NFB, MCCB e ELB: o que são nos disjuntores japoneses

Ao abrir os desenhos elétricos ou a lista de peças de uma máquina fabricada no Japão, é comum encontrar disjuntores identificados como NFB ou ELB, com especificações como "3P 225AF/150AT" ou "30mA". Em outros desenhos de painéis parecidos aparecem MCCB e ELCB. Não são quatro dispositivos diferentes: são dois tipos de dispositivo, cada um com dois nomes. NFB ou MCCB para um, ELB ou ELCB para o outro.
O NFB (no-fuse breaker, "disjuntor sem fusível") é um disjuntor de caixa moldada, o MCCB (molded case circuit breaker). Ele abre o circuito em caso de sobrecorrente, isto é, sobrecarga ou curto-circuito, para proteger cabos e equipamentos. O ELB (earth leakage breaker), também escrito ELCB, abre o circuito ao detectar corrente de fuga para a terra, para proteger as pessoas contra choque elétrico e evitar incêndios causados por fuga. Alguns ELBs também protegem contra sobrecorrente.
Este guia explica como cada um funciona, como ler a notação dos desenhos japoneses, por que os painéis japoneses colocam ELBs onde colocam e o que conferir antes de adquirir um substituto no Brasil.
- NFB = MCCB. Nas normas japonesas é o haisen-yo shadanki (配線用遮断器, "disjuntor para fiação"). Ele desarma por sobrecarga e curto-circuito para proteger cabos e equipamentos
- Na sobrecarga, um bimetal se curva com o calor e o disjuntor desarma depois de um tempo. No curto-circuito, um eletroímã o desarma instantaneamente
- ELB = ELCB, o roden shadanki (漏電遮断器), que no Brasil corresponde ao DR (dispositivo diferencial-residual). Um transformador de corrente de sequência zero (ZCT) compara a corrente de ida e a de retorno para detectar a fuga. Para proteção contra choque, a prática japonesa pede o tipo de alta sensibilidade e alta velocidade (30 mA ou menos, 0,1 s ou menos)
- Nos desenhos, "AF" é o ampere frame (tamanho da carcaça) e "AT" é o ampere trip (corrente nominal de atuação)
- Um ELB com proteção de sobrecorrente faz os dois trabalhos em um só dispositivo. Um ELB só de fuga precisa de um NFB ou fusível a montante
- Antes de trocar um disjuntor japonês, confira função, tensão nominal, frequência, capacidade de interrupção na sua tensão e a norma de ensaio (JIS/IEC x ABNT NBR IEC; UL 489 em máquinas vindas da América do Norte)
Sumário
- Consulta rápida: termos japoneses de disjuntores
- O que é um NFB (no-fuse breaker)?
- O que é um ELB (earth leakage breaker)?
- NFB x ELB: comparação lado a lado
- Como ler a notação de disjuntores em desenhos japoneses
- Por que os painéis japoneses usam ELBs onde usam
- Trocando um disjuntor japonês no Brasil: o que conferir
- Limites deste guia
- Resumo
- Perguntas frequentes
- Fontes
Consulta rápida: termos japoneses de disjuntores
Use esta tabela para ligar o rótulo de um desenho ou lista de peças japonesa ao dispositivo a que ele se refere. Os termos japoneses aparecem com a leitura em romaji.
| Rótulo que você pode ver | O que é | Protege contra | Norma japonesa | Termo internacional mais próximo (e uso no Brasil) |
|---|---|---|---|---|
| NFB (no-fuse breaker) | Disjuntor de caixa moldada. "NFB" começou como o nome da Mitsubishi Electric para ele | Sobrecarga, curto-circuito | JIS C 8201-2-1 | MCCB (IEC 60947-2); no Brasil, disjuntor de caixa moldada |
| MCCB, 配線用遮断器 (haisen-yo shadanki) | O mesmo dispositivo do NFB, com seu nome geral (MCCB) e seu nome formal em japonês | Sobrecarga, curto-circuito | JIS C 8201-2-1 | MCCB (IEC 60947-2); no Brasil, disjuntor de caixa moldada |
| ELB, ELCB, 漏電遮断器 (roden shadanki) | Disjuntor de fuga à terra. Muitos modelos também protegem contra sobrecorrente | Fuga à terra; em muitos modelos, também sobrecorrente | JIS C 8201-2-2 (industrial) | Dispositivo de corrente diferencial-residual (RCD); no Brasil, DR. Com proteção de sobrecorrente: disjuntor com proteção diferencial-residual (IEC 60947-2, Anexo B) |
| RCCB | Disjuntor de fuga residencial sem proteção de sobrecorrente | Somente fuga à terra | JIS C 8221 | RCCB (IEC 61008-1); no Brasil, IDR (interruptor diferencial-residual) |
| RCBO | Disjuntor de fuga residencial com proteção de sobrecorrente | Fuga à terra, sobrecarga, curto-circuito | JIS C 8222 | RCBO (IEC 61009-1); no Brasil, disjuntor DR (DDR) |
| AF | Ampere frame: tamanho da carcaça do disjuntor | – | – | Tamanho de carcaça (frame) |
| AT | Ampere trip: corrente nominal em que o disjuntor está ajustado para atuar | – | – | Corrente nominal (In) |
O que é um NFB (no-fuse breaker)?
NFB significa No-Fuse Breaker, nome que a Mitsubishi Electric deu originalmente aos seus disjuntores de caixa moldada. O termo geral é MCCB (molded case circuit breaker), e a norma japonesa o chama de haisen-yo shadanki. Em outras palavras, "NFB x MCCB" não compara dois dispositivos: os dois rótulos descrevem o mesmo tipo de disjuntor.
O NFB faz o mesmo trabalho do disjuntor que desarma em casa quando aparelhos demais ligam ao mesmo tempo: ele protege cabos e equipamentos quando passa uma sobrecorrente anormal, por exemplo num curto-circuito.
A maioria dos NFBs combina duas formas de detectar sobrecorrente: um elemento térmico baseado em lâmina bimetálica e um elemento eletromagnético.
O NFB desarma depois de um tempo quando a sobrecorrente é moderada e instantaneamente quando a corrente é muito alta.
Exemplo de MCCB termomagnético. A corrente e o tempo em que o disjuntor desarma dependem da curva de atuação de cada produto.
Pelo mecanismo de atuação, a Mitsubishi Electric divide seus NFBs em três tipos.
Os tipos diferem na forma de detectar a sobrecorrente e de desarmar.
Baseado na classificação da página de produto do no-fuse breaker da Mitsubishi Electric.
O projeto varia conforme o fabricante, mas em muitos disjuntores a alavanca para numa posição intermediária entre ON e OFF depois de um desarme por sobrecorrente. Essa posição indica que o disjuntor desarmou, e não que foi desligado manualmente. Nesses modelos, a alavanca precisa ir até OFF (posição de rearme) antes de poder ser ligada de novo. Rearmar com a causa ainda presente faz o disjuntor desarmar outra vez ou danifica os cabos, então a causa deve ser encontrada antes. Siga o manual do fabricante e os procedimentos da sua planta para o rearme.
Ao contrário do disjuntor, o fusível precisa ser trocado depois de queimar. O relé térmico de sobrecarga, muito usado em motores de bombas, também detecta calor com um bimetal.
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O que é um ELB (earth leakage breaker)?
ELB significa Earth Leakage Breaker e ELCB, Earth Leakage Circuit Breaker. No Japão, os dois termos têm o mesmo sentido: um disjuntor que detecta corrente de fuga e abre o circuito automaticamente. No Brasil, o equivalente é o dispositivo DR (diferencial-residual).
O NFB (MCCB) protege cabos e equipamentos contra sobrecorrente. O ELB abre o circuito ao detectar fuga, para evitar choque elétrico e incêndios causados por fuga.
Muitos ELBs também funcionam como um MCCB, então normalmente não é preciso ter os dois no mesmo circuito. Alguns modelos, porém, detectam somente fuga; como distingui-los é explicado mais adiante.
O ELB compara a corrente que vai ao equipamento com a corrente que volta.
Exemplo simplificado. Com a fuga do equipamento para a terra, volta menos corrente pelo ELB do que a que saiu.
O ELB detecta a fuga comparando a corrente de ida com a de retorno. Se a corrente de retorno ficar abaixo da de ida em mais que um valor definido, há corrente escapando em algum ponto, e o ELB corta a alimentação.
A comparação é feita por um transformador de corrente de sequência zero (ZCT, o "toroide") dentro do disjuntor. Os condutores de ida e de retorno passam juntos por ele. Enquanto as duas correntes se equilibram, o ZCT não gera saída. Quando elas diferem, ele envia um sinal a um circuito eletrônico, que aciona o mecanismo de desarme.
Os tipos de ELB são definidos por dois valores: a corrente de fuga que o faz atuar (corrente de sensibilidade nominal) e a rapidez da atuação (tempo de atuação). Para proteger pessoas contra choque elétrico, a prática japonesa pede o tipo de alta sensibilidade e alta velocidade.
A sensibilidade e o tempo de atuação dependem do que o ELB deve proteger.
Classes de exemplo do guia da Panasonic sobre disjuntores de fuga (em japonês). Confira no catálogo os valores reais de cada produto.
O ELB tem um botão de teste na frente. Ao apertá-lo, verifica-se se o disjuntor detecta a fuga e atua corretamente; o manual de cada modelo diz como e com que frequência testar. Muitos modelos também têm um indicador de fuga, como um botão que salta ou uma janela, que mostra que o disjuntor desarmou por fuga.
Fora do Japão, a sigla "ELCB" pode gerar confusão. Disjuntores de fuga antigos, operados por tensão e hoje em geral obsoletos, também eram chamados de ELCB, e a terminologia IEC usa residual current device (RCD) para o tipo operado por corrente descrito aqui. No Brasil, o termo usual é DR. Se um fornecedor oferecer um "ELCB", confirme que é um DR operado por corrente e verifique a norma de ensaio.
NFB x ELB: comparação lado a lado
Os dois se parecem na frente, mas respondem a falhas diferentes e protegem contra riscos diferentes.
Caixas parecidas, funções diferentes.
A indicação de desarme varia conforme o modelo. Confira o manual do disjuntor que você tem em mãos.
Como ler a notação de disjuntores em desenhos japoneses
Diagramas unifilares, layouts de painel e listas de peças japoneses costumam descrever um disjuntor com uma sequência curta de tipo, polos e valores nominais. A legenda do desenho (凡例, hanrei) mostra qual símbolo representa um MCCB e qual representa um ELCB, e o mesmo desenho pode usar NFB/ELB num ponto e MCCB/ELCB em outro.
Divida o rótulo em tipo de dispositivo, polos, carcaça e corrente de atuação.
A corrente de atuação (AT) é sempre igual ou menor que o tamanho da carcaça (AF). Uma mesma carcaça existe em várias correntes de atuação.
Rótulos ilustrativos. Desenhos reais, como os publicados para instalações públicas japonesas, usam sequências como "ELCB 3P 225AF 150AT."
Os códigos de modelo dos fabricantes trazem a mesma informação. Na numeração da Mitsubishi Electric, "NF" indica um MCCB e "NV" um disjuntor de fuga à terra. Um código como NF125-SV 3P 40A é um MCCB tripolar de carcaça de 125 A com corrente nominal de 40 A; as letras depois do número da carcaça (SV, CV etc.) identificam a série do produto. Alguns catálogos japoneses também acrescentam um código de elemento: a Panasonic, por exemplo, marca os disjuntores só de fuga (sem proteção de sobrecorrente) com códigos como 2P0E e 3P0E.
O trecho fictício de lista de peças abaixo mostra como esses rótulos se juntam.
| Ref. | Escrito na lista de peças | Como ler |
|---|---|---|
| MCCB1 | NFB 3P 225AF/150AT | Disjuntor geral. MCCB tripolar, carcaça de 225 A, atuação de 150 A |
| ELB1 | ELB 3P 100AF/75AT 30mA | Disjuntor de fuga tripolar, carcaça de 100 A, atuação de 75 A, sensibilidade de 30 mA. Confira no catálogo se tem proteção de sobrecorrente |
| ELB2 | ELB 3P0E 30mA (NFB2 a montante) | ELB só de fuga, com sensibilidade de 30 mA. A proteção de sobrecorrente vem do NFB2 a montante |
Para saber se um ELB também protege contra sobrecorrente, confira a função de proteção no catálogo ou na folha de dados. Expressões como "proteção contra sobrecarga e curto-circuito" ou "com proteção de sobrecorrente" (kadenryu hogo-tsuki, em japonês) indicam que ele faz as duas coisas. "Somente fuga" (漏電専用, roden senyo) ou "sem proteção de sobrecorrente" indica que ele detecta apenas fuga.
Por que os painéis japoneses usam ELBs onde usam
A regulamentação japonesa define quais circuitos recebem um ELB. Conhecer essa lógica ajuda a ler um painel construído para o Japão. Na sua planta, vale a norma local, e não a japonesa.
A regra principal é o Artigo 36 da Interpretação dos Padrões Técnicos de Equipamentos Elétricos do Japão (Denki Setsubi no Gijutsu Kijun no Kaishaku, publicada pelo Ministério da Economia, Comércio e Indústria, METI). Em princípio, ele exige um dispositivo automático de interrupção de falta à terra, em geral um ELB, em circuitos que alimentam equipamentos de baixa tensão com carcaça metálica e tensão de operação acima de 60 V. As principais exceções são: equipamentos instalados em locais secos (ou, com 150 V ou menos em relação à terra, em locais que não sejam úmidos); equipamentos com isolação dupla conforme a lei japonesa de segurança de aparelhos e materiais elétricos, ou revestidos de material isolante; equipamentos cujo aterramento Classe C ou Classe D (classificação japonesa) tenha resistência de 3 Ω ou menos; equipamentos alimentados por transformador de isolação (300 V ou menos entre fases no lado do equipamento), com o lado do equipamento sem aterramento; equipamentos com disjuntor de fuga embutido certificado conforme essa lei, instalado de modo que o cabo de alimentação fique protegido contra danos; e equipamentos com medidas simples de prevenção de contato (exceto proteções metálicas ligadas eletricamente a eles). Outras exceções abrangem locais como usinas e subestações, circuitos de lâmpadas de descarga e circuitos CC fotovoltaicos; a aplicação de uma exceção depende do texto do artigo e da instalação. Outro parágrafo do mesmo artigo também exige dispositivos de interrupção de falta à terra em circuitos de baixa tensão acima de 300 V ligados por transformador a circuitos de alta ou extra-alta tensão.
Para ferramentas elétricas em fábricas, o Artigo 333 da Portaria de Segurança e Saúde Industrial do Japão (Rodo Anzen Eisei Kisoku) exige um disjuntor de fuga de proteção contra choque em equipamentos elétricos portáteis e móveis com tensão em relação à terra acima de 150 V. A exigência vale também para esses equipamentos com 150 V ou menos quando usados em locais úmidos ou sobre chapas e estruturas de aço, que conduzem bem a eletricidade. Quando é difícil conectar um disjuntor de fuga, as partes metálicas devem ser aterradas; circuitos sem aterramento por meio de transformador de isolação e ferramentas com isolação dupla estão isentos (Artigo 334).
A orientação de sensibilidade vem do código de fiação japonês (Naisen Kitei, seção 1375-2), uma norma do setor privado. Segundo o guia da Panasonic, um ELB para proteção contra choque deve ser do tipo de alta sensibilidade e alta velocidade (30 mA ou menos, 0,1 s ou menos).
Na prática, os projetistas japoneses instalam ELBs nos circuitos que alimentam equipamentos que as pessoas podem tocar e equipamentos em locais úmidos, e NFBs nos demais. Para cargas críticas que não podem parar por um desarme por fuga, o projetista pode escolher um NFB. O Japão só permite isso em casos restritos: o Artigo 36 admite que equipamentos cuja parada colocaria em risco a segurança pública, como iluminação de emergência e sinalização de saída, usem em vez do dispositivo de interrupção um alarme que informe a falta à terra a um local com técnicos presentes. Essa exceção não vale automaticamente para equipamentos comuns de produção; por isso, mesmo nos circuitos que não devem parar, o projetista verifica primeiro se alguma das exceções gerais acima se aplica.
Com um ELB só de fuga, a proteção é dividida: o ELB desarma por fuga, e um NFB (ou fusível) a montante desarma por sobrecarga ou curto-circuito.
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E no Brasil? A lógica é parecida, mas as regras são outras. Em instalações elétricas de baixa tensão, a ABNT NBR 5410 trata do uso de DR de alta sensibilidade (30 mA ou menos) como proteção adicional contra choque em determinados locais e circuitos. A NR-10 cobre a segurança em instalações e serviços em eletricidade, e a NR-12 a segurança em máquinas. Não importe a regra japonesa para a sua planta: confirme o texto vigente dessas normas com o responsável técnico pela instalação.
Trocando um disjuntor japonês no Brasil: o que conferir
Quando um disjuntor de uma máquina japonesa falha, uma peça idêntica do fabricante original evita a maior parte das dúvidas abaixo. Se for preciso um substituto nacional, a placa e o catálogo do disjuntor original são o ponto de partida. A lista abaixo mostra o que comparar. A decisão cabe a um engenheiro eletricista habilitado, responsável pela instalação, junto com o fabricante da máquina e, quando exigido, a autoridade local.
- Função: somente sobrecorrente (NFB/MCCB), somente fuga, ou fuga com proteção de sobrecorrente. Procure códigos "0E" ou "somente fuga" no catálogo
- Polos, carcaça e corrente de atuação: número de polos, AF e AT. Em modelos de atuação eletrônica, anote também o ajuste real
- Tensão nominal: as fábricas japonesas costumam usar 200 V trifásico, e alimentações da classe de 400 V também são usadas. Confirme que o substituto é adequado à tensão da sua rede (por exemplo, 220, 380 ou 440 V), e não só à tensão usada no Japão
- Frequência: o leste do Japão opera a 50 Hz e o oeste a 60 Hz, enquanto o Brasil usa 60 Hz. Confira a frequência na placa (50 Hz, 60 Hz ou 50/60 Hz), especialmente em disjuntores de atuação eletrônica e em ELBs
- Capacidade de interrupção: a capacidade de interrupção de curto-circuito nominal muda com a tensão e com a norma. Numa tabela da série NF-SV da Mitsubishi, por exemplo, um modelo de 15 kA a 230 V cai para 7,5 kA a 400 V pela IEC 60947-2. Compare o valor na sua tensão com a corrente de curto-circuito presumida no painel
- Norma e certificação: disjuntores para o mercado japonês costumam seguir JIS e IEC 60947-2. No Brasil, a norma de referência equivalente é a ABNT NBR IEC 60947-2 (confira a edição vigente e se o modelo exige certificação do Inmetro). Máquinas vindas da América do Norte podem trazer disjuntores UL 489; não presuma que sejam equivalentes aos IEC
- Sensibilidade e tempo do ELB: corrente de sensibilidade (por exemplo, 30 mA), tempo de atuação e se é do tipo temporizado, coordenado com outros ELBs
- ELB e DR: um ELB japonês de 30 mA e um DR de 30 mA vendido no Brasil não são automaticamente iguais. Compare tempo de atuação, tipo (forma de onda da corrente de fuga que ele detecta) e se tem proteção de sobrecorrente
- Encaixe físico: fixação, tipo e tamanho dos terminais, posição da alavanca e acessórios do original, como contatos auxiliares ou bobina de disparo (shunt trip)
Se algum item não puder ser confirmado pela placa, peça ao fabricante da máquina a página do catálogo do disjuntor e o motivo da escolha, principalmente para a sensibilidade do ELB e a capacidade de interrupção. Um modelo de mensagem:
"Preciso substituir o disjuntor [referência no desenho, por exemplo ELB1] da máquina [modelo / nº de série]. Podem enviar o catálogo do modelo instalado e informar: (1) se tem proteção de sobrecorrente ou é somente de fuga; (2) corrente de sensibilidade e tempo de atuação; (3) AF/AT e ajuste de atuação; (4) tensão e frequência nominais e capacidade de interrupção a 380 V (ou à tensão da nossa rede); (5) o motivo da seleção deste modelo?"
Limites deste guia
- Este guia explica termos e o que conferir. Não é um procedimento para inspecionar, rearmar ou trocar disjuntores. Esse trabalho deve ser feito por pessoal habilitado, seguindo o manual do fabricante, a NR-10 e os procedimentos de bloqueio e etiquetagem (LOTO) da sua planta.
- As regras japonesas resumidas aqui (a Interpretação dos Padrões Técnicos de Equipamentos Elétricos, a Portaria de Segurança e Saúde Industrial e o código de fiação japonês) valem para instalações no Japão. No Brasil, quem define onde a proteção diferencial-residual é exigida são a ABNT NBR 5410 e as demais normas aplicáveis, além das NRs.
- Curvas de atuação, capacidades de interrupção, indicações de desarme e códigos de modelo variam conforme o fabricante e a série. Use o catálogo do modelo exato, e não os exemplos deste guia.
- As normas JIS citadas se baseiam nas normas IEC, mas podem ter modificações japonesas, e as edições mudam. Trate as correspondências como equivalentes mais próximos e confirme na edição vigente.
Resumo
- Um NFB é um MCCB: protege cabos e equipamentos contra sobrecorrente
- Um ELB (ELCB) detecta fuga e protege as pessoas contra choque elétrico; no Brasil, corresponde ao DR
- Muitos ELBs incluem as funções de um MCCB
- Um ELB só de fuga é combinado com um NFB ou fusível a montante
- Nos desenhos, AF é o tamanho da carcaça e AT é a corrente de atuação
- No Japão, circuitos que alimentam equipamentos com carcaça metálica acima de 60 V em geral precisam de um ELB, conforme o Artigo 36
- Antes de substituir, confira função, tensão, frequência, capacidade de interrupção e norma (JIS/IEC x ABNT NBR IEC)
Perguntas frequentes
NFB e MCCB, ou ELB e ELCB, são a mesma coisa?
Sim. NFB (no-fuse breaker) é o nome original da Mitsubishi Electric e MCCB é o nome geral do disjuntor de caixa moldada, que desarma por sobrecarga e curto-circuito. ELB e ELCB são ambas siglas de disjuntor de fuga à terra. Nas normas japonesas para disjuntores de fuga residenciais, o tipo com proteção de sobrecorrente se chama RCBO e o tipo sem ela, RCCB.
Qual é a diferença entre um NFB e um ELB?
O NFB desarma por sobrecorrente e protege cabos e equipamentos. O ELB desarma por fuga à terra e protege as pessoas contra choque elétrico e a instalação contra incêndios causados por fuga.
Se o circuito tem um ELB, ainda precisa de um NFB?
Não, se o ELB tiver proteção de sobrecorrente, porque um só dispositivo cobre sobrecorrente e fuga. Um ELB só de fuga precisa de um NFB ou fusível a montante. Confira a função de proteção no catálogo: "com proteção de sobrecorrente" significa as duas, enquanto "somente fuga" ou "sem proteção de sobrecorrente" significa apenas fuga.
Como saber se o disjuntor desarmou por fuga ou por sobrecorrente?
Olhe primeiro o indicador de fuga. Um botão saltado indica que o ELB desarmou por fuga, mas a posição do indicador e a forma de rearmar variam conforme o modelo, então consulte o manual. Não religue o disjuntor até a causa ser eliminada e, antes de qualquer inspeção, isole a energia e bloqueie-a conforme o procedimento de bloqueio e etiquetagem (LOTO) da sua planta.
Relacionado:
Posso trocar um NFB japonês por um disjuntor de caixa moldada nacional?
Muitas vezes sim, mas só depois que um engenheiro habilitado confirmar a equivalência. Compare polos, carcaça e corrente de atuação, tensão nominal, frequência e capacidade de interrupção na sua tensão, e valide a troca com o fabricante da máquina. Para ELBs, compare também a sensibilidade, o tempo de atuação e a presença de proteção de sobrecorrente.
Fontes
- Dispositivos de interrupção de falta à terra (Artigo 36): Ministério da Economia, Comércio e Indústria (METI), Interpretação dos Padrões Técnicos de Equipamentos Elétricos, revisão de 20 de novembro de 2025 (em japonês)
- Proteção contra fuga em equipamentos portáteis (Artigos 333 e 334): e-Gov, Portaria de Segurança e Saúde Industrial (em japonês)
- Nome NFB e tipos de atuação: Mitsubishi Electric, características do no-fuse breaker (em japonês)
- Detecção de fuga com ZCT: Mitsubishi Electric, características do disjuntor de fuga à terra (em japonês)
- Série NV de disjuntores de fuga à terra: Mitsubishi Electric Factory Automation, ELCB NV
- Classes de sensibilidade e tempo de atuação, código de fiação 1375-2 e códigos 0E: Panasonic, fundamentos de disjuntores: disjuntores de fuga (em japonês)
- Posição da alavanca depois do desarme: Panasonic, fundamentos de disjuntores: funções básicas (em japonês)
- Normas JIS para disjuntores de baixa tensão: JIS C 8201-2-1:2021, JIS C 8201-2-2:2021, JIS C 8221:2020, JIS C 8222:2021 (prévias da Japanese Standards Association, em japonês); JEMA, normas para disjuntores de baixa tensão (em japonês)
- Capacidade de interrupção por tensão (NF63-SV): MISUMI, Mitsubishi Electric MCCB série NF-SV
- Divisão do Japão em 50 Hz e 60 Hz: ETHW, Milestones: Sakuma Frequency Converter Station, 1965
Artigo original em japonêsEste guia se baseia em um artigo do MONOSCOPE escrito para leitores no Japão: NFB(ノーヒューズブレーカー)とは?ELB(漏電遮断器)との違いと使い分け・設置が必要な場所


