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202626/10

Hozen: tipos de manutenção e TPM em fábricas japonesas

Manutenção e qualidadeAtualizado em 26/10/202623 min de leitura

Você entra em uma fábrica de capital japonês, ou passa a fornecer para uma, e a palavra hozen aparece em toda reunião. Os gestores japoneses perguntam se uma esteira deve continuar em "BM", querem mudar uma bomba de "TBM" para "CBM" e falam da "equipe de hozen" como se todos já soubessem onde termina o trabalho dela e onde começa o da produção. Os termos correspondem a conceitos conhecidos de manutenção, mas alguns não significam o que um brasileiro espera.

Este guia explica o que a setsubi hozen (設備保全, manutenção de equipamentos) abrange em uma fábrica japonesa, o que a área de manutenção faz de fato, como a terminologia japonesa divide os tipos de manutenção e onde tudo isso se encaixa no TPM (Manutenção Produtiva Total). No fim há uma tabela de termos, perguntas para fazer ao lado japonês e um FAQ.

Sumário
  1. O que é hozen (setsubi hozen)?
  2. O que a equipe de hozen faz
  3. Tipos de manutenção na terminologia japonesa
  4. Onde a hozen se encaixa no TPM
  5. Indicadores que as fábricas japonesas usam na manutenção
  6. Janelas de parada: quando a hozen está mais ocupada
  7. Segurança: parar a máquina e bloqueá-la antes do trabalho
  8. Habilidades e a certificação Kikai Hozen
  9. Como isso se compara ao vocabulário brasileiro de manutenção
  10. Referência rápida: termos japoneses de manutenção
  11. Perguntas para fazer ao lado japonês
  12. Limites deste guia
  13. FAQ

O que é hozen (setsubi hozen)?

Hozen (保全) significa manutenção, e setsubi hozen é a manutenção de equipamentos: tudo o que a fábrica faz para que seus equipamentos continuem entregando o desempenho original. O escopo vai além das máquinas de produção, como máquinas-ferramenta, linhas de montagem e esteiras. Inclui também as utilidades que mantêm a fábrica funcionando: compressores, subestações e equipamentos de entrada de energia, ar-condicionado e caldeiras.

A norma japonesa JIS Z 8141 (termos de gestão da produção) define a manutenção de equipamentos como as atividades que cumprem três funções para manter o desempenho: prevenir a deterioração, medir a deterioração e restaurar o desempenho depois dela. As atividades listadas são planejamento, inspeção, ensaio, ajuste, conservação, reparo e substituição, realizadas de forma diária ou periódica.

A definição parte de uma premissa: todo equipamento se deteriora com o uso. A hozen desacelera essa deterioração, acompanha até onde ela chegou e devolve as peças desgastadas à condição original, para que o equipamento continue funcionando sem paradas inesperadas.

Figura 1: As três funções da manutenção de equipamentos

A definição da JIS Z 8141 traduzida para o trabalho no chão de fábrica.

PREVENTPrevenir a deterioraçãoLimpeza, lubrificação, reaperto de parafusos e operação correta. Reduz o próprio ritmo da deterioração
MEASUREMedir a deterioraçãoInspeções diárias e periódicas; medições de vibração e temperatura. Mostra até onde o desgaste avançou, por números e pelos sentidos
RESTORERestaurar o desempenhoTroca de peças, ajuste, reparo e revisão geral. Devolve as áreas desgastadas ao desempenho original
Juntas, as três evitam paradas inesperadas, protegem a qualidade do produto e mantêm o equipamento operando com segurança.

As fábricas japonesas levam isso a sério porque uma única máquina parada pode interromper a linha inteira. Uma parada significa atraso na entrega e reprogramação da produção, além do custo de mão de obra enquanto a linha está ociosa e de defeitos na partida (start-up) quando ela volta. Um equipamento deteriorado causa problemas mesmo funcionando: variação dimensional e contaminação por corpos estranhos no produto.

Um equipamento com falha não resolvida também pode se mover de forma inesperada, o que o torna um risco à segurança. Por isso a hozen afeta, ao mesmo tempo, produção, qualidade, segurança e custo.

O que a equipe de hozen faz

Técnico de manutenção verificando um motor em uma linha de produção com um medidor de vibração

A área de manutenção (hozen bumon) divide o trabalho em dois tipos: o trabalho planejado, feito em ciclo fixo, e o atendimento a quebras que acontecem sem aviso. Os limites variam de empresa para empresa, mas as seis funções abaixo são típicas.

Figura 2: Principais funções da equipe de manutenção

Linha de cima: medir a condição. Linha do meio: consertar e melhorar. Linha de baixo: conduzir a operação da manutenção.

Inspeção diária e rondasVerifica som, vibração, temperatura, cheiro e vazamentos de óleo com os sentidos e instrumentos, para pegar os primeiros sinais de problema
Inspeção e ensaios periódicosEm ciclo definido (mensal, anual), desmonta e mede o que só pode ser visto com a máquina parada
Atendimento a quebrasVai à linha quando o equipamento para, isola a causa, aplica uma correção provisória e depois o reparo definitivo
Melhoria (kairyo hozen)Muda peças ou o projeto nos pontos que falham repetidamente, para que falhem menos
Planejamento e registrosDefine ciclos de inspeção e prazos de troca; controla histórico de falhas, estoque de peças e custo de manutenção
Gestão de terceiros e projetosEntrega grandes reparos e atualizações de equipamentos a fabricantes ou empreiteiras; define as especificações e controla segurança e cronograma

Observação: em fábricas pequenas, uma só pessoa costuma cobrir as seis funções. Em fábricas grandes, é comum separar o pessoal de planejamento dos técnicos de campo.

Inspeção e atendimento a quebras

A inspeção é a base do dia a dia. Os técnicos fazem rondas com um checklist definido, atentos a ruído ou vibração anormais, aumento de temperatura e exsudação de óleo. A maioria das falhas dá algum tipo de aviso antes de virar quebra, e o objetivo da inspeção é captar esse aviso.

Nenhuma quantidade de inspeção, porém, leva as quebras repentinas a zero. Quando a linha para, o técnico de hozen é chamado e precisa descobrir se a causa é um sensor, um motor ou o programa de controle, e então recolocar a linha em operação. Com a linha parada a produção é zero, então velocidade e precisão para delimitar a causa são o que essa parte do trabalho exige.

Melhoria e planejamento da manutenção

O reparo não encerra o trabalho. As equipes de hozen investigam por que a peça falhou e mudam algo para que não se repita: um material mais resistente ao desgaste em uma peça que se gasta rápido, ou um ponto de lubrificação levado para um local de fácil acesso. Cada mudança faz o equipamento exigir um pouco menos de atenção.

A área também mantém o registro das inspeções e trocas e acompanha o custo de manutenção de cada máquina. Esses registros são a base para prever a próxima troca e decidir qual equipamento deve ser substituído de vez.

O ritmo hora a hora desse trabalho, e como as quebras reorganizam um dia planejado, são tratados em um guia à parte.

Mecânica e elétrica, e a diferença para a seisan gijutsu

Equipes de hozen maiores costumam se dividir por especialidade. O pessoal da mecânica (kikai-kei) cuida de rolamentos, engrenagens, equipamentos hidráulicos e pneumáticos e bombas. O pessoal da elétrica (denki-kei) cuida de motores, inversores de frequência, sensores, painéis de comando e CLPs. Em fábricas pequenas, é comum uma só pessoa fazer as duas coisas.

A função mais confundida com a hozen é a seisan gijutsu, a engenharia de processos (em algumas fábricas chamada de engenharia de manufatura). Em linhas gerais, a engenharia de processos planeja e implanta novas linhas e equipamentos, enquanto a hozen mantém esse equipamento funcionando no dia a dia depois da partida e continua melhorando-o.

Tipos de manutenção na terminologia japonesa

As fábricas japonesas usam vários métodos de manutenção e escolhem entre eles conforme a criticidade do equipamento e o impacto de uma falha. Eles formam dois grupos: os métodos que mantêm o equipamento funcionando e os que melhoram o próprio equipamento.

Figura 3: Como a terminologia japonesa agrupa os métodos de manutenção

"Corrigir ou prevenir falhas" (manter) versus "tornar o equipamento melhor" (melhorar).

Setsubi hozen (manutenção de equipamentos)Todas as atividades que mantêm ou melhoram o desempenho do equipamento
Manter
Jigo hozenManutenção corretiva (BM): reparo depois que a falha é detectada
Teiki hozenManutenção baseada no tempo (TBM): forma de manutenção preventiva em ciclo fixo
Yochi hozenManutenção baseada na condição (CBM): forma de manutenção preventiva a partir da condição medida
Melhorar
Kairyo hozenManutenção de melhoria (muitas vezes "CM"): mudanças que tornam a falha menos provável ou elevam o desempenho
Hozen yoboPrevenção de manutenção (MP): dados de manutenção do passado incorporados ao projeto de novos equipamentos

Observação: as definições seguem a JIS Z 8141 (termos de gestão da produção). Nomes e agrupamentos variam de empresa para empresa.

Atenção à sigla "CM". No Brasil, "manutenção corretiva" é o reparo feito depois da falha, e é assim que a terminologia de confiabilidade e mantenabilidade a trata. Na prática japonesa de TPM, porém, "CM" costuma designar a kairyo hozen, o trabalho de melhoria que muda o equipamento para a falha não se repetir.

Até a JIS Z 8141 traz "corrective maintenance" como o termo em inglês para jigo hozen (reparo após a falha). Quando um relatório ou uma planilha de KPI disser "CM", pergunte qual dos dois sentidos está sendo usado.

Jigo hozen: manutenção corretiva (BM)

A JIS Z 8141 define a jigo hozen (事後保全) como a manutenção feita depois que uma falha é detectada, para restaurar o item ao estado em que ele cumpre o que se exige dele. Em outras palavras: consertar quando quebra.

Soa descuidado, mas colocar todas as máquinas em manutenção preventiva não é realista. Escolher a manutenção corretiva de propósito pode ser a opção racional para equipamentos cuja parada quase não afeta a produção, equipamentos com reserva e peças baratas e de troca rápida.

Teiki hozen: manutenção baseada no tempo (TBM)

A manutenção preventiva (yobo hozen, 予防保全) reduz os efeitos da deterioração e diminui a probabilidade de falha. A teiki hozen (定期保全), também chamada de manutenção baseada no tempo (TBM) ou manutenção periódica, é a forma que a JIS define como manutenção preventiva realizada em intervalos de tempo programados.

O ciclo vem do histórico de falhas e da recomendação do fabricante: "trocar esta correia a cada seis meses", "desmontar e inspecionar esta bomba uma vez por ano". A TBM é fácil de planejar, mas também troca peças que ainda tinham vida útil. Se o ciclo for curto demais, o custo sobe; se for longo demais, não evita a quebra.

Yochi hozen: manutenção baseada na condição (CBM)

A manutenção baseada na condição (CBM) age conforme o estado do equipamento, e não conforme o calendário. A JIS Z 8141 define a yochi hozen (予知保全) como um método de manutenção preventiva que acompanha a tendência de deterioração com técnicas de diagnóstico e executa a melhor ação no melhor momento antes da falha. A norma observa que ela também é chamada de manutenção baseada na condição.

É o que as fábricas brasileiras costumam chamar de manutenção preditiva. Os técnicos medem vibração, temperatura, corrente ou a condição do lubrificante e trocam a peça quando a tendência cruza um nível definido. A vantagem é que o equipamento recebe atenção só quando precisa, e só na medida em que precisa. Sensores e análise de dados tornaram a CBM mais comum.

Figura 4: BM, TBM e CBM lado a lado

Nenhuma é melhor em geral. Cada uma serve para certos equipamentos e não para outros.

BM (jigo hozen)
TBM (teiki hozen)
CBM (yochi hozen)
Quando agir
Depois da falha
Quando o ciclo definido vence
Quando aparecem sinais de deterioração
Mais adequada para
Equipamento cuja parada tem pouco impacto ou que tem reserva
Equipamento que se desgasta de forma constante com o tempo, com vida útil previsível
Equipamento cuja parada tem grande impacto e cuja condição pode ser medida
Pontos fortes
Sem esforço nem custo de inspeção
Fácil de planejar; peças de reposição fáceis de preparar
Peças usadas perto do fim da vida útil; menos paradas repentinas
Pontos fracos
Paradas repentinas e produção perdida enquanto parado
Troca peças que ainda tinham vida útil
Exige conhecimento de sensores e diagnóstico, e orçamento

Observação: as fábricas reais costumam combinar as três, conforme a criticidade de cada equipamento.

Kairyo hozen e hozen yobo: melhorar o equipamento

A kairyo hozen (改良保全, manutenção de melhoria) busca tornar o equipamento menos propenso a falhas ou elevar seu desempenho. Se o mesmo ponto continua falhando, mudar o projeto costuma sair mais barato do que trocar a peça repetidas vezes.

A hozen yobo (保全予防, prevenção de manutenção, MP) age ainda mais a montante. O histórico de manutenção e os dados de falha são incorporados ao novo equipamento nas etapas de planejamento e projeto, para que ele falhe menos e seja mais fácil de inspecionar desde o primeiro dia.

Quando a equipe de hozen envia requisitos à engenharia de processos ou ao fabricante antes da compra de um equipamento novo, isso é prevenção de manutenção na prática. Se você fabrica equipamentos para um cliente japonês, pode receber pedidos desse tipo.

Onde a hozen se encaixa no TPM

Pistola de graxa lubrificando o mancal de uma esteira transportadora

Em uma fábrica japonesa, a manutenção não é só tarefa da área de manutenção. O TPM (Manutenção Produtiva Total), amplamente usado na indústria japonesa, foi proposto em 1971 pelo Japan Institute of Plant Maintenance (JIPM). O JIPM declara como objetivo construir, com a participação de todos, sistemas que previnem todo tipo de perda antes que aconteça, como "zero acidentes, zero defeitos, zero quebras".

Figura 5: Os oito pilares do TPM

Dois pilares tratam diretamente da manutenção de equipamentos: a manutenção autônoma e a manutenção planejada.

Melhoria focada
Reduz perdas diretamenteEscolhe os processos ou máquinas com as maiores perdas e melhora tema por tema
Manutenção autônoma (jishu hozen)
Reduz perdas diretamenteOs operadores da produção fazem eles mesmos limpeza, lubrificação, reaperto e checagens diárias
Manutenção planejada (keikaku hozen)
Reduz perdas diretamenteA área de manutenção planeja inspeção e conservação e usa habilidades especializadas para reduzir falhas
Manutenção da qualidade
Reduz perdas diretamenteDefine as condições do equipamento que não geram defeitos e depois as mantém
Educação e treinamento
Necessário para conduzir o TPMForma operadores que dominam o equipamento e técnicos de manutenção altamente qualificados
Segurança, saúde e meio ambiente
Necessário para conduzir o TPMConstrói sistemas voltados a zero acidentes e menor impacto ambiental
Gestão inicial de equipamentos
Pode ser acrescentado ou ajustadoLeva o equipamento novo à operação estável rapidamente, usando o raciocínio de prevenção de manutenção
TPM administrativo (áreas de apoio)
Pode ser acrescentado ou ajustadoEstende o esforço ao trabalho de escritório e de gestão

Observação: os nomes dos pilares e os três agrupamentos seguem a página "O que é TPM" do JIPM (em japonês). As descrições são resumos gerais. As traduções dos nomes dos pilares diferem entre as fontes.

O pilar mais próximo da hozen é a jishu hozen (manutenção autônoma). Os operadores da produção que usam o equipamento todos os dias fazem eles mesmos a limpeza, a lubrificação, o reaperto de parafusos e as inspeções simples, partindo da ideia de que quem toca o equipamento todo dia é o primeiro a perceber quando algo está fora do normal.

Quando a manutenção autônoma se consolida, a equipe de hozen deixa de gastar o tempo com a conservação de rotina. Ela pode se concentrar na keikaku hozen (計画保全, manutenção planejada): conservação periódica, diagnóstico e trabalhos de melhoria que exigem habilidades especializadas. Encontrar defeitos por meio da limpeza também se sobrepõe bastante ao 5S e é tratado como base da melhoria no chão de fábrica.

Indicadores que as fábricas japonesas usam na manutenção

A sensação de que "tivemos menos quebras" não basta para julgar a manutenção. As fábricas medem a eficiência com que o equipamento trabalha e usam os números para definir prioridades de melhoria.

Figura 6: Como o OEE é composto

Três índices multiplicados captam as perdas por parada, por lentidão e por defeitos.

OEECom que eficácia o equipamento é utilizado
=
DisponibilidadePerdas por quebras e setup
×
DesempenhoPerdas por redução de velocidade e microparadas
×
Índice de qualidadePerdas por defeitos e retrabalho
Também usados: MTBF (tempo médio entre falhas) = tempo médio de funcionamento entre falhas; MTTR (tempo médio de reparo) = tempo médio entre a falha e a recuperação

Observação: o OEE foi desenvolvido pelo JIPM. A fórmula e os termos seguem a JIS Z 8141. Termos japoneses: setsubi sogo koritsu (OEE), jikan kadoritsu (disponibilidade), seino kadoritsu (desempenho), ryohinritsu (índice de qualidade).

O OEE (eficiência global dos equipamentos) separa as perdas: dá para ver se o problema são as paradas, a operação lenta ou os defeitos. Os dois indicadores de confiabilidade se leem de forma simples: um MTBF maior significa que o equipamento falha menos, e um MTTR menor significa que ele é consertado mais rápido.

Por isso eles são um jeito comum de mostrar o efeito das melhorias de manutenção. O número de chamados por quebra e o tempo total de parada que eles causam também servem de régua para a área de manutenção. Antes de comparar esses números com os de outra fábrica, confirme como cada lado conta o tempo de parada.

Janelas de parada: quando a hozen está mais ocupada

No Japão, os feriados prolongados (a Golden Week, do fim de abril ao início de maio, as férias de verão e o Ano Novo) são raras oportunidades de parar equipamentos por muito tempo. Muitas fábricas reservam essas janelas para grandes manutenções e atualizações de equipamentos, de modo que a equipe de hozen fica mais ocupada justamente quando a fábrica está fechada. Um paralelo no Brasil são as férias coletivas e as paradas de fim de ano. Fábricas que operam 24 horas também podem manter técnicos em turnos ou chamá-los à noite e em feriados.

Se você é prestador de serviço ou fabricante de equipamentos, essas janelas ditam o cronograma. A equipe de hozen define com antecedência, junto com as empreiteiras, a sequência e as medidas de segurança dos trabalhos de atualização no feriado. Plantas de processo com ciclos de inspeção exigidos por lei planejam suas próprias grandes paradas gerais; veja teishu (parada geral).

Segurança: parar a máquina e bloqueá-la antes do trabalho

O trabalho de hozen acontece ao lado de máquinas que podem se mover. No Japão, o artigo 107 do Regulamento de Segurança e Saúde Industrial exige que o empregador pare a máquina quando limpeza, lubrificação, inspeção, reparo ou ajuste puderem colocar trabalhadores em perigo. O trabalho de ajuste foi incluído na lista em outubro de 2013. Com a máquina parada, o empregador deve tomar medidas como travar o dispositivo de partida com um cadeado e fixar nele uma placa, para que ninguém além dos trabalhadores que realizam o serviço consiga ligá-la.

Um folheto do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão acrescenta que placas podem cair ou passar despercebidas, por isso é preferível usar o cadeado junto com a placa. Tarefas fora da rotina, como inspeção, ajuste e desobstrução de travamentos, são chamadas de hiteijo sagyo (非定常作業, trabalho não rotineiro). Um folheto de um escritório de normas trabalhistas descreve um acidente fatal em que não havia procedimento seguro para um trabalho de ajuste e a máquina religou durante o serviço.

Esses são requisitos legais japoneses. No Brasil, a referência para máquinas é a NR-12 (Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos), que também trata de manutenção, inspeção, preparação, ajuste e reparos, e a NR-10 cobre serviços em instalações elétricas. Os procedimentos da matriz japonesa e as exigências brasileiras podem diferir, então confirme qual regra vale na sua fábrica e quem a aprova.

Sob pressão para religar uma linha parada, o risco é pular etapas: conferências feitas às pressas podem levar a acidentes secundários ou a reparos errados. Para práticas ligadas de percepção de perigo, veja o treinamento kiken yochi (KY) e os relatos de quase-acidente (hiyari hatto).

Habilidades e a certificação Kikai Hozen

A hozen exige conhecimento de mecânica e de elétrica, e a maioria dos técnicos amplia seu alcance no trabalho, atendendo quebras ao lado de colegas mais experientes. Na mecânica, o básico é a estrutura de rolamentos, engrenagens e equipamentos hidráulicos e pneumáticos, além da leitura de desenhos. Na elétrica, o básico de circuitos e o entendimento de CLPs e controle sequencial tornam o isolamento de falhas muito mais rápido.

A habilidade fácil de esquecer é a coordenação. Os técnicos de hozen negociam a janela de parada com a produção, colhem dos operadores uma descrição exata dos sintomas e explicam especificações às empreiteiras. O trabalho envolve tanto lidar com pessoas quanto com máquinas.

A qualificação japonesa mais conhecida na área é a Kikai Hozen Gino Kentei (機械保全技能検定, exame nacional de habilidades em manutenção de máquinas). Quem passa pode usar o título kikai hozen ginoshi (técnico certificado em manutenção de máquinas), e o JIPM aplica os exames. O grau 3 não exige experiência profissional e é um primeiro objetivo comum para iniciantes. Você pode ver o grau no currículo de um engenheiro japonês ou no plano de treinamento da matriz.

Figura 7: Graus e requisitos de inscrição da Kikai Hozen Gino Kentei

Graus mais altos exigem mais anos de experiência prática.

Experiência exigida para prestar o exame
Categorias de trabalho oferecidas
Grau especial (tokkyu)
5 anos ou mais após passar no grau 1
Sem categorias
Grau 1
7 anos ou mais
Manutenção mecânica / manutenção elétrica / diagnóstico de equipamentos
Grau 2
2 anos ou mais
Manutenção mecânica / manutenção elétrica / diagnóstico de equipamentos
Grau 3
Nenhuma
Manutenção mecânica / manutenção elétrica

Observação: com base no guia do JIPM para o segundo exame de 2026 (em japonês). A experiência exigida pode ser reduzida conforme a formação escolar e o treinamento profissional. Consulte o site oficial para os detalhes atuais.

Dependendo do equipamento, o pessoal de hozen japonês também pode ter licenças como eletricista (denki koji shi), engenheiro-chefe eletricista (denki shunin gijutsusha), responsável por materiais perigosos (kikenbutsu toriatsukaisha), licenças ligadas a caldeiras e certificados de treinamento para guindastes e amarração de cargas. No Japão, certos trabalhos em instalações elétricas e caldeiras só podem ser feitos legalmente por pessoas habilitadas, por isso os técnicos acrescentam licenças conforme o equipamento que atendem.

No Brasil, a habilitação segue outro caminho: formação técnica em manutenção e treinamentos exigidos pelas NRs, como o de segurança em instalações e serviços com eletricidade (NR-10) e os de caldeiras e vasos de pressão (NR-13). Essas exigências não correspondem uma a uma às japonesas, então confirme os requisitos com a área de SST da sua fábrica.

Como isso se compara ao vocabulário brasileiro de manutenção

Quem trabalha em manutenção no Brasil já conhece a divisão em corretiva, preventiva e preditiva, e a área de PCM (Planejamento e Controle da Manutenção). A terminologia japonesa é compatível com essa base, com algumas diferenças de enquadramento. A tabela abaixo mostra as equivalências mais úteis.

  • Jigo hozen (BM) corresponde à manutenção corretiva no sentido de reparo após a falha.
  • Teiki hozen (TBM) corresponde à manutenção preventiva baseada em intervalo de tempo.
  • Yochi hozen (CBM) corresponde à manutenção preditiva.
  • Kairyo hozen e hozen yobo têm destaque próprio na hozen japonesa: a primeira muda o equipamento depois da falha, e a segunda leva o histórico de manutenção ao projeto do equipamento novo.

Referência rápida: termos japoneses de manutenção

JaponêsRomajiPortuguêsSigla
設備保全setsubi hozenmanutenção de equipamentos–
保全部門hozen bumonárea de manutenção–
事後保全jigo hozenmanutenção corretiva (reparo após a falha; em inglês, na JIS: corrective maintenance)BM
予防保全yobo hozenmanutenção preventivaPM
定期保全 / 時間基準保全teiki hozen / jikan kijun hozenmanutenção baseada no tempo (periódica)TBM
予知保全 / 状態基準保全yochi hozen / jotai kijun hozenmanutenção preditiva / baseada na condiçãoCBM
改良保全kairyo hozenmanutenção de melhoria (no TPM, muitas vezes chamada de "corrective maintenance")CM
保全予防hozen yoboprevenção de manutençãoMP
計画保全keikaku hozenmanutenção planejada (pilar do TPM)–
自主保全jishu hozenmanutenção autônoma (pilar do TPM)AM
設備総合効率setsubi sogo koritsueficiência global dos equipamentosOEE
非定常作業hiteijo sagyotrabalho não rotineiro–

Note que "PM" também pode significar "productive maintenance" (manutenção produtiva), o conceito anterior ao TPM, em material japonês antigo. O contexto costuma deixar claro qual é o sentido.

Perguntas para fazer ao lado japonês

Use estas perguntas ao começar a trabalhar com uma equipe de hozen japonesa, com o escritório de TPM da matriz ou com a área de manutenção de um cliente japonês.

  • Quais equipamentos estão em BM, TBM ou CBM, e como a criticidade de cada máquina foi classificada?
  • Quando seus relatórios dizem "CM", vocês se referem a trabalho de melhoria ou a reparo após a falha?
  • Quais tarefas são dos operadores (jishu hozen) e quais são da equipe de hozen? Existe uma lista escrita?
  • Onde termina a responsabilidade da hozen e começa a da engenharia de processos, principalmente na partida de equipamentos novos?
  • Como são calculados aqui o OEE, o MTBF e o MTTR? O que conta como tempo de parada, e o setup entra?
  • Quais janelas de parada (Golden Week, verão, Ano Novo) são reservadas para grandes serviços, e com que antecedência as empreiteiras devem confirmar os planos?
  • Para equipamentos novos: quais requisitos de prevenção de manutenção (MP) vocês vão enviar ao fabricante, e quando?
  • Quais regras de bloqueio valem no local: o padrão da matriz, a legislação brasileira (NR-12, NR-10) ou ambos? Quem aprova os procedimentos de trabalho não rotineiro?

Limites deste guia

A organização da manutenção varia muito entre empresas e setores japoneses. Em fábricas pequenas, uma pessoa pode cuidar de tudo; as maiores costumam separar planejamento e trabalho de campo e dividir as equipes de mecânica e elétrica. O uso dos termos também varia: as empresas podem agrupar os métodos de manutenção de forma diferente da JIS Z 8141, e o vocabulário de TPM em português não é padronizado.

Os pontos legais acima descrevem apenas as regras japonesas, e a menção à NR-12 e à NR-10 é uma orientação de leitura, não uma instrução de trabalho nem uma comparação ponto a ponto. Siga sempre os procedimentos da sua fábrica e a legislação brasileira vigente.

FAQ

O que significa hozen em japonês?

Hozen (保全) significa manutenção. Em uma fábrica, costuma se referir à setsubi hozen, a manutenção de equipamentos, ou à própria área de manutenção. Jishu hozen é a manutenção autônoma feita pelos operadores; keikaku hozen é a manutenção planejada feita pela equipe de manutenção.

Manutenção corretiva e CM são a mesma coisa?

Depende de quem fala. No uso brasileiro e no termo em inglês listado pela JIS Z 8141, manutenção corretiva é o reparo após a falha. Na prática japonesa de TPM, "CM" costuma designar a kairyo hozen, a manutenção de melhoria que muda o equipamento para que as falhas se repitam menos. Pergunte qual sentido está sendo usado.

Quais são os principais tipos de manutenção nas fábricas japonesas?

A terminologia japonesa usa comumente cinco: manutenção corretiva (BM), manutenção baseada no tempo (TBM), manutenção baseada na condição (CBM), manutenção de melhoria (kairyo hozen, muitas vezes CM) e prevenção de manutenção (MP). TBM e CBM são ambas formas de manutenção preventiva.

Qual é a diferença entre manutenção planejada e manutenção autônoma?

A manutenção autônoma (jishu hozen) é o cuidado de rotina feito pelos operadores da produção: limpeza, lubrificação, reaperto e checagens diárias. A manutenção planejada (keikaku hozen) é feita pela área de manutenção: conservação programada, diagnóstico e trabalhos de melhoria que exigem habilidades especializadas.

O que é prevenção de manutenção (MP)?

A prevenção de manutenção (hozen yobo) usa o histórico de manutenção e os dados de falha nas etapas de planejamento e projeto de um equipamento novo, para que ele falhe menos e seja mais fácil de inspecionar. Na prática, a equipe de manutenção da fábrica envia requisitos à engenharia de processos e ao fabricante antes de o equipamento ser construído.

Fontes

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Sobre a redação

Redação do MONOSCOPEFOUNDER & EDITOR

Cerca de dez anos de atuação em um fabricante de equipamentos industriais e em uma empresa de engenharia de plantas, com propostas, projeto e comissionamento de equipamentos, seguidos da migração para o marketing digital. Hoje presta consultoria web a fabricantes B2B, ajudando-os a explicar com clareza seus produtos e tecnologias. Possui as licenças nacionais japonesas de Energy Manager e de Engenheiro-Chefe de Eletricidade de Terceira Classe.

Mantém um blog de engenharia desde 2017 (mais de 500 artigos) e um canal no YouTube em japonês com cerca de 20 mil inscritos. Cada guia é escrito do ponto de vista do chão de fábrica japonês e conferido com as normas citadas.

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