses usam ELBs onde usam

A regulamentação japonesa define quais circuitos recebem um ELB. Conhecer essa lógica ajuda a ler um painel construído para o Japão. Na sua planta, vale a norma local, e não a japonesa.

A regra principal é o Artigo 36 da Interpretação dos Padrões Técnicos de Equipamentos Elétricos do Japão (Denki Setsubi no Gijutsu Kijun no Kaishaku, publicada pelo Ministério da Economia, Comércio e Indústria, METI). Em princípio, ele exige um dispositivo automático de interrupção de falta à terra, em geral um ELB, em circuitos que alimentam equipamentos de baixa tensão com carcaça metálica e tensão de operação acima de 60 V. As principais exceções são: equipamentos instalados em locais secos (ou, com 150 V ou menos em relação à terra, em locais que não sejam úmidos); equipamentos com isolação dupla conforme a lei japonesa de segurança de aparelhos e materiais elétricos, ou revestidos de material isolante; equipamentos cujo aterramento Classe C ou Classe D (classificação japonesa) tenha resistência de 3 Ω ou menos; equipamentos alimentados por transformador de isolação (300 V ou menos entre fases no lado do equipamento), com o lado do equipamento sem aterramento; equipamentos com disjuntor de fuga embutido certificado conforme essa lei, instalado de modo que o cabo de alimentação fique protegido contra danos; e equipamentos com medidas simples de prevenção de contato (exceto proteções metálicas ligadas eletricamente a eles). Outras exceções abrangem locais como usinas e subestações, circuitos de lâmpadas de descarga e circuitos CC fotovoltaicos; a aplicação de uma exceção depende do texto do artigo e da instalação. Outro parágrafo do mesmo artigo também exige dispositivos de interrupção de falta à terra em circuitos de baixa tensão acima de 300 V ligados por transformador a circuitos de alta ou extra-alta tensão.

Para ferramentas elétricas em fábricas, o Artigo 333 da Portaria de Segurança e Saúde Industrial do Japão (Rodo Anzen Eisei Kisoku) exige um disjuntor de fuga de proteção contra choque em equipamentos elétricos portáteis e móveis com tensão em relação à terra acima de 150 V. A exigência vale também para esses equipamentos com 150 V ou menos quando usados em locais úmidos ou sobre chapas e estruturas de aço, que conduzem bem a eletricidade. Quando é difícil conectar um disjuntor de fuga, as partes metálicas devem ser aterradas; circuitos sem aterramento por meio de transformador de isolação e ferramentas com isolação dupla estão isentos (Artigo 334).

A orientação de sensibilidade vem do código de fiação japonês (Naisen Kitei, seção 1375-2), uma norma do setor privado. Segundo o guia da Panasonic, um ELB para proteção contra choque deve ser do tipo de alta sensibilidade e alta velocidade (30 mA ou menos, 0,1 s ou menos).

Na prática, os projetistas japoneses instalam ELBs nos circuitos que alimentam equipamentos que as pessoas podem tocar e equipamentos em locais úmidos, e NFBs nos demais. Para cargas críticas que não podem parar por um desarme por fuga, o projetista pode escolher um NFB. O Japão só permite isso em casos restritos: o Artigo 36 admite que equipamentos cuja parada colocaria em risco a segurança pública, como iluminação de emergência e sinalização de saída, usem em vez do dispositivo de interrupção um alarme que informe a falta à terra a um local com técnicos presentes. Essa exceção não vale automaticamente para equipamentos comuns de produção; por isso, mesmo nos circuitos que não devem parar, o projetista verifica primeiro se alguma das exceções gerais acima se aplica.

Com um ELB só de fuga, a proteção é dividida: o ELB desarma por fuga, e um NFB (ou fusível) a montante desarma por sobrecarga ou curto-circuito.

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E no Brasil? A lógica é parecida, mas as regras são outras. Em instalações elétricas de baixa tensão, a ABNT NBR 5410 trata do uso de DR de alta sensibilidade (30 mA ou menos) como proteção adicional contra choque em determinados locais e circuitos. A NR-10 cobre a segurança em instalações e serviços em eletricidade, e a NR-12 a segurança em máquinas. Não importe a regra japonesa para a sua planta: confirme o texto vigente dessas normas com o responsável técnico pela instalação.

Trocando um disjuntor japonês no Brasil: o que conferir

Quando um disjuntor de uma máquina japonesa falha, uma peça idêntica do fabricante original evita a maior parte das dúvidas abaixo. Se for preciso um substituto nacional, a placa e o catálogo do disjuntor original são o ponto de partida. A lista abaixo mostra o que comparar. A decisão cabe a um engenheiro eletricista habilitado, responsável pela instalação, junto com o fabricante da máquina e, quando exigido, a autoridade local.

Checklist de substituição
  • Função: somente sobrecorrente (NFB/MCCB), somente fuga, ou fuga com proteção de sobrecorrente. Procure códigos "0E" ou "somente fuga" no catálogo
  • Polos, carcaça e corrente de atuação: número de polos, AF e AT. Em modelos de atuação eletrônica, anote também o ajuste real
  • Tensão nominal: as fábricas japonesas costumam usar 200 V trifásico, e alimentações da classe de 400 V também são usadas. Confirme que o substituto é adequado à tensão da sua rede (por exemplo, 220, 380 ou 440 V), e não só à tensão usada no Japão
  • Frequência: o leste do Japão opera a 50 Hz e o oeste a 60 Hz, enquanto o Brasil usa 60 Hz. Confira a frequência na placa (50 Hz, 60 Hz ou 50/60 Hz), especialmente em disjuntores de atuação eletrônica e em ELBs
  • Capacidade de interrupção: a capacidade de interrupção de curto-circuito nominal muda com a tensão e com a norma. Numa tabela da série NF-SV da Mitsubishi, por exemplo, um modelo de 15 kA a 230 V cai para 7,5 kA a 400 V pela IEC 60947-2. Compare o valor na sua tensão com a corrente de curto-circuito presumida no painel
  • Norma e certificação: disjuntores para o mercado japonês costumam seguir JIS e IEC 60947-2. No Brasil, a norma de referência equivalente é a ABNT NBR IEC 60947-2 (confira a edição vigente e se o modelo exige certificação do Inmetro). Máquinas vindas da América do Norte podem trazer disjuntores UL 489; não presuma que sejam equivalentes aos IEC
  • Sensibilidade e tempo do ELB: corrente de sensibilidade (por exemplo, 30 mA), tempo de atuação e se é do tipo temporizado, coordenado com outros ELBs
  • ELB e DR: um ELB japonês de 30 mA e um DR de 30 mA vendido no Brasil não são automaticamente iguais. Compare tempo de atuação, tipo (forma de onda da corrente de fuga que ele detecta) e se tem proteção de sobrecorrente
  • Encaixe físico: fixação, tipo e tamanho dos terminais, posição da alavanca e acessórios do original, como contatos auxiliares ou bobina de disparo (shunt trip)

Se algum item não puder ser confirmado pela placa, peça ao fabricante da máquina a página do catálogo do disjuntor e o motivo da escolha, principalmente para a sensibilidade do ELB e a capacidade de interrupção. Um modelo de mensagem:

"Preciso substituir o disjuntor [referência no desenho, por exemplo ELB1] da máquina [modelo / nº de série]. Podem enviar o catálogo do modelo instalado e informar: (1) se tem proteção de sobrecorrente ou é somente de fuga; (2) corrente de sensibilidade e tempo de atuação; (3) AF/AT e ajuste de atuação; (4) tensão e frequência nominais e capacidade de interrupção a 380 V (ou à tensão da nossa rede); (5) o motivo da seleção deste modelo?"

Limites deste guia

  • Este guia explica termos e o que conferir. Não é um procedimento para inspecionar, rearmar ou trocar disjuntores. Esse trabalho deve ser feito por pessoal habilitado, seguindo o manual do fabricante, a NR-10 e os procedimentos de bloqueio e etiquetagem (LOTO) da sua planta.
  • As regras japonesas resumidas aqui (a Interpretação dos Padrões Técnicos de Equipamentos Elétricos, a Portaria de Segurança e Saúde Industrial e o código de fiação japonês) valem para instalações no Japão. No Brasil, quem define onde a proteção diferencial-residual é exigida são a ABNT NBR 5410 e as demais normas aplicáveis, além das NRs.
  • Curvas de atuação, capacidades de interrupção, indicações de desarme e códigos de modelo variam conforme o fabricante e a série. Use o catálogo do modelo exato, e não os exemplos deste guia.
  • As normas JIS citadas se baseiam nas normas IEC, mas podem ter modificações japonesas, e as edições mudam. Trate as correspondências como equivalentes mais próximos e confirme na edição vigente.

Resumo

Principais conclusões
  • Um NFB é um MCCB: protege cabos e equipamentos contra sobrecorrente
  • Um ELB (ELCB) detecta fuga e protege as pessoas contra choque elétrico; no Brasil, corresponde ao DR
  • Muitos ELBs incluem as funções de um MCCB
  • Um ELB só de fuga é combinado com um NFB ou fusível a montante
  • Nos desenhos, AF é o tamanho da carcaça e AT é a corrente de atuação
  • No Japão, circuitos que alimentam equipamentos com carcaça metálica acima de 60 V em geral precisam de um ELB, conforme o Artigo 36
  • Antes de substituir, confira função, tensão, frequência, capacidade de interrupção e norma (JIS/IEC x ABNT NBR IEC)

Perguntas frequentes

NFB e MCCB, ou ELB e ELCB, são a mesma coisa?

Sim. NFB (no-fuse breaker) é o nome original da Mitsubishi Electric e MCCB é o nome geral do disjuntor de caixa moldada, que desarma por sobrecarga e curto-circuito. ELB e ELCB são ambas siglas de disjuntor de fuga à terra. Nas normas japonesas para disjuntores de fuga residenciais, o tipo com proteção de sobrecorrente se chama RCBO e o tipo sem ela, RCCB.

Qual é a diferença entre um NFB e um ELB?

O NFB desarma por sobrecorrente e protege cabos e equipamentos. O ELB desarma por fuga à terra e protege as pessoas contra choque elétrico e a instalação contra incêndios causados por fuga.

Se o circuito tem um ELB, ainda precisa de um NFB?

Não, se o ELB tiver proteção de sobrecorrente, porque um só dispositivo cobre sobrecorrente e fuga. Um ELB só de fuga precisa de um NFB ou fusível a montante. Confira a função de proteção no catálogo: "com proteção de sobrecorrente" significa as duas, enquanto "somente fuga" ou "sem proteção de sobrecorrente" significa apenas fuga.

Como saber se o disjuntor desarmou por fuga ou por sobrecorrente?

Olhe primeiro o indicador de fuga. Um botão saltado indica que o ELB desarmou por fuga, mas a posição do indicador e a forma de rearmar variam conforme o modelo, então consulte o manual. Não religue o disjuntor até a causa ser eliminada e, antes de qualquer inspeção, isole a energia e bloqueie-a conforme o procedimento de bloqueio e etiquetagem (LOTO) da sua planta.

Relacionado:

Posso trocar um NFB japonês por um disjuntor de caixa moldada nacional?

Muitas vezes sim, mas só depois que um engenheiro habilitado confirmar a equivalência. Compare polos, carcaça e corrente de atuação, tensão nominal, frequência e capacidade de interrupção na sua tensão, e valide a troca com o fabricante da máquina. Para ELBs, compare também a sensibilidade, o tempo de atuação e a presença de proteção de sobrecorrente.

Fontes

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Sobre a redação

Redação do MONOSCOPEFOUNDER & EDITOR

Cerca de dez anos de atuação em um fabricante de equipamentos industriais e em uma empresa de engenharia de plantas, com propostas, projeto e comissionamento de equipamentos, seguidos da migração para o marketing digital. Hoje presta consultoria web a fabricantes B2B, ajudando-os a explicar com clareza seus produtos e tecnologias. Possui as licenças nacionais japonesas de Energy Manager e de Engenheiro-Chefe de Eletricidade de Terceira Classe.

Mantém um blog de engenharia desde 2017 (mais de 500 artigos) e um canal no YouTube em japonês com cerca de 20 mil inscritos. Cada guia é escrito do ponto de vista do chão de fábrica japonês e conferido com as normas citadas.

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