FAT e SAT: teste de aceitação em fábrica e checklist

Sua fábrica encomendou uma máquina de produção de um fornecedor japonês. Antes do embarque, o fornecedor convida você para um tachiai kensa (立会検査, inspeção com a presença do cliente como testemunha) na fábrica dele e envia por e-mail o kensa yoryo-sho (検査要領書, procedimento de inspeção) para a sua aprovação. A maior parte do que você poderá verificar no dia da inspeção já foi decidida antes, quando se acordam a especificação e as condições de aceite.
Se a especificação for vaga, ninguém consegue dizer no dia se a máquina foi aprovada. A disputa então acompanha o equipamento pela instalação, pelo kenshu (検収, aceite formal do equipamento entregue) e, por fim, pelo pagamento. Este guia explica a diferença entre o teste de aceitação em fábrica (FAT) e o teste de aceitação no local (SAT), percorre o procedimento do FAT e o que vem depois dele em seis passos, da especificação ao aceite, e termina com perguntas para fazer ao fornecedor e um checklist de FAT e SAT.
- O FAT acontece na fábrica do fornecedor, antes do embarque. O SAT acontece na sua fábrica, depois que o equipamento é instalado.
- O FAT pergunta: "Foi construída conforme a especificação?" O SAT pergunta: "Funciona conforme a especificação no local de instalação?" Danos de transporte, utilidades e a troca de sinais com os equipamentos antes e depois na linha só podem ser verificados no local.
- Dois documentos acordados antes do pedido determinam o que você poderá verificar: a sua especificação de requisitos do usuário (URS) e o procedimento de inspeção. Escreva cada requisito com um valor, um método de medição e condições de ensaio, para que o resultado seja claramente aprovado ou reprovado.
- No FAT, verifique o comportamento em falha, as funções de segurança, as informações de risco residual (os perigos que o fornecedor não conseguiu eliminar no projeto) e os documentos, além da operação normal. Registre cada apontamento com prioridade e leve-o para a punch list.
- Registre por escrito, no pedido, as condições de aceite e as etapas de pagamento, e confirme qual lei rege o contrato. Para máquinas no Brasil, inclua também a conformidade com a NR-12 e o manual em português.
Sumário
- FAT x SAT: o que cada teste comprova
- Como os fornecedores japoneses tratam o tachiai e o kenshu
- Procedimento de FAT e SAT: 6 passos, da especificação ao aceite
- Etapas 1 e 2: antes de fazer o pedido
- Etapa 3: FAT na fábrica do fornecedor
- Etapas 4 e 5: instalação e SAT na sua fábrica
- Etapa 6: kenshu (aceite) e pendências
- Erros comuns em FAT e SAT
- Perguntas para combinar com o seu fornecedor japonês
- Checklist de FAT e SAT para usar no seu projeto
- Limites deste guia
- Perguntas frequentes
FAT x SAT: o que cada teste comprova
O teste de aceitação em fábrica (FAT, Factory Acceptance Test) é a inspeção feita na fábrica do fornecedor do equipamento, antes de a máquina ser embarcada. Em japonês, chama-se kojo tachiai kensa (工場立会検査, inspeção de fábrica com testemunha). O teste de aceitação no local (SAT, Site Acceptance Test) é feito depois que o equipamento foi entregue e instalado na sua fábrica; em japonês, genchi ukeire kensa (現地受入検査, inspeção de recebimento no local).
A IEC 62381, norma internacional para FAT e SAT de sistemas de automação na indústria de processos, define o FAT como inspeção e ensaio que demonstram que o sistema ou componente atende à sua especificação, em geral realizados nas instalações do fornecedor. Define o SAT como inspeção e ensaio no local de instalação que demonstram que a instalação cumpre as normas, os códigos, as especificações e as instruções de instalação aplicáveis.
Em resumo: o FAT verifica se a máquina foi construída conforme a especificação, e o SAT verifica se ela funciona conforme a especificação depois de instalada.
Os dois são inspeções com testemunha, mas acontecem em lugares e momentos diferentes e, por isso, verificam coisas diferentes.
Observação: a IEC 62381 trata de sistemas de automação na indústria de processos. Os termos FAT e SAT também são muito usados, com o mesmo sentido, para máquinas de montagem e máquinas-ferramenta.
A tabela abaixo acrescenta onde gastar o tempo e o que acontece depois de cada teste, pontos que você vai escrever no procedimento de inspeção.
| Ponto | FAT (no fornecedor) | SAT (na sua fábrica) |
|---|---|---|
| Local e momento | Fábrica do fornecedor, antes do embarque | Sua fábrica, depois da instalação e da ligação |
| Pergunta que responde | Foi construída conforme a especificação? | Funciona conforme a especificação depois de instalada? |
| Onde gastar tempo | Comportamento em falha, funções de segurança, documentos | Condição após o transporte, utilidades, ligação com outros equipamentos |
| Achados típicos | Falhas de projeto ou de fabricação, especificação mal interpretada | Danos de transporte, utilidades insuficientes |
| Retrabalho | Projetistas e montadores estão no local | Peças e pessoas levam tempo para chegar |
| O que vem depois | Apontamentos registrados com prioridade, responsável e prazo | Punch list encerrada e, em seguida, aceite |
Por que testar duas vezes?
Se a máquina passou no FAT, é tentador achar que o SAT precisa apenas de uma checagem de energização. Mas, entre os dois testes, o equipamento é desmontado, encaixotado, transportado, remontado e instalado em outro prédio. Nivelamento do piso, tensão da rede, pressão do ar comprimido, temperatura e umidade do ambiente e a troca de sinais com os equipamentos vizinhos não podem ser reproduzidos por completo na fábrica do fornecedor. Para quem compra do Japão, o caminho inclui ainda o frete internacional.
O Anexo 15 das diretrizes de BPF (boas práticas de fabricação de medicamentos) da União Europeia diz o mesmo: o FAT pode ser complementado por um SAT depois que o equipamento chega ao local de fabricação. Diz também que, quando justificado, alguns testes do FAT não precisam ser repetidos no local, desde que se demonstre que o transporte e a instalação não afetam a função.
Em regra, quanto mais tarde um defeito é encontrado, mais tempo e esforço custa corrigi-lo. A divisão básica é esta: resolva no FAT tudo o que for possível e deixe para o SAT apenas o que só o local pode mostrar.
Como os fornecedores japoneses tratam o tachiai e o kenshu
Duas palavras japonesas vão aparecer o tempo todo. Tachiai (立会) significa "estar presente como testemunha". Um tachiai kensa é uma inspeção a que o comprador assiste pessoalmente, em geral seguindo um procedimento escrito preparado pelo fornecedor. Kenshu, como visto acima, é o ato formal de conferir o que foi entregue com o contrato e aceitá-lo. É o contrato que define como o kenshu se relaciona com o pagamento e com o início da garantia; por isso ele importa tanto para o financeiro e as compras quanto para a engenharia.
Espere uma pilha de documentos. Os nomes e o conteúdo variam conforme a empresa e o setor, mas estes são alguns que um comprador estrangeiro pode encontrar:
| Nome em japonês | O que é | O que conferir |
|---|---|---|
| 仕様書 (shiyosho) | Especificação: os seus requisitos (URS) ou a especificação do equipamento feita pelo fornecedor | Todo requisito tem um valor, um método de medição e condições |
| 検査要領書 (kensa yoryo-sho) | Procedimento de inspeção: itens de teste, métodos e critérios de aceitação | Cada item remete a uma linha da especificação; consta se é FAT ou SAT |
| 試運転要領書 (shiunten yoryo-sho) | Procedimento da operação de teste (comissionamento) da máquina | Duração da corrida, peças usadas e como as paradas são contadas |
| 検査成績書 (kensa seiseki-sho) | Relatório de inspeção: resultados medidos, muitas vezes assinado pelas duas partes | Valores medidos de fato, não só "OK"; instrumentos usados |
| 図面/回路図/部品表 (zumen, kairo-zu, buhin-hyo) | Desenhos, esquemas elétricos, lista de materiais (BOM) | A revisão corresponde à máquina como construída |
| 取扱説明書 (toriatsukai setsumei-sho) | Manual de instruções, incluindo as informações de risco residual | Idioma e formato de que seus operadores precisam |
| 残件リスト (lista de zanken; 残件 = pendências) | Lista de pendências, equivalente à punch list | Responsável, prazo e como o encerramento será confirmado |
Procedimento de FAT e SAT: 6 passos, da especificação ao aceite
FAT e SAT não são apenas dois dias de teste. Trate tudo, da redação da especificação ao fechamento da última pendência, como um processo contínuo, e ficará claro o que precisa ser decidido em cada ponto.
As etapas 1 e 2, antes de qualquer visita ao fornecedor, decidem o resultado.
Observação: em equipamentos pequenos, o FAT às vezes é dispensado e só se faz o SAT. As etapas 1 e 2 continuam valendo.
A relação com o fornecedor costuma ficar tensa a partir da etapa 3, quando começam a aparecer frases como "Isso não está na especificação" ou "Isso será cobrado à parte". A causa raiz costuma ser uma especificação ou um procedimento deixado vago nas etapas 1 e 2. As seções a seguir seguem as etapas na ordem.
Etapas 1 e 2: antes de fazer o pedido

O que será verificado no FAT e no SAT é definido por dois documentos: a especificação de requisitos do usuário (URS) que você escreve e o procedimento de inspeção que você acorda com o fornecedor. O primeiro diz o que você quer; o segundo diz como você vai provar que recebeu.
O Anexo 15 das BPF da UE diz que a URS deve ser um ponto de referência ao longo de todo o ciclo de vida da validação. Isso vale em qualquer setor, não só no farmacêutico: o padrão pelo qual você vai julgar a máquina é o que estiver escrito nos documentos anteriores ao pedido.
Escreva requisitos que possam ser aprovados ou reprovados
É comum encontrar especificações que dizem "alta velocidade", "precisão suficiente" ou "operação estável". Ninguém consegue decidir aprovado ou reprovado com base nisso no FAT, e fornecedor e comprador acabam lendo cada frase do jeito que lhes convém.
Para tornar um requisito testável, dê a ele três coisas: um valor, um método de medição e condições. No tempo de ciclo (o tempo para produzir uma peça), "X segundos ou menos" não basta. Indique qual peça, sobre quantas peças consecutivas se calcula a média e se a troca de modelo (setup) está incluída. Um exemplo hipotético: "Peça A, 200 peças consecutivas, tempo de ciclo médio de 12,0 s ou menos, sem contar o setup". Com esse nível de detalhe, não sobra nada para discutir no dia.
Com um valor, um método e condições, o resultado aprovado ou reprovado sai na hora.
Observação: os valores "__" dependem do equipamento e do produto. Defina-os com base nos seus padrões de qualidade e no seu plano de produção.
Ao colocar números na estabilidade, defina também o que conta como parada e como o tempo de parada é medido. A eficiência global dos equipamentos (OEE, setsubi sogo koritsu), que separa as perdas em disponibilidade, desempenho e qualidade, é um bom modelo para definir paradas.
Itens que o procedimento de inspeção deve cobrir
Muitas vezes é o fornecedor que redige o procedimento de inspeção e o envia para a sua análise e aprovação. Quando ele chegar, confira se cobre pelo menos estes seis pontos:
- Itens de teste, cada um ligado a uma linha da especificação
- Métodos de teste e instrumentos de medição que serão usados
- Critérios de aceitação (valores e tolerâncias)
- Peças de teste: peças de produção ou substitutas, e quantas
- Se cada item é verificado no FAT ou no SAT
- Quem acompanha como testemunha e o formato dos registros (campos de assinatura, fotos, como os dados de medição são guardados)
O ponto mais esquecido é a quantidade e o tipo das peças de teste. Se os seus materiais e componentes de produção não tiverem chegado à fábrica do fornecedor, a máquina só poderá rodar com peças substitutas, e você não verá como ela se comporta nas condições reais. Para quem está no Brasil, isso significa remessa internacional para o Japão; por isso, combine no momento do pedido quando e como as peças serão enviadas.
Requisitos específicos para o Brasil
Uma máquina projetada no Japão não nasce conforme a NR-12. A NR-12 (Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos) prevê que as máquinas tenham manual de instruções fornecido pelo fabricante ou importador, com informações de segurança em todas as fases de uso, e que o manual e as inscrições de advertência estejam em português (Brasil). Por isso, escreva na URS que a máquina deve atender à NR-12, que o manual e as inscrições devem ser em português e que o fornecedor deve entregar a documentação de segurança usada no projeto.
Peça também ao fornecedor que indique em quais normas técnicas se baseou a apreciação de riscos. A ABNT NBR ISO 12100 é a norma de referência para apreciação e redução de riscos citada pela NR-12; a ABNT NBR 14153 aparece em materiais sobre a NR-12 para a categoria dos dispositivos de proteção. Não trate nenhuma norma estrangeira como "igual" à brasileira: peça ao fornecedor que indique a correspondência e confirme com o seu SESMT ou com a engenharia de segurança.
Escreva as condições de aceite no contrato
Em equipamentos, o pedido de compra ou o contrato precisa dizer o que conta como aceite: passar no FAT, passar no SAT ou uma verificação posterior com peças de produção.
Acorde ao mesmo tempo o cronograma de pagamento, como as pendências afetam o aceite e quando começa a garantia. Os pedidos de equipamentos têm valor alto e o caminho até o aceite é longo; por isso, engenharia e compras devem alinhar essas condições cedo.
Etapa 3: FAT na fábrica do fornecedor

No dia do FAT, você percorre o procedimento de inspeção item por item. Os projetistas e montadores do fornecedor estão no prédio, e essa é a grande vantagem do FAT: você pergunta a causa na hora e combina a correção antes de ir embora.
O FAT cobre como a máquina para e quais documentos a acompanham, não apenas se ela funciona.
Observação: combine também como serão tratadas as alterações do programa de controle feitas depois do FAT (histórico de alterações e o que será testado de novo).
Teste as condições de falha, não só a operação normal
Na demonstração do fornecedor, a máquina roda sem problemas. Os problemas de produção vêm das condições anormais: uma peça fora de posição, falta de material, um sensor sujo. Provoque essas falhas de propósito e confira se a tela mostra a causa e se um operador consegue se recuperar com segurança.
Vale também levar o pessoal de produção e de manutenção que vai operar a máquina. Eles percebem o que um engenheiro de manufatura sozinho tende a deixar passar: comandos desajeitados, portas de inspeção mal posicionadas e consumíveis difíceis de trocar.
Recolha as informações de risco residual
O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão (MHLW) estabeleceu sua abordagem recomendada nas "Diretrizes para as normas abrangentes de segurança de máquinas", elaboradas com base na ISO 12100. O fabricante da máquina faz a apreciação de riscos na fase de projeto e repassa ao usuário, como informação para uso, os perigos que não conseguiu eliminar (riscos residuais).
Desde abril de 2012, o artigo 24-13 da Portaria japonesa de Segurança e Saúde Industrial também pede que quem transfere ou empresta máquinas se esforce para informar ao receptor os perigos delas. É uma "obrigação de esforço" e não uma exigência estrita, mas um fornecedor japonês deve estar preparado para fornecer essa informação.
No FAT, vá além de confirmar que as funções de segurança funcionam. Peça a lista de riscos residuais e uma explicação de quais perigos permanecem em quais tarefas. Ela é o ponto de partida da apreciação de riscos que você fará na sua fábrica, e deve ser lida junto com o manual de instruções exigido pela NR-12. Se o equipamento inclui robôs, verifique também os requisitos de segurança do robô. O que a sua fábrica deve fazer com essas informações é definido pela legislação brasileira e pela sua equipe de segurança (SESMT), não por este guia.
Registre os apontamentos com prioridade
O FAT gera apontamentos de todos os tamanhos. Se você insistir em corrigir todos antes do embarque, perde a data de entrega; se adiar todos, herda os problemas na sua fábrica. Classifique cada apontamento em um dos três grupos e registre responsável e prazo de cada um:
- Corrigir antes do embarque: tudo o que afeta segurança, qualidade ou conformidade legal
- Corrigir até o SAT: itens que um ajuste no local pode resolver
- Corrigir depois: itens que podem esperar até o início da produção
Esse registro é a base da punch list descrita na etapa 6. Quando alguém disser "vamos corrigir isso", escreva e peça que as duas partes confirmem.
Etapas 4 e 5: instalação e SAT na sua fábrica

Depois de confirmar que os apontamentos do FAT exigidos antes do embarque foram corrigidos, o equipamento é embarcado e instalado na sua fábrica. A instalação envolve a posição da fundação e dos chumbadores, o nivelamento, a ligação das utilidades (energia, ar comprimido, água de refrigeração e assim por diante) e a fiação de sinais para os equipamentos vizinhos.
No SAT, separe os itens entre os já verificados no FAT e os que só podem ser verificados no local. Limite o primeiro grupo a uma reconferência rápida e gaste o tempo com o segundo; assim o SAT fica curto.
Reverifique no local apenas o que o transporte e a instalação podem alterar.
Verifique danos de transporte e teste as utilidades
A vibração e os choques do transporte podem afrouxar parafusos, deslocar peças de posicionamento e romper fios. Fotografe o equipamento ao desencaixotá-lo e meça de novo, pelo menos, alguns itens representativos de precisão do FAT. Assim você evita uma disputa posterior sobre se algo quebrou no transporte ou já estava errado desde o início.
As utilidades são responsabilidade da sua fábrica. Pressão de ar comprimido que cai quando outras máquinas operam, ou uma rede elétrica sem capacidade suficiente, muitas vezes é problema da fábrica e não do equipamento. Registre na especificação a tensão, a frequência (no Brasil, a rede é de 60 Hz) e as demais condições de energia e ar do seu local, e confirme como o fornecedor as tratou. Defina na especificação, antes do pedido, o limite de responsabilidade, a interface (toriai, 取り合い, em japonês).
Rode com peças de produção e com os seus operadores
O SAT termina com a máquina rodando com os mesmos materiais, operadores e setups da produção. É comum a máquina funcionar sem problemas quando o engenheiro do fornecedor está nos comandos e, mesmo assim, demorar muito mais na troca de modelo quando os seus operadores a operam pela primeira vez.
Aproveite esse momento para o treinamento dos operadores e para que o fornecedor conduza a sua equipe de manutenção pela inspeção e pela troca de peças. Use o que aprender para montar o seu plano de manutenção.
Etapa 6: kenshu (aceite) e pendências
Passar no SAT leva ao aceite. Na prática, porém, raramente um equipamento é aceito sem nada em aberto. Aceitar ou não com pequenas pendências é onde muitas disputas começam.
Há várias formas de ligar o aceite ao pagamento e, quanto mais caro o equipamento, mais vezes o pagamento é dividido em etapas. Seja qual for a escolha, acorde por escrito, no momento do pedido, qual teste dispara qual pagamento.
Escolha a divisão conforme o porte do equipamento e a sua relação com o fornecedor.
Observação: os percentuais de pagamento e o número de parcelas são definidos contrato a contrato.
Encerre a punch list
Se você aceitar com pequenas pendências, liste cada uma com descrição, responsável, prazo e a forma de confirmar o encerramento, e peça que as duas partes assinem. Em obras e plantas industriais isso se chama punch list (no Brasil, também lista de pendências); fornecedores japoneses podem chamá-la de lista de zanken.
Tudo o que afeta segurança ou qualidade deve ser corrigido antes do aceite. Acompanhe o restante pelos prazos e acorde se a garantia começa na data do aceite ou quando o último item for encerrado. Resolver isso desde o início evita mal-entendidos depois.
Verifique qual lei rege o contrato
A maioria das condições de aceite pode ser fixada livremente em contrato, mas a lei aplicável pode acrescentar prazos próprios. Contratos com fornecedores japoneses podem indicar a lei japonesa; por isso, confira a cláusula de lei aplicável com o jurídico ou as compras. Se a lei japonesa se aplicar a uma venda entre empresas (comerciantes), o artigo 526 do Código Comercial japonês exige que o comprador inspecione os bens sem demora depois do recebimento e comunique imediatamente ao vendedor qualquer não conformidade. Para defeitos que não podem ser percebidos de imediato, vale a mesma regra se o comprador os descobrir em até seis meses do recebimento. O artigo pode ser afastado por contrato, e os contratos de equipamentos costumam fixar o próprio prazo de inspeção. Adiar a inspeção pode custar o direito de reclamar. O artigo 566 do Código Civil japonês também fixa um prazo de um ano, a contar do momento em que o comprador toma conhecimento de uma não conformidade de tipo ou de qualidade, sem limite de prazo se o vendedor a conhecia ou foi gravemente negligente. Leia essas regras em conjunto com a cláusula de garantia.
Se o contrato for regido pela lei brasileira, ou se a Convenção de Viena sobre Compra e Venda Internacional de Mercadorias (CISG) se aplicar à compra entre o Brasil e o Japão, também existem prazos para examinar a mercadoria e comunicar o defeito. Não detalhamos esses prazos aqui: peça ao jurídico que os confirme antes de fechar as condições de aceite e de garantia.
Erros comuns em FAT e SAT
Cada um dos erros abaixo vem de pular alguma parte das etapas anteriores.
A maioria deles se evita na preparação, não no dia do teste.
O fornecedor vê os mesmos problemas do outro lado. Esclarecer os pontos vagos na fase de cotação e acordar cedo o procedimento de inspeção é o caminho mais seguro para evitar retrabalho e discussões sobre cobranças extras. FAT e SAT existem para que comprador e fornecedor julguem a máquina pelo mesmo padrão. Encare-os como um esforço conjunto para uma partida de produção tranquila, e não como um teste do outro lado, e as conversas do dia permanecerão construtivas.
Perguntas para combinar com o seu fornecedor japonês
Antes de fechar o pedido de compra, obtenha respostas por escrito para estas perguntas:
- O que exatamente conta como kenshu (aceite): o FAT, o SAT ou uma corrida com peças de produção?
- Qual pagamento vence em qual etapa, e quando começa a garantia?
- Quem redige o procedimento de inspeção e quando o receberemos para aprovação?
- Quais itens são testados no FAT e quais no SAT?
- Quais peças de teste serão usadas, quantas, e quando devemos enviá-las ao Japão?
- Quais documentos receberemos (relatório de inspeção, procedimento de operação de teste, desenhos, manual, lista de sobressalentes) e em qual idioma?
- A máquina atenderá à NR-12 e o manual e as inscrições de advertência virão em português (Brasil)? Em quais normas se baseou a apreciação de riscos?
- Onde fica o limite de responsabilidade (toriai) para utilidades e interfaces de sinais, e para quais tensão e frequência a máquina foi projetada?
- Como as alterações do programa de controle depois do FAT serão documentadas e testadas de novo?
- Como as pendências serão registradas, assinadas e encerradas, e como será a assistência se for preciso enviar técnicos do Japão?
- Qual lei rege o contrato e que prazo de inspeção ela estabelece?
Checklist de FAT e SAT para usar no seu projeto
Transformamos os passos deste guia em um checklist de FAT e SAT que você pode reutilizar no próximo projeto. Ele tem 44 itens em seis seções:
- Antes do FAT: requisitos testáveis, condições de aceite, procedimento de inspeção, peças de teste, documentos e participantes
- Durante o FAT: construção x especificação, capacidade e precisão, operação contínua, recuperação de falhas, funções de segurança e riscos residuais
- Encerramento do FAT: apontamentos priorizados, relatório de inspeção assinado, versão do programa e liberação para embarque
- Antes do SAT: fotos do desencaixotamento, fundação e nivelamento, utilidades, interfaces e peças de produção
- Durante o SAT: nova medição após o transporte, verificação das utilidades, intertravamentos, corridas de produção e treinamento
- Aceite final: punch list, registro de aceite assinado, etapa de pagamento e início da garantia
Adapte os itens ao seu equipamento e ao seu contrato. O checklist é um ponto de partida, não um substituto do procedimento de inspeção que você acordar com o fornecedor.
Limites deste guia
- As práticas variam. Os nomes dos documentos, o nível de detalhe do procedimento de inspeção e a forma de ligar o aceite ao pagamento diferem entre fornecedores japoneses, setores e projetos. Confirme os detalhes com o seu fornecedor.
- Setores regulados têm regras próprias. Os equipamentos de fabricação de medicamentos sob o Anexo 15 das BPF da UE passam por qualificação formal (qualificação de instalação, de operação e de desempenho, ou IQ, OQ e PQ), com FAT e SAT como parte do processo.
- Segurança e questões jurídicas não são tratadas aqui. Este guia lista o que verificar. O que a sua fábrica deve fazer em segurança de máquinas (incluindo a NR-12) e como o seu contrato é interpretado são decisões da sua equipe de segurança, do seu jurídico e das leis que se aplicam a você. Não confirmamos se a ABNT adotou a IEC 62381; trate-a como referência e consulte o catálogo da ABNT se precisar citar uma norma brasileira.
- Equipamentos pequenos podem dispensar o FAT. Mesmo assim, a preparação das etapas 1 e 2 continua valendo.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre FAT e SAT?
O FAT é feito na fábrica do fornecedor, antes do embarque, para confirmar que a máquina foi construída conforme a especificação. O SAT é feito na sua fábrica, depois da instalação, para confirmar que ela funciona conforme a especificação no local, incluindo utilidades, condição após o transporte e ligação com outros equipamentos.
Podemos dispensar o FAT e fazer só o SAT?
Sim, em equipamentos pequenos isso às vezes é feito. Ainda assim, é preciso definir os requisitos e as condições de aceite e acordar o procedimento de inspeção antes do pedido. Lembre que os defeitos encontrados no local levam mais tempo para ser corrigidos, sobretudo quando os técnicos do fornecedor precisam viajar do Japão.
Quem deve participar de um teste de aceitação em fábrica?
Leve o pessoal de produção, manutenção e qualidade que vai usar a máquina, e não só o engenheiro de manufatura. Eles percebem problemas de operabilidade e de manutenção que um engenheiro de manufatura trabalhando sozinho tende a deixar passar.
O que é uma punch list em FAT e SAT?
É a lista de pequenas pendências que restam quando o equipamento é aceito antes de tudo estar concluído. Cada item tem descrição, responsável, prazo e a forma de confirmar o encerramento, e as duas partes assinam. Ela nasce dos apontamentos registrados no FAT. Fornecedores japoneses podem chamá-la de lista de zanken (pendências).
O que significa kenshu em contratos japoneses de equipamentos?
Kenshu (検収) é o aceite formal: conferir o equipamento entregue com o contrato e recebê-lo. O pagamento e o início da garantia costumam estar ligados a ele; por isso, o contrato deve dizer exatamente qual teste ou condição conta como kenshu e como ele se relaciona com o pagamento e com a garantia.
Fontes
- Definições de FAT e SAT: IEC 62381:2024 Automation systems in the process industry – Factory acceptance test (FAT), site acceptance test (SAT), and site integration test (SIT) (páginas de amostra)
- URS, FAT/SAT, IQ/OQ/PQ: Comissão Europeia, EU GMP Annex 15: Qualification and Validation (2015)
- Notificação de perigos de máquinas: MHLW, aviso sobre o artigo 24-13 da Portaria de Segurança e Saúde Industrial (em japonês)
- Diretrizes de segurança de máquinas: MHLW, Diretrizes para as normas abrangentes de segurança de máquinas (revisão de 2007, em japonês)
- Código Comercial japonês, artigo 526: Zeiken, Código Comercial (trecho), artigo 526 (em japonês)
- NR-12, manual de instruções e inscrições em português (Brasil): Norma Regulamentadora nº 12 (texto no LegisWeb)
Artigo original em japonêsEste guia se baseia em um artigo do MONOSCOPE escrito para leitores no Japão: FAT・SATとは|工場立会検査・現地受入検査の違いと検収で揉めない進め方6ステップ


