Tarifas dos EUA sobre o Japão em 2026: taxas e impactos

A última cotação do seu fornecedor japonês chegou com uma linha nova para tarifas dos EUA. A área comercial dele pergunta quem será o importador registrado (importer of record). Um cliente japonês pede que a sua fábrica no Brasil confirme o país de origem e o teor de aço de cada peça embarcada. Todos esses pedidos vêm da mesma fonte: a política tarifária dos EUA em relação ao Japão mudou várias vezes desde 2025, e os fabricantes japoneses estão reorganizando suas cadeias de suprimentos.
Este guia explica quais tarifas dos EUA valem para as importações do Japão em setembro de 2026, como funciona a taxa de "12,5% incluindo a NMF", quais setores são mais afetados e como os fabricantes japoneses estão reagindo. No fim, há uma lista de perguntas para o seu fornecedor japonês e um modelo curto de e-mail.
Importante: as regras tarifárias dos EUA ainda estão mudando. Este artigo resume informações publicadas até setembro de 2026 e não é orientação jurídica nem aduaneira. Antes de precificar ou embarcar, confirme a taxa de cada código HTS (a classificação do produto na Tarifa Harmonizada dos EUA) com o seu despachante aduaneiro ou nas orientações oficiais da CBP e do USTR.

Sumário
- Tarifas dos EUA sobre produtos japoneses em 2026: resumo
- Como as regras tarifárias dos EUA sobre o Japão mudaram desde 2025
- Como calcular a taxa combinada de 12,5%
- Quais setores japoneses são mais atingidos
- Por que as cadeias de suprimentos estão mudando: risco China e segurança econômica
- Como os fabricantes japoneses estão reagindo
- O que isso significa para quem trabalha com fornecedores japoneses
- Checklist: perguntas para o seu fornecedor japonês sobre as tarifas dos EUA
- Limites deste artigo
- FAQ: tarifas dos EUA sobre importações do Japão
- Fontes
Tarifas dos EUA sobre produtos japoneses em 2026: resumo
Desde 2025, as tarifas dos EUA sobre mercadorias do Japão se apoiaram em quatro leis diferentes, e a taxa mudou a cada troca de base legal. Em setembro de 2026, valem duas camadas:
- Tarifas da Seção 301 (a maioria dos produtos): desde 24 de julho de 2026, a maior parte das mercadorias do Japão paga uma taxa combinada de 12,5%, já contando o imposto normal da nação mais favorecida (NMF, ou MFN em inglês). Produtos cujo imposto normal já é de 12,5% ou mais não pagam a tarifa adicional da Seção 301.
- Tarifas da Seção 232 (produtos específicos): aço, alumínio, cobre, automóveis e autopeças e outros grupos de produtos têm tarifas próprias. A Seção 301 não se aplica a esses produtos.
As tarifas "recíprocas" de 2025, baseadas na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), deixaram de valer. A Suprema Corte dos EUA as declarou ilegais em 20 de fevereiro de 2026.
A cada mudança de base legal, mudaram também as taxas e os produtos cobertos.
Com base em publicações da JETRO e comunicados do governo dos EUA. As taxas se referem a importações do Japão.
Como as regras tarifárias dos EUA sobre o Japão mudaram desde 2025
Tarifas recíprocas e tarifas da Seção 232 em 2025
As tarifas de 2025 se dividiam em dois grupos. As tarifas recíprocas tinham como base o IEEPA: fixavam uma tarifa adicional para cada país, citando déficit comercial e outros motivos, e valiam para a maioria das mercadorias do Japão.
As tarifas da Seção 232 se baseiam na Seção 232 da Lei de Expansão do Comércio de 1962 e atingem produtos específicos por razões de segurança nacional. Começaram com aço e alumínio em março de 2025 e depois chegaram a automóveis e autopeças, cobre, caminhões, madeira e outros produtos. Como têm outra base legal, a decisão da Suprema Corte em 2026 não as afetou.
O acordo EUA–Japão de 2025
Japão e EUA chegaram a um acordo em julho de 2025, e o presidente americano assinou um decreto para implementá-lo em 4 de setembro de 2025. Os principais termos foram estes:
- As tarifas recíprocas sobre mercadorias japonesas ficaram limitadas a 15%, incluindo o imposto já existente. Produtos cujo imposto já era de 15% ou mais não recebiam tarifa adicional.
- As tarifas da Seção 232 sobre automóveis e autopeças japoneses caíram para 15%, incluindo o imposto já existente.
- Aeronaves civis e suas peças ficaram isentas das tarifas adicionais.
Em troca, o Japão se comprometeu a investir cerca de US$ 550 bilhões nos EUA, a comprar mais arroz americano e a adquirir cerca de US$ 8 bilhões por ano em produtos agrícolas e outros bens dos EUA. Instituições financeiras ligadas ao governo, como o Banco do Japão para Cooperação Internacional (JBIC), devem apoiar o investimento com participação acionária, empréstimos e garantias; energia e infraestrutura de IA estão entre os alvos esperados.
A decisão da Suprema Corte e o reembolso das tarifas do IEEPA
Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos EUA decidiu que o IEEPA não autoriza a cobrança de tarifas; portanto, as tarifas adicionais impostas com base nele eram ilegais. As tarifas recíprocas sobre o Japão e outros países perderam a base legal, e o presidente anunciou no mesmo dia que as tarifas do IEEPA seriam suspensas.
O reembolso das tarifas do IEEPA já pagas está em andamento. Em regra, o reembolso vai para o importador registrado (importer of record), ou seja, quem pagou o imposto à Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP). Se a subsidiária americana de uma empresa japonesa era a importadora, ela pode pedir o reembolso por conta própria.
Se o importador era você, cliente nos EUA, o reembolso chega a você, e o fornecedor japonês pode perguntar como ele deve aparecer nos preços. As condições do contrato e os Incoterms definem, de início, quem arca com o imposto; por isso, as áreas comercial e financeira precisam saber de que lado estava o importador.
Da sobretaxa da Seção 122 às tarifas da Seção 301
Quando as tarifas do IEEPA foram suspensas, o governo impôs uma sobretaxa de importação de 10% sobre a maioria dos produtos, com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. A Seção 122 é um instrumento temporário para problemas de balanço de pagamentos, limitado a 150 dias; por isso, a sobretaxa vigorou de 24 de fevereiro a 24 de julho de 2026.
Pouco antes do fim da sobretaxa, em 23 de julho de 2026, o Representante de Comércio dos EUA (USTR) divulgou a decisão final sobre novas tarifas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Elas abrangem 60 países e regiões, entre eles o Japão, que o USTR considerou não terem feito o suficiente para proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado. As novas tarifas entraram em vigor em 24 de julho de 2026.
Para o Japão, a tarifa da Seção 301 foi calibrada para que o imposto normal da NMF mais a tarifa da Seção 301 somem 12,5%. Se o imposto NMF do produto já é de 12,5% ou mais, não há tarifa da Seção 301. O nível é menor que o teto de 15% do acordo de 2025, mas a taxa ainda pode mudar por revisões ou decisões judiciais.
As tarifas da Seção 232 continuam valendo
As tarifas da Seção 232 ficaram fora do processo na Suprema Corte e continuam em vigor em setembro de 2026. A Seção 301 não se aplica a produtos cobertos pela Seção 232. Segundo o resumo da JETRO de 27 de julho de 2026:
- Automóveis e autopeças do Japão: 15% incluindo o imposto já existente, conforme o acordo EUA–Japão.
- Produtos de aço e alumínio: em geral, 50%.
- Produtos de cobre: de 25% a 50%, conforme o produto.
- Outros produtos da Seção 232: caminhões médios e pesados, madeira e produtos de madeira, certos semicondutores e medicamentos patenteados, entre outros.
As regras para metais foram revisadas várias vezes em 2026, e produtos derivados e alguns tipos de equipamento podem ter taxas diferentes. Confirme a taxa exata de cada código HTS.
Em resumo, o fim das tarifas recíprocas não acabou com o custo tarifário das mercadorias japonesas.
Entre o acordo de 2025 e setembro de 2026, a base legal mudou para a maioria dos produtos.
Com base em publicações da JETRO. Confirme a taxa atual de cada código HTS em fontes oficiais.
Como calcular a taxa combinada de 12,5%
Como os 12,5% já incluem o imposto NMF, o custo adicional depende do código HTS de cada produto. Uma peça com NMF de 2,5% recebe mais 10 pontos percentuais; uma peça com NMF de 0% recebe os 12,5 pontos inteiros. A tabela abaixo usa peças fictícias para mostrar como a mesma regra gera resultados diferentes:
| Peça fictícia (fabricada no Japão) | Imposto NMF | Tarifa da Seção 301 | Imposto total |
|---|---|---|---|
| Peça A (exemplo) | 0% | 12,5 pontos | 12,5% |
| Peça B (exemplo) | 2,5% | 10 pontos | 12,5% |
| Peça C (exemplo) | 14% | 0 | 14% (somente NMF) |
| Peça de aço ou automotiva coberta pela Seção 232 | — | Não se aplica | Vale a taxa da Seção 232 |
Dois outros pontos importam na prática. Primeiro, a taxa segue o país de origem definido pelas regras aduaneiras dos EUA, e não a nacionalidade do fornecedor. Uma peça que uma empresa japonesa fabrica na Tailândia, no México ou no Brasil, em geral, não paga a taxa do Japão; vale a regra do país de origem dela.
Segundo, confira a classificação HTS usada pelo seu fornecedor ou despachante. Quem trabalha no Brasil conhece o código NCM, cujos seis primeiros dígitos em geral coincidem com os do Sistema Harmonizado (SH), mas o HTS dos EUA tem mais dígitos e é o que vale na entrada nos EUA. Um código diferente pode mudar tanto o imposto NMF quanto a aplicação da Seção 232.
Quais setores japoneses são mais atingidos
Os EUA são um dos mercados de exportação mais importantes do Japão. Segundo as estatísticas de comércio do Ministério das Finanças do Japão, as exportações para os EUA caíram 4,1% em 2025, para 20,414 trilhões de ienes, enquanto o total exportado atingiu o recorde de 110,448 trilhões de ienes. Os EUA responderam por cerca de 20% do total; por isso, mesmo uma queda de poucos pontos percentuais representa de centenas de bilhões a cerca de 1 trilhão de ienes.
Automóveis e autopeças
O setor automotivo foi o mais atingido. Em 2025, as exportações de carros para os EUA caíram 11,4% e as de autopeças, 10,7% em relação ao ano anterior. A Toyota informou que as tarifas dos EUA reduziram seu lucro operacional em 1,38 trilhão de ienes no ano fiscal encerrado em março de 2026.
As montadoras absorvem o custo com preços mais altos nos EUA e cortes de custos, e parte do peso pode chegar aos fabricantes de peças na forma de pedidos de redução de preço. Se as montadoras produzirem menos veículos para os EUA, caem os pedidos aos fornecedores de primeiro, segundo e terceiro níveis (Tier 1, 2 e 3) no Japão. Até pequenas empresas que nunca embarcam para os EUA sentem as tarifas por meio dos clientes.
Aço, alumínio, cobre e produtos derivados
Tarifas altas da Seção 232 continuam valendo para aço, alumínio e cobre. Além do efeito direto nas exportações, o aço de vários países que ia para os EUA pode se deslocar para outros mercados, o que pode afetar os preços na Ásia e em outras regiões.
As tarifas também cobrem os produtos derivados feitos com aço ou alumínio. Empresas que embarcam peças de máquinas ou produtos metálicos para os EUA precisam confirmar se seus produtos contam como derivados e como declarar o teor de aço e alumínio. Se você importa essas peças do Japão, o fornecedor pode pedir ou fornecer dados de composição.
Máquinas, componentes eletrônicos e outros produtos
Desde julho de 2026, máquinas-ferramenta, máquinas industriais e componentes eletrônicos do Japão ficam principalmente sob a tarifa da Seção 301 (12,5% combinada). A demanda americana por bens de capital continua forte, e os pedidos norte-americanos de máquinas-ferramenta japonesas se mantiveram, puxados pela indústria aeroespacial.
Produtos de alto desempenho e difíceis de substituir tendem a continuar vendendo apesar das tarifas. Para produtos de linha comum, com forte concorrência de preço, a tarifa adicional enfraquece diretamente a competitividade. Dentro do mesmo setor, o impacto depende do quanto o produto é singular e do poder de negociação de preço do fornecedor.
As exportações do setor automotivo caíram muito mais que o total vendido aos EUA.
Com base nas estatísticas de comércio do Ministério das Finanças do Japão (ano civil de 2025), compiladas pelo nippon.com.
Por que as cadeias de suprimentos estão mudando: risco China e segurança econômica
As tarifas dos EUA são só parte da história. As tensões entre EUA e China estão remodelando as cadeias de suprimentos globais, e os fabricantes japoneses precisam continuar trabalhando com os dois países.

Empresas japonesas entre os EUA e a China
A pesquisa da JETRO sobre os negócios no exterior das empresas japonesas (3.369 respostas válidas, divulgada em fevereiro de 2026) mostra bem essa tensão:
- 27,1% apontaram os EUA como o mercado de exportação mais importante para os próximos três anos, a maior parcela desde o ano fiscal de 2018, quando começam os dados comparáveis.
- Entre as empresas que compram no exterior materiais ou componentes principais, cerca de 60% compram da China.
- Pouco mais de um quarto de todas as empresas está revisando, ou pensando em revisar, suas cadeias de suprimentos. Entre as que têm unidades no exterior, a parcela é de cerca de um terço.
- As relações EUA–China foram o fator de risco mais citado. Ao escolher novos fornecedores, as empresas colocam "estabilidade" e "proximidade geográfica" em primeiro lugar.
Controles de exportação mais rígidos da China
O risco mais concreto ligado à China é o controle de exportação. Desde 2023, a China incluiu gálio, germânio, grafite, antimônio e outros materiais em seus controles. Em abril de 2025, acrescentou sete terras raras, entre elas samário e disprósio.
A JETRO relata que as exportações chinesas de ímãs permanentes de terras raras para o Japão caíram forte em maio de 2025. Elas se recuperaram à medida que as licenças foram concedidas, mas as empresas japonesas ainda citam dois problemas: obter a licença pode levar três meses ou mais, e é difícil saber se determinado item está sujeito ao controle.
Em 6 de janeiro de 2026, o Ministério do Comércio da China anunciou controles mais rígidos sobre a exportação ao Japão de itens de duplo uso, proibindo o envio a usuários e usos militares finais. O aviso não definiu com clareza os usos e usuários finais abrangidos, o que dificulta o cumprimento pelas empresas.
O governo japonês, por sua vez, trabalha para fortalecer, no Japão e no exterior, as cadeias de suprimentos de semicondutores, minerais críticos e baterias, sob a ótica da segurança econômica. Com tarifas, controles de exportação e riscos geopolíticos em jogo, as empresas japonesas procuram fornecedores que entreguem sem interrupção, e não só ao menor custo.
Controles de exportação e riscos geopolíticos empurram na mesma direção que as tarifas.
Os controles de exportação da China também levam as empresas às mesmas mudanças.
Como os fabricantes japoneses estão reagindo
Nenhuma medida isolada resolve o problema. Os fabricantes japoneses combinam várias abordagens e ajustam a mistura para cada produto e cada cliente.
Produzir nos EUA
A resposta mais básica é fabricar nos EUA, onde o produto acabado não paga imposto de importação. As montadoras japonesas já operam muitas fábricas no país, e algumas estão ampliando a produção local e a compra local de peças. Mas construção e mão de obra são caras nos EUA, e é difícil encontrar trabalhadores qualificados.
Peças e materiais importados do Japão continuam pagando imposto; por isso, a produção local precisa ser planejada junto com a compra local de peças. Para os riscos práticos, veja por que novas fábricas nos EUA travam.
Repassar custos e cortar custos
Na pesquisa da JETRO, "reunir mais informações" foi a resposta mais comum ao risco tarifário dos EUA, com cerca de 40%, seguida de perto por "rever preços e repassar custos". Se o fornecedor consegue somar o imposto ao preço depende do quanto o produto é singular e da concorrência.
Quando não consegue, ele precisa absorver o custo com mais produtividade e menor custo de produção. Por isso, automação e kaizen (melhoria contínua) também funcionam hoje como proteção contra tarifas.
Vender para mais mercados
Algumas empresas estão reduzindo a dependência do mercado americano. Na mesma pesquisa, cerca de 40% das empresas que citaram mercados alternativos para reduzir o risco nos EUA escolheram a União Europeia, seguida da ASEAN e do próprio Japão. A ideia é manter os EUA como prioridade e, ao mesmo tempo, construir vendas na Europa e na Ásia, para que a mudança de política de um país doa menos.
Isso leva tempo: cada região tem normas e certificações próprias, e é preciso ter vendas e assistência técnica locais. A maioria das empresas trata o tema como plano de médio e longo prazo, e não como reação a cada anúncio tarifário.
Diversificar fornecedores e reforçar a conformidade comercial
Contra os controles de exportação da China e o risco das terras raras, a resposta básica é ter mais de uma fonte. Se o mesmo material pode vir de vários países e empresas, a produção continua quando uma fonte para. Manter mais estoque e desenvolver materiais alternativos também ajuda.
Como as regras de tarifas e de controle de exportação mudam com frequência, as empresas também precisam de pessoas e sistemas que cuidem com precisão da conformidade comercial: definição de origem, classificação HTS e classificação para controle de exportação. Isso não vale só para grandes empresas.
Fabricantes de peças e materiais de pequeno e médio porte no Japão recebem cada vez mais pedidos de certificado de origem e de dados de composição dos materiais. Poder mostrar rapidamente quais materiais de quais países entram em cada produto está virando condição para manter o negócio.
As empresas combinam várias medidas e as ajustam por produto e por cliente.
O que isso significa para quem trabalha com fornecedores japoneses
Para engenheiros e compradores fora do Japão, essas mudanças aparecem na rotina, e não em documentos de política. Cada anúncio tarifário pode alterar as premissas de uma cotação, de um plano de produção ou de uma meta de estoque.
- Compradores e importadores nos EUA de equipamentos e peças japoneses: as cotações podem trazer de forma mais explícita as premissas tarifárias, os Incoterms e os códigos HTS. Pergunte qual taxa a cotação assume e o que acontece se ela mudar antes da entrega.
- Fábricas ligadas a empresas japonesas no Brasil e em outros países: à medida que as empresas japonesas espalham produção e compras por mais países, a sua fábrica pode assumir novos produtos ou abastecer os EUA diretamente. Podem aumentar os pedidos de dados de origem, composição dos materiais e informações de fornecedores.
- Engenheiros da qualidade de fornecedores: fornecedores novos e alternativos precisam ser avaliados e aprovados. Clientes japoneses podem pedir que você qualifique uma segunda fonte mais rápido que o habitual.
- Engenheiros de produto e de processos: a escolha de materiais e componentes passa a incluir o risco de suprimento. Uma peça que depende de um só país, ou de um material controlado, como certas terras raras, pode ser sinalizada na análise crítica de projeto.
Dentro das empresas japonesas, a área de compras deixou de focar só na redução de custos e passou a gerir também o risco de interrupção do suprimento. O trabalho com unidades no exterior também cresce: apoiar a partida de fábricas nos EUA, auditar a qualidade de fornecedores no exterior e transferir tecnologia para unidades de fora.
A pesquisa da JETRO constatou que quase 90% das empresas japonesas têm falta de gente para os negócios no exterior ou não conseguem contratá-la. Há demanda por pessoas que vão além do idioma, entendem as práticas comerciais e as regras locais e conectam a matriz japonesa às operações locais. Conhecer o básico de tarifas, regras de origem e controle de exportação é útil em qualquer função.
Checklist: perguntas para o seu fornecedor japonês sobre as tarifas dos EUA
Use esta lista ao receber uma cotação, um reajuste de preço ou um pedido de dados de origem. Registre as respostas por escrito.
| Tema | Pergunta | Por que importa |
|---|---|---|
| País de origem | Onde cada item é fabricado e com que critério vocês determinam a origem? | A tarifa segue a origem, não a nacionalidade do fornecedor. |
| Código HTS | Qual código HTS vocês usam para cada item? | O código define o imposto NMF e se a Seção 232 se aplica. |
| Camada tarifária | O item está na Seção 301 (12,5% combinada) ou na Seção 232? | As duas não se somam; as taxas são diferentes. |
| Teor de metal | Vocês podem fornecer dados de teor de aço, alumínio e cobre se o item for produto derivado? | Produtos derivados exigem declaração de composição. |
| Importador registrado | Quem será o importador registrado e sob quais Incoterms? | O importador paga o imposto e recebe eventual reembolso. |
| Premissa de taxa | Qual taxa tarifária e qual data esta cotação assume? | As regras podem mudar entre o pedido e a entrega. |
| Cláusula de mudança | Como o preço muda se a taxa tarifária mudar? | Evita disputas depois de uma mudança de regra. |
| Reembolsos do IEEPA | Nos embarques passados, quem pagou o imposto do IEEPA e como será tratado um eventual reembolso? | Resolve reembolsos ligados a aumentos de preço anteriores. |
| Risco de suprimento | Algum material vem de um só país ou está sujeito a controle de exportação? | Sinaliza interrupções de suprimento antes que aconteçam. |
Modelo de e-mail: perguntar a um fornecedor japonês sobre as premissas tarifárias
Perguntas curtas e numeradas são mais fáceis de encaminhar, na equipe comercial japonesa, para as áreas de conformidade comercial ou logística. O modelo abaixo está em inglês, idioma mais comum nesse contato; adapte-o à sua situação:
Subject: Tariff assumptions for Quotation No. [number] Dear [Name], Thank you for your quotation. Before we place the order, could you please confirm the following points for each item? 1. Country of origin and the HTS code you use 2. Whether the item falls under Section 301 or Section 232 3. The tariff rate and effective date assumed in the price 4. The Incoterms and the importer of record 5. Steel, aluminum, or copper content data, if the item is a derivative product 6. How the price will be adjusted if the US tariff rate changes before delivery A short table is fine. If any point needs to be checked with another department, please tell us the expected reply date. Best regards, [Your name]
Limites deste artigo
- Este artigo reflete informações publicadas até setembro de 2026. As medidas tarifárias dos EUA ainda estão sendo revisadas e contestadas, e as taxas podem mudar.
- As taxas aqui são gerais. O imposto efetivo depende de cada código HTS, da origem e de eventuais exclusões. Confirme com seu despachante aduaneiro, a CBP e o USTR ou, do lado japonês, com a JETRO e o Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão (METI).
- As taxas tratadas aqui são as de mercadorias de origem japonesa. As tarifas dos EUA sobre produtos de origem brasileira ou de outros países seguem regras próprias e não são analisadas neste artigo.
- Os números das pesquisas refletem o conjunto das empresas respondentes, e não um fornecedor em particular. A resposta do seu fornecedor depende do setor, do porte e dos clientes dele.
- Este artigo não é orientação jurídica nem aduaneira. Dúvidas sobre contrato e reembolso devem ir para as áreas jurídica e de conformidade comercial.
FAQ: tarifas dos EUA sobre importações do Japão
As tarifas recíprocas sobre o Japão ainda estão em vigor?
Não. A Suprema Corte dos EUA decidiu em 20 de fevereiro de 2026 que o IEEPA não autoriza a cobrança de tarifas, e as tarifas recíprocas foram suspensas. Desde 24 de julho de 2026, a maioria das mercadorias do Japão passou a ficar sujeita às tarifas da Seção 301, com taxa combinada de 12,5% incluindo o imposto NMF.
Qual é a tarifa dos EUA sobre importações do Japão em 2026?
Para a maioria dos produtos, é de 12,5% combinada (NMF mais Seção 301), ou a taxa NMF, se for maior. Os produtos da Seção 232 seguem taxas próprias: 15% incluindo o imposto existente para automóveis e autopeças japoneses, em geral 50% para produtos de aço e alumínio e de 25% a 50% para produtos de cobre.
Qual é a diferença entre as tarifas das Seções 232 e 301?
As tarifas da Seção 232 atingem produtos específicos, como aço, alumínio e automóveis, por razões de segurança nacional. As tarifas da Seção 301 de 2026 se aplicam país a país e foram impostas por causa da fiscalização de importações ligadas a trabalho forçado. A Seção 301 não se aplica a produtos cobertos pela Seção 232.
Quem pode pedir o reembolso das tarifas do IEEPA?
Em regra, o importador registrado que pagou o imposto à CBP. A subsidiária americana de uma empresa japonesa pode pedir o reembolso se foi ela a importadora. Se o importador era um cliente nos EUA, as duas partes podem precisar combinar como o reembolso afeta os preços.
As empresas japonesas que não exportam para os EUA são afetadas?
Sim. Em setores com cadeias longas, como o automotivo, a menor produção voltada aos EUA reduz os pedidos aos fornecedores de primeiro, segundo e terceiro níveis (Tier 1, 2 e 3) no Japão. Fabricantes de peças e materiais de pequeno e médio porte também recebem mais pedidos de certificado de origem e de dados de composição dos materiais.
Fontes
- Decisão da Suprema Corte: JETRO, "Sobre a decisão da Suprema Corte dos EUA a respeito das tarifas adicionais do IEEPA" (maio de 2026, em japonês); Greenberg Traurig, "Supreme Court Invalidates Trump Administration's IEEPA Tariffs" (fevereiro de 2026)
- Suspensão das tarifas do IEEPA e sobretaxa da Seção 122: JETRO Business Short News (em japonês); National Law Review, "US Supreme Court Invalidates IEEPA Tariffs; Temporary Section 122 Surcharge Now..."
- Tarifas da Seção 301 e taxa para o Japão: JETRO Business Short News (em japonês); KPMG, "United States imposes Section 301 tariffs on 60 economies failing to address forced labor" (julho de 2026)
- Decreto que implementa o acordo EUA–Japão: JETRO Business Short News (em japonês); S&P Global, "Trump cuts Japan auto tariffs to 15% while unlocking $550 billion in investments" (setembro de 2025)
- Taxas da Seção 232 por produto: JETRO, "Visão geral das tarifas da Seção 232 dos EUA (em 27 de julho de 2026)" (em japonês); C.H. Robinson, "Updates to Section 232 Tariffs on Steel, Aluminum, Copper" (junho de 2026)
- Exportações do Japão para os EUA em 2025: nippon.com, com base nas estatísticas de comércio do Ministério das Finanças (em japonês); Jiji Press via Adnkronos, "Japan Logs Trade Deficit of 2.6 T. Yen in 2025"
- Impacto tarifário na Toyota: Toyota Motor Corporation, resultados financeiros do ano fiscal de 2026 (encerrado em março de 2026)
- Pesquisa com empresas japonesas: JETRO, "Pesquisa do ano fiscal de 2025 sobre as operações internacionais das empresas japonesas" (divulgação em japonês em fevereiro de 2026; relatório em inglês em março de 2026)
- Controles de exportação de itens de duplo uso da China contra o Japão: JETRO Business Short News (em japonês); Greenberg Traurig, "China Imposes Escalated Export Controls on Dual-Use Items to Japan" (fevereiro de 2026)
- Controles de exportação de terras raras da China e impacto no Japão: JETRO, "Controles de exportação de terras raras da China (1)" (em japonês)
Artigo original em japonêsEste guia se baseia em um artigo do MONOSCOPE escrito para leitores no Japão: 米国関税とサプライチェーン再編が日本の製造業に与える影響をわかりやすく解説


