Alumite (anodização) em desenhos japoneses: tipos e notas

Chega um desenho japonês de uma peça de alumínio e a nota de tratamento superficial diz shiro arumaito, kuro arumaito ou koshitsu arumaito 30 µm. Os três são alumite (arumaito), a palavra que os engenheiros japoneses usam para anodização. O prefixo indica o tipo: shiro (branco, ou seja, incolor), kuro (preto) ou koshitsu (duro). O tipo e a espessura da camada definem mais do que o acabamento: também alteram as dimensões da peça.
Se o seu anodizador no Brasil trabalha com a MIL-A-8625 (MIL-PRF-8625) Tipo II e Tipo III, é preciso traduzir a indicação japonesa antes de cotar ou liberar o lote. Este guia explica cada tipo de alumite, as duas normas JIS por trás deles (JIS H 8601 e JIS H 8603), quanto a peça cresce, como a liga de base muda o resultado e como é uma indicação completa no desenho. No final há um checklist e um modelo de consulta para enviar ao lado japonês.
Sumário
- Termos de alumite nos desenhos japoneses: tradução rápida
- Alumite comum x alumite duro: qual deles o desenho pede?
- Como funciona a anodização: estrutura da camada e fluxo do processo
- Cada tipo de alumite em detalhe
- Graus da JIS H 8601 e tipos da JIS H 8603
- Quanto a anodização muda as dimensões?
- Como a liga muda o resultado
- Como escrever (e ler) a indicação de alumite
- E as normas brasileiras?
- Checklist: antes de cotar ou anodizar conforme um desenho japonês
- Limites deste guia
- Perguntas frequentes
- Fontes
Termos de alumite nos desenhos japoneses: tradução rápida
O termo formal em japonês é 陽極酸化処理 (yokyoku sanka shori, "tratamento de oxidação anódica"), e a camada formada se chama camada de óxido anódico. Em desenhos e pedidos de compra, o termo mais curto arumaito (alumite) é o usual. Os nomes dos tipos não são padronizados no setor, mas na prática formam dois grupos: o alumite comum (incolor, colorido, preto e com coloração eletrolítica) e o alumite duro.
| No desenho | Significado | Referência mais próxima na MIL-A-8625 |
|---|---|---|
| arumaito / 陽極酸化処理 (yokyoku sanka shori) | Anodização (termo geral) | — |
| shiro arumaito (também kuria arumaito) | Anodização incolor (sem tingimento), em geral em ácido sulfúrico | Tipo II, Classe 1 (comparável) |
| kuro arumaito / karā arumaito | Anodização preta ou colorida, tingida | Tipo II, Classe 2 (comparável) |
| 電解着色 (denkai chakushoku) | Coloração eletrolítica (metal depositado nos poros) | Confirmar com o fornecedor |
| koshitsu arumaito (硬質, "duro") | Anodização dura | Tipo III (comparável) |
| 封孔処理 (fuko shori) / fuko nashi | Selagem / sem selagem | — |
O alumite comum é regido pela JIS H 8601 e o alumite duro pela JIS H 8603. Dentro do alumite comum, os nomes incolor, colorido e preto descrevem principalmente como a camada recebe a cor. A figura a seguir compara os quatro tipos principais.
A primeira pergunta não é a cor, mas o desgaste: se a superfície precisa de resistência ao desgaste, o caso é alumite duro.
As classificações são tendências gerais compiladas pela MONOSCOPE e mudam com a liga, a espessura e as condições do processo. A solidez da cor se baseia em materiais da Japan Aluminium Association, da Sankyo Material e da Toei Denka Kogyo.
Alumite comum x alumite duro: qual deles o desenho pede?
Para projeto e compras, as diferenças que importam estão resumidas abaixo.
| Alumite comum | Alumite duro | |
|---|---|---|
| Norma | JIS H 8601 | JIS H 8603 |
| Como a espessura é especificada | Grau (AA3–AA25) | Acordada entre comprador e processador |
| Cor | Incolor, colorido, preto ou com coloração eletrolítica | Cor natural, de cinza a marrom-escuro |
| Selagem | Normalmente selado | Normalmente sem selagem quando o objetivo é resistência ao desgaste |
| Crescimento dimensional (por lado) | Cerca de 1/3 da espessura (exemplo da Toei Denka Kogyo) | Cerca de 1/2 da espessura (regra prática) |
| Escolha típica quando | O objetivo é aparência e proteção contra corrosão | A superfície desliza ou sofre atrito |
Para escolher o tipo (ou para conferir se a escolha do projetista japonês faz sentido), siga esta ordem:
- Superfície que desliza ou sofre atrito: alumite duro. A resistência ao desgaste vem primeiro, e o projeto precisa prever a variação dimensional.
- Aparência e proteção contra corrosão: alumite comum. Incolor se não precisa de cor; preto ou colorido para identificação ou para reduzir reflexo.
- Cor que precisa durar em uso externo: considere a coloração eletrolítica (ou um revestimento combinado com tinta) em vez do tingimento.
Depois, confira dois pontos: as dimensões dos ajustes e das roscas, e se a liga é adequada para anodização. Se deixar isso para o fim, você corre o risco de peças que não montam depois do tratamento ou de cores que não combinam. As seções a seguir tratam dos dois.
Como funciona a anodização: estrutura da camada e fluxo do processo
Na anodização, a peça de alumínio é o ânodo (polo positivo) em um eletrólito, e a corrente faz crescer uma camada de óxido de alumínio na superfície. O eletrólito mais comum é ácido sulfúrico diluído, a cerca de 10–30%.
Aqui está a diferença essencial em relação à galvanoplastia. A galvanoplastia deposita outro metal sobre a superfície, enquanto a anodização transforma o próprio alumínio em camada.
Camada porosa e camada barreira
Uma camada formada em ácido sulfúrico ou em eletrólito semelhante tem duas camadas. Junto ao metal fica uma camada barreira, fina e densa. Sobre ela fica a camada porosa, cheia de poros finos.
Os poros têm dezenas de nanômetros de diâmetro e percorrem quase toda a espessura da camada. Como a camada barreira os fecha no fundo, os poros não chegam ao metal de base. A ideia básica do alumite é colorir a camada preenchendo esses poros com corante ou metal e, em seguida, selá-los.
Uma camada barreira fina se forma sobre o metal, com a camada porosa de poros finos por cima.
Esquema baseado nos modelos estruturais do "Alumite Textbook (Basic)" da Toei Denka Kogyo e da Hyomen Gijutsu, vol. 68, n.º 5 (2017). Fora de escala.
A espessura da camada depende, de forma aproximada, da quantidade de carga que passa (corrente × tempo), enquanto a espessura da camada barreira e o tamanho dos poros dependem da tensão. Por isso os processadores controlam corrente e tensão.
Banho de ácido sulfúrico x banho de ácido oxálico
A maior parte da anodização em uso é feita em ácido sulfúrico. A camada é muito transparente e aceita bem o tingimento, por isso é a base usual do alumite incolor, colorido e preto.
Os banhos de ácido oxálico produzem uma camada com tom próprio, do amarelo ao dourado. O ácido oxálico também tem longa história como um dos métodos de anodização dura. Alguns desenhos e pedidos japoneses indicam o eletrólito diretamente: 硫酸 arumaito (ryusan arumaito, alumite sulfúrico) ou シュウ酸 arumaito (shusan arumaito, alumite oxálico).
Selagem (fuko shori)
A selagem (封孔処理, fuko shori) fecha os poros da camada porosa e estabiliza quimicamente a camada. Ela melhora a resistência à corrosão, impede que manchas penetrem e prende o corante no interior. Os métodos incluem selagem com vapor pressurizado, em água em ebulição, em soluções de sais metálicos como o acetato de níquel e a selagem a baixa temperatura.
O alumite duro é a exceção. A selagem reduz muito a resistência ao desgaste, então as camadas duras normalmente ficam sem selagem quando o objetivo é resistência ao desgaste, e as normas tratam o assunto assim. Camadas sem selagem, porém, mancham com facilidade. Em peças em que a aparência também importa, decida com o processador se vai selar e aceitar a perda de resistência ao desgaste.
A coloração vem depois da anodização e antes da selagem.
As etapas variam conforme a aplicação e o processador. Compilado pela MONOSCOPE a partir do "Alumite Textbook (Basic)" da Toei Denka Kogyo.
A anodização usa ácido sulfúrico e outros produtos químicos, além de equipamento eletrolítico. Parta do princípio de que o serviço vai para um processador especializado e não tente testes improvisados dentro da fábrica.
Cada tipo de alumite em detalhe
Os quatro tipos da Figura 1 compartilham o nome alumite, mas cada um busca um desempenho diferente e traz cuidados próprios.
Alumite incolor (shiro arumaito)
O alumite "branco" é uma camada incolor, sem tingimento, também chamada de alumite incolor (kuria arumaito). Apesar do nome, nada é pintado de branco: o prateado do metal de base continua visível.
Ele protege contra corrosão e riscos e dá um aspecto limpo. A camada é má condutora de eletricidade, por isso também serve a peças que precisam de isolação. É um dos tipos mais comuns, usado de utensílios domésticos e peças de eletrodomésticos a componentes de construção internos e tampas de equipamentos.
Alumite colorido e preto (tingido)
O alumite colorido é feito ao embeber os poros da camada porosa com corante e depois selar. Ele produz cores vivas, como vermelho e azul, e por isso é usado na identificação de peças e no design de produtos. O alumite preto também costuma ser tingido dessa forma e é comum em peças ópticas, onde se quer pouco reflexo, e em carcaças de equipamentos.
O ponto fraco é a durabilidade da cor. Os corantes orgânicos têm solidez limitada à radiação UV e ao calor, e podem desbotar ao ar livre ou em altas temperaturas. Existem corantes inorgânicos com melhor solidez à luz, mas, para peças de uso externo, vale considerar também a coloração eletrolítica.
Coloração eletrolítica (denkai chakushoku)
Depois da anodização, a peça passa por uma segunda eletrólise em solução de sal metálico. Metal ou compostos metálicos se depositam no fundo dos poros e dão à camada tons sóbrios, como cinza tipo inox, bronze e preto.
Diferentemente das camadas tingidas, essas cores resistem ao desbotamento por UV, e por isso são usadas há muito tempo em materiais de construção, como esquadrias de alumínio. Produtos de construção também usam uma camada composta, com tinta aplicada por eletrodeposição por cima (JIS H 8602). A gama de cores é menor que a do tingimento, então o método não serve para peças que precisam de cores vivas.
Alumite duro (koshitsu arumaito)
O alumite duro usa um banho a baixa temperatura, ou um banho especial com ácidos orgânicos, para fazer crescer uma camada mais dura e mais espessa que a da anodização comum. A JIS H 8603 exige dureza de camada de pelo menos HV 400 na maior parte das ligas trabalhadas (a série 2000 e algumas outras têm limites menores). Seu principal valor é que a camada compensa a maciez do alumínio.
As camadas são mais espessas que as do alumite comum. Os processadores japoneses publicam exemplos diferentes: um descreve camadas de 20–40 µm com dureza de HV 300–400 (Kasugai Alumite Kogyo), e outro afirma que as camadas duras rendem melhor entre 30 e 50 µm (Riken Alumite Kogyo).
Os usos típicos são peças sujeitas a atrito ou desgaste: componentes de máquinas, peças de transporte e peças automotivas e aeronáuticas. A cor natural depende da liga (cinza, marrom-amarelado, cinza-escuro) e nunca se iguala ao prateado do alumite incolor.
Também existe o alumite duro preto (tingido de preto). Observe ainda que as camadas duras são conhecidas por conter trincas finas, por causa da forma como se formam; tenha cuidado com peças que serão dobradas ou deformadas.
Graus da JIS H 8601 e tipos da JIS H 8603
Quando o alumite é especificado em um desenho, a referência é a JIS. A JIS H 8603 (camadas anódicas duras) continua na edição de 1999; foi reconfirmada sem alterações em 20 de outubro de 2023. O prefácio informa que ela foi elaborada a partir da ISO 10074 (primeira edição, 1994) sem mudar o conteúdo técnico, com a inclusão de um requisito de marcação.
A JIS H 8601 (camadas de óxido anódico) foi revisada em 22 de dezembro de 2025; a edição vigente é a JIS H 8601:2025. Ela se baseia na ISO 7599:2018, com modificações técnicas. Na certificação com a marca JIS, a edição de 1999 ainda pode ser aplicada até 21 de dezembro de 2026.
Os graus, as aplicações típicas e o formato de designação descritos a seguir vêm da edição de 1999, a versão cujo texto pudemos conferir. Detalhes podem ter mudado na edição de 2025; confirme na norma vigente antes de escrever esses dados em um desenho ou especificação.
As duas normas especificam a espessura de maneiras diferentes. A JIS H 8601:1999 usa um símbolo de grau que define a espessura média mínima. A JIS H 8603 não tem símbolos de grau; comprador e processador acordam a espessura.
O alumite comum é classificado por grau (espessura); o alumite duro, por tipo (liga de base).
Os graus destacados são os que a JIS H 8601:1999 indica principalmente para uso externo. A JIS H 8601 foi revisada em dezembro de 2025; consulte a edição vigente (2025). As tabelas das normas são resumidas, não reproduzidas.
Como se escrevem as designações da JIS H 8601
Na JIS H 8601:1999, a designação de uma camada é o grau de espessura seguido de símbolos dos itens de qualidade (resistência à corrosão, ao desgaste, qualidade da selagem e assim por diante). Se comprador e processador concordarem, os símbolos de qualidade podem ser omitidos, restando só o grau, como no exemplo "AA-15" da norma. Nas camadas com classe de resistência à corrosão alcalina especificada, a letra da classe vem depois do grau, como em "AA-10-B".
Os cinco tipos da JIS H 8603
O material de base determina o tipo, e cada tipo tem sua própria dureza mínima da camada:
| Tipo da JIS H 8603 | Material de base | Dureza mínima |
|---|---|---|
| Tipo 1 (ichi-shu) | Ligas trabalhadas que não estão no Tipo 2 | HV 400 |
| Tipo 2(a) (ni-shu (a)) | Ligas trabalhadas da série 2000 | HV 250 |
| Tipo 2(b) (ni-shu (b)) | Série 7000 e série 5000 com 2% de Mg ou mais | HV 300 |
| Tipo 3(a) (san-shu (a)) | Fundidos com menos de 2% de Cu ou menos de 8% de Si | HV 250 |
| Tipo 3(b) (san-shu (b)) | Demais fundidos | Acordada entre as partes |
Abreviações de oficina: AA10-BK, HAA30, HA50
Você também pode encontrar indicações como "AA10-BK" (preto) ou "HAA30" e "HA50" (duro). Elas não são símbolos da JIS, mas convenções de cada processador ou cliente. A JIS H 8601:1999 não tem símbolo de cor, e a JIS H 8603 não define nenhuma designação por símbolos. A Sanwa Mekki Kogyo, um processador japonês, também descreve "-BK" como uma notação costumeira que não está na JIS.
Uma abreviação que funciona dentro de uma empresa pode ser lida de outra forma por outro fornecedor. No desenho, escreva por extenso o número da norma, a espessura e a cor. Se receber um desenho só com abreviações, pergunte ao lado japonês o que significam antes de cotar.
Quanto a anodização muda as dimensões?

As dimensões são a parte mais mal entendida da anodização. A galvanoplastia acrescenta toda a sua espessura por fora. A anodização converte o metal de base em camada, então parte da camada se forma abaixo da superfície original e o restante cresce acima dela. Só o crescimento para fora aumenta a dimensão.
O crescimento dimensional é apenas a parte que cresce para fora, não a espessura total da camada.
Esquema. A divisão entre crescimento para dentro e para fora varia entre os dados dos processadores japoneses: cerca de 1/3 no comum e 1/2 no duro (Toei Denka Kogyo), cerca de 1/2 no duro (Riken Alumite Kogyo), cerca de 1/2 (Sanwa Mekki Kogyo), cerca de 2/5 (Sun Kogyo) e aproximadamente 1:1 entre interno e externo no duro (Nihon Shinkan).
"Metade da espessura" é uma regra prática com condições
É comum ler que a peça cresce cerca de metade da espessura da camada. Ao alinhar os dados dos processadores, porém, a razão varia. A Toei Denka Kogyo indica cerca de 1/3 da espessura para o alumite comum e cerca de 1/2 para o duro. A Riken Alumite Kogyo indica cerca de 1/2 para o duro. A Sanwa Mekki Kogyo diz que, em teoria, metade da espessura penetra no metal e que o mesmo princípio vale para camadas duras. A Sun Kogyo indica cerca de 2/5.
A razão não é fixa porque o crescimento da camada muda com a liga, o eletrólito e as condições do processo, como temperatura e corrente. A Denka Himaku Kogyo, outro processador, alerta que a variação é diferente nas ligas das séries 2000, 5000, 6000 e 7000.
O polimento químico ou o ataque químico fosco no pré-tratamento também remove um pouco do metal de base. Em peças de tolerância apertada, meça peças de teste para confirmar a razão real.
Exemplos de cálculo
Um diâmetro externo cresce o dobro do crescimento por lado, e um furo diminui o dobro do crescimento por lado. Os exemplos 1 e 2 a seguir assumem uma razão e são fictícios. O exemplo 3 vem de uma coluna técnica de um processador japonês.
Os diâmetros variam o dobro do crescimento por lado.
Os exemplos 1 e 2 usam condições fictícias. O exemplo 3 usa valores de uma coluna técnica da Nihon Shinkan (que assume crescimento para fora e para dentro aproximadamente iguais), recalculados pela MONOSCOPE. As razões reais variam com a liga e o processo.
Como mostra o exemplo 3, a variação da espessura da camada estreita a tolerância de usinagem antes do tratamento. Em ajustes apertados, como H7, só a usinagem pode não conseguir manter a tolerância. Nesse caso, considere mascarar a região para que fique sem tratamento ou usiná-la depois da anodização.
A rugosidade superficial é fácil de esquecer. A anodização tende a deixar a superfície mais rugosa que o metal nu, e mais ainda quanto mais espessa a camada. Se uma superfície de vedação ou deslizante tem requisito de rugosidade, pergunte ao processador se ele ainda pode ser atendido depois do tratamento.
Como a liga muda o resultado
Como a anodização oxida o próprio metal de base, os elementos de liga têm forte efeito. Nas mesmas condições, uma liga diferente dá cor, dureza e espessura diferentes. Os desenhos japoneses usam designações JIS de ligas, como A5052 e A6061. Aqui o foco é como cada família de ligas responde à anodização.
Para aparência, use as séries 1000, 5000 ou 6000. A série 2000 e os fundidos vêm com condições.
"Muito bom / bom / regular / difícil" resume a tabela de adequação do "Alumite Textbook (Basic)" da Toei Denka Kogyo; os tipos e as durezas da JIS H 8603 vêm da norma; a variação de cor na série 7000 vem de um FAQ da Sanwa Mekki Kogyo. São tendências gerais, e o resultado depende do processador.
ADC12 e outras ligas com muito silício: cor irregular
A ADC12, liga comum de injeção sob pressão no Japão, contém 9,6–12% de silício. As regiões ricas em silício e as ricas em alumínio formam a camada em velocidades diferentes, então espessura irregular e cor manchada são problemas típicos.
A Silvec, um processador japonês, relata espessura variando de 10 a 15 µm dentro de uma única placa de ADC12 em medições próprias. Em outro ensaio, duas placas de ADC12 receberam anodização dura nas mesmas condições e foram medidos 24 pontos: a dureza ficou entre HV 147 e 335, ou seja, o maior valor foi mais que o dobro do menor (resultados válidos para as condições dessa empresa).
Alguns processadores conseguem fazer anodização preta ou dura em ADC12, mas não espere a mesma aparência nem o mesmo desempenho das ligas trabalhadas. Para peças de aparência, considere outros acabamentos, como pintura. Se optar pela anodização, combine amostras-limite (限度見本, gendo mihon) que definam o que é aprovado e o que é reprovado.
Séries 2000 e 7000: a resistência vem com condições
A série 2000 (família do duralumínio) contém muito cobre, o que a torna menos adequada à anodização. A JIS H 8603 a classifica como Tipo 2(a), com requisito de dureza menor que o do Tipo 1 (HV 250 mín.). A série 7000 é Tipo 2(b), com HV 300 mín., também abaixo do Tipo 1.
Se você precisa dessas ligas pela resistência, parta do princípio de que a dureza e a cor após a anodização não serão iguais às de peças das séries 1000 ou 6000 e combine o desempenho exigido com o processador. Evite anodizar peças ainda unidas a outros metais e evite processar ligas diferentes juntas no mesmo lote; ambos causam espessura e cor irregulares.
Como escrever (e ler) a indicação de alumite

Muitos problemas de anodização começam em um desenho vago. Uma nota que diz apenas arumaito shori ("tratamento de alumite") deixa o processador sem como decidir o tipo ou a espessura. Para o básico de leitura de desenhos, veja o artigo sobre como ler desenhos técnicos japoneses (JIS B 0001). Esta seção cobre o que é específico do alumite.
O que uma indicação completa inclui
No mínimo, a nota do desenho deve informar:
- Tipo e norma: JIS H 8601 para alumite comum, JIS H 8603 para duro
- Espessura: um grau na JIS H 8601 (por exemplo, AA10); um valor com tolerância na JIS H 8603 (por exemplo, 30 ±5 µm)
- Cor: incolor (sem tingimento), preto ou, para cores, o número de uma amostra de cor ou uma amostra-limite
- Selagem: em camadas duras em que o desgaste importa, escreva "sem selagem"
- Dimensões: se as cotas do desenho valem antes ou depois do tratamento
- Área de tratamento: superfícies a mascarar e furos ou roscas a deixar sem tratamento
Indique também onde o processador pode prender a peça no dispositivo (onde as marcas de contato são aceitáveis), para que as marcas não fiquem nas faces de aparência.
A própria JIS H 8603 lista o que o pedido de compra ou a especificação do processo deve informar: o tipo de camada, o material de base (composição e têmpera), as superfícies significativas e as áreas mascaradas, a espessura exigida e sua tolerância, os pontos de contato preferidos e, quando necessário, as dimensões e tolerâncias antes e depois do tratamento.
Escreva por extenso a norma, a espessura, a cor, a selagem, a base das cotas e a área de tratamento.
2. As cotas indicadas valem após a anodização
3. Mascarar o furo Ø20 H7 e as roscas M6 indicados pela linha traço-ponto larga; não tratar
4. Pontos de contato na face posterior
2. Cor conforme amostra-limite
3. As cotas indicadas valem antes da anodização
4. Mascarar a face de aterramento (linha traço-ponto larga) para manter a condutividade
Todas as peças, dimensões e notas são fictícias. Siga as normas de desenho da sua empresa ou as exigências do cliente, onde existirem.
Antes ou depois da anodização: quais dimensões valem?
Decida com base no estado em que a função da peça precisa ser garantida. As dimensões que afetam ajustes e montagem normalmente são garantidas na peça acabada; por isso são marcadas como "após o tratamento", e o usinador calcula o tamanho antes do tratamento.
Mas "após o tratamento" pode deixar dúvida sobre quem responde pela dimensão, o usinador ou o processador. Alguns desenhos marcam apenas as cotas críticas como após o tratamento e deixam as demais como antes. Outros indicam cotas a serem usinadas depois da anodização. Seja qual for a abordagem, combine com o processador quem responde pelo quê antes de emitir o pedido.
Mascaramento, roscas, ajustes e arestas
Furos e roscas normalmente também recebem camada, embora ela fique mais fina no fundo de um furo. As roscas são revestidas tanto na crista quanto na raiz, o que altera o diâmetro de flanco; por isso considere mascarar furos e roscas de tolerância apertada. Exemplo de um processador: furos de tolerância apertada e furos roscados com insertos helicoidais são tampados com bujões de borracha ou parafusos, e faces planas ou curvas são cobertas com fita ou tinta de mascaramento.
Peças não alumínio, como insertos helicoidais de aço ou inox, podem se dissolver nas soluções de pré-tratamento ou de anodização; por isso instale os insertos helicoidais depois da anodização.
As arestas também pedem atenção. A camada não se forma de modo uniforme em arestas vivas e tende a lascar ou soltar, então aplique um chanfro ou raio adequado à espessura. Os valores recomendados diferem entre processadores e referências; para camadas duras espessas, confirme-os ainda na fase de projeto.
Não anodize conjuntos montados. O eletrólito pode ficar retido nas frestas e atacar a peça, então monte depois da anodização. Remova cavacos e óleo de furos cegos e furos roscados antes de enviar as peças para o tratamento.
Inspeção: como se mede a espessura
As normas japonesas definem dois métodos de medição de espessura: corte transversal com microscópio (JIS H 8680-1) e correntes parasitas (JIS H 8680-2). O corte transversal secciona a peça, portanto é destrutivo. Defina com antecedência qual método será usado na inspeção.
E as normas brasileiras?
No Brasil, anodizadores costumam trabalhar com a MIL-A-8625, e a ABNT também tem normas sobre o assunto. Pela lista de normas da AFEAL (associação do setor de esquadrias de alumínio), a ABNT NBR 12609:2022 trata dos requisitos de anodização para fins arquitetônicos, a ABNT NBR 12610:2010 da medição de espessura de camadas não condutoras por correntes parasitas e a ABNT NBR 9243:2012 da verificação da selagem pelo método da perda de massa. A mesma lista cita a ABNT NBR 12611:2006, sobre a determinação da espessura da camada anódica.
Trate essas normas como referências de método e de produto próprios do mercado brasileiro, não como equivalentes da JIS H 8601 ou da JIS H 8603. Graus, ensaios e critérios de aceitação são definidos de forma diferente em cada sistema. Se o desenho japonês pedir JIS e o processamento for feito no Brasil conforme MIL-A-8625 ou ABNT, combine a substituição com o cliente japonês antes de iniciar.
Checklist: antes de cotar ou anodizar conforme um desenho japonês
Use esta lista quando um desenho ou pedido de compra japonês especificar alumite, seja você o comprador, o usinador ou o processador local.
- Tipo: incolor, preto/colorido (tingido), com coloração eletrolítica ou duro
- Norma e edição: JIS H 8601 (edição de 1999 ou de 2025?) ou JIS H 8603:1999
- Espessura: grau (AA10 etc.) ou valor com tolerância (30 ±5 µm etc.)
- Cor: sem tingimento, preto, ou cor com número de amostra ou amostra-limite
- Selagem: com ou sem selagem (principalmente em camadas duras)
- Dimensões: antes ou depois do tratamento, e quem as garante
- Mascaramento: furos, roscas, faces de aterramento e como estão marcados no desenho
- Pontos de contato: onde as marcas de gancheira são permitidas
- Liga e têmpera: por exemplo, A6063-T5, ADC12
- Pré-tratamento: fosco ou polimento químico, com amostra se houver
- Eletrólito, se especificado: sulfúrico ou oxálico
- Desempenho exigido e aplicação: desgaste, calor, isolação, exposição externa
- Inspeção: método de medição da espessura (corte transversal ou correntes parasitas) e número de medições
- Abreviações: significado de qualquer código fora da JIS (AA10-BK, HAA30) confirmado com o lado japonês
- Especificação local: se pretende processar conforme MIL-A-8625, ABNT ou outra norma, aprovação por escrito do cliente japonês
Modelo de consulta ao lado japonês
Edite os trechos entre colchetes e envie antes de cotar. Se a comunicação com o Japão for em inglês ou japonês, mantenha as perguntas na mesma ordem.
Assunto: Requisitos de anodização (alumite) do desenho [número do desenho]
Estamos analisando o desenho [número do desenho], rev. [x]. A nota de tratamento superficial diz "[nota como escrita, por exemplo: koshitsu arumaito 30 µm]". Antes de cotar, pedimos a confirmação dos seguintes pontos:
1. Norma aplicável e edição (JIS H 8601:1999 / :2025 ou JIS H 8603:1999)
2. Espessura da camada e tolerância, e se o valor é mínimo ou nominal
3. Cor (sem tingimento / preto / outra) e se será fornecida uma amostra-limite
4. Com ou sem selagem
5. Se as cotas indicadas valem antes ou depois da anodização
6. Áreas a mascarar e pontos de contato aceitáveis
7. Método de inspeção da espessura (correntes parasitas ou corte transversal) e tamanho da amostra
8. Se o processamento conforme [MIL-A-8625 Tipo II/III, ABNT ou norma local] é aceitável como alternativaAgradecemos.
Limites deste guia
- Os graus, os usos típicos e o formato de designação da JIS H 8601 aqui apresentados vêm da edição de 1999. A edição de 2025 pode diferir em detalhes; consulte a norma vigente.
- As correspondências com a MIL-A-8625 são comparações no nível do processo. Espessura, ensaios e critérios de aceitação diferem entre os sistemas JIS e MIL, e uma indicação JIS não pode ser trocada por uma indicação MIL sem a concordância do cliente.
- As normas ABNT citadas foram identificadas apenas por título em uma lista de normas do setor; confira escopo e edição vigente na própria norma antes de usá-las como referência.
- As razões de crescimento (1/3 a 1/2 da espessura) são regras práticas baseadas em dados publicados por processadores japoneses. Em tolerâncias apertadas, confirme medindo peças de teste.
- As classificações de adequação das ligas são tendências gerais. O resultado depende do equipamento e do conhecimento do processador.
- As convenções de desenho variam entre empresas e clientes. Onde o cliente tiver norma própria de desenho, ela prevalece sobre os exemplos aqui.
Perguntas frequentes
O que significa "alumite" em um desenho japonês?
Alumite (arumaito) é a palavra japonesa comum para anodização de alumínio; o termo formal é 陽極酸化処理 (yokyoku sanka shori). Não dependa apenas da palavra em desenhos ou pedidos: associe-a ao número da norma, como JIS H 8601 ou JIS H 8603.
Alumite duro é o mesmo que anodização dura Tipo III?
São processos comparáveis, mas não especificações intercambiáveis. A JIS H 8603 define a dureza mínima conforme o tipo de liga de base e deixa a espessura para acordo entre comprador e processador, enquanto a MIL-A-8625 Tipo III tem requisitos próprios. Obtenha a aprovação do cliente antes de substituir uma pela outra.
Peças de aço ou aço inoxidável podem ser anodizadas?
Não. A anodização converte o próprio alumínio de base em camada, então não funciona em aço nem em aço inoxidável. Insertos helicoidais de aço ou inox deixados em uma peça de alumínio também podem se dissolver nas soluções de pré-tratamento ou de anodização.
A anodização preta desbota ao ar livre?
Pode desbotar. A maior parte do alumite preto é tingida com corantes orgânicos, que desbotam com UV e calor. Para peças que precisam manter a cor ao ar livre, considere a coloração eletrolítica, que resiste ao desbotamento por UV, ou uma camada composta com tinta.
Como se mede a espessura da camada anódica?
Por corte transversal com microscópio (JIS H 8680-1) ou por correntes parasitas (JIS H 8680-2). O corte transversal destrói a peça, então combine o método com o processador antes do pedido. No Brasil, a ABNT NBR 12610 trata do método de correntes parasitas; confira com o processador qual método e qual norma serão usados.
Fontes
- JIS H 8601 (camadas de óxido anódico em alumínio e suas ligas): Japanese Standards Association, JSA Webdesk (JIS H 8601:2025, revisada em 22 de dezembro de 2025) (em japonês); kikakurui.com, texto da edição de 1999 (em japonês)
- JIS H 8603:1999 (camadas de óxido anódico duro em alumínio e suas ligas): kikakurui.com, texto da norma (em japonês); JSA Webdesk (em japonês)
- JIS B 0001:2019 (desenho técnico para mecânica, linhas de especificação especial): kikakurui.com (em japonês)
- ISO 10074:2021 (camadas de oxidação anódica dura em alumínio e suas ligas): ISO
- Tipos e classes da MIL-A-8625: Aluminum Anodizers Council, "Military Specification MIL-A-8625" (em inglês)
- Normas brasileiras (ABNT NBR 9243, 12609, 12610, 12611): AFEAL, "Relação de Normas"
- Métodos de coloração e aplicação dos graus: Japan Aluminium Association, "8. Surface Treatment" (em japonês)
- Estrutura da camada e efeitos dos elementos de liga: Y. Tanaka, "Voltage and Current Control in Anodizing", Hyomen Gijutsu, vol. 68, n.º 5 (2017) (em japonês)
- Estrutura da camada, selagem, adequação das ligas, variação dimensional, requisitos do pedido: Toei Denka Kogyo, "Alumite Textbook (Basic)" (em japonês)
- Definição de anodização dura, espessura, selagem, dimensões: Riken Alumite Kogyo, "Hard Anodic Oxide Coatings" (em japonês)
- Coloração eletrolítica e selagem: Sankyo Material, "Coatings (Alumite)" (em japonês)
- Variação dimensional: FAQ da Sanwa Mekki Kogyo (em japonês); Sun Kogyo, "Dimensional Change from Plating and Anodizing" (em japonês)
- Tolerâncias de ajuste e medidas-alvo antes do tratamento: Coluna técnica da Nihon Shinkan (em japonês)
- Camada em furos e roscas, mascaramento, insertos helicoidais: FAQ da Sanwa Mekki Kogyo (em japonês); FAQ da Ueda Alumite Kogyo (em japonês); Koike Techno (em japonês)
- Variação de cor na série 7000: FAQ da Sanwa Mekki Kogyo (em japonês)
- Notação do setor: Sanwa Mekki Kogyo, "How is anodizing notated?" (em japonês)
- Cuidados de usinagem por liga: Denka Himaku Kogyo (em japonês)
- Anodização de ADC12: Silvec, "Anodizing for Aluminum Die Castings" (em japonês)
- Exemplos de espessura e dureza da anodização dura: Kasugai Alumite Kogyo (em japonês)
Artigo original em japonêsEste guia se baseia em um artigo do MONOSCOPE escrito para leitores no Japão: アルマイトの種類と違い|白・黒・硬質の膜厚と寸法変化、図面指示


